
O estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, que tornou-se famoso ao escrever o livro O Ambientalista Cético, em que questionava o Aquecimento Global, agora mudou de ideia. Quem diria. Ele vai lançar um livro argumentando que deve-se investir muito dinheiro para combater o Aquecimento Global.
Vejam reportagem da Folha.com:
www1.folha.uol.com.br/ambiente/792146-lider-dos-ceticos-do-aquecimento-global-muda-de-ideia.shtml
O IBGE lançou sua publicação de indicadores de desenvolvimento sustentável de 2010.
Uma das conclusões importantes da pesquisa é que as emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil subiram 62% entre 1990 e 2005.
O trabalho completo pode ser copiado em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/ids2010.pdf
John Doerr é considerado um gênio do mercado financeiro. Ele ficou famoso investindo na criação de empresas como Google, Amazon, Compaq e Netscape.
Eu costumo usar John Doerr como exemplo de compatibilidade entre economia e meio ambiente, uma vez que ele começou a investir em empresas de tecnologia limpa. É dele a frase: “investir em tecnologias limpas é a maior oportunidade econômica do Século 21″.
Vejam abaixo o depoimento emocionado de John Doerr sobre a necessidade de combater o Aquecimento Global para não deixarmos um Planeta em crise para as futuras gerações. Não deixem de assistir os segundos finais da palestra. Há legendas em português disponíveis.
Vejam no vídeo abaixo palestra do grande físico Amory Lovins sobre as possibilidades e oportunidades para eliminar o uso do petróleo através de eficiência energética, inovação e novas tecnologias. A palestra é de 2005. Há legendas em português disponíveis.
Notem o ponto-chave dos argumentos de Amory Lovins. Quando as pessoas colocam sua imensa capacidade para resolver um problema, elas o resolvem: durante a crise do petróleo, de 1977 a 1985, o PIB dos EUA cresceu 27%, porém o consumo de petróleo caiu 17% e a importação de petróleo caiu 50%.
Ajudem a pressionar o Governo brasileiro para incentivar radicalmente a eficiência energética.
Recentemente eu comprei um aparelho de celular e decidi pela Nokia com base no ranking do Greenpeace, que avalia o desempenho ambiental dos fabricantes de produtos eletrônicos desde 2006.
A versão de maio de 2010 trouxe as seguintes empresas em primeiro lugar (e respectivas notas):
1º - Nokia: 7,5
2º - Sony Ericsson: 6,9
3º - Philips: 5,1
Veja o ranking do link abaixo. Todas as 15 versões do ranking estão disponíveis, ou seja, é possível ver a evolução do desempenho das empresas.
http://www.greenpeace.org/international/campaigns/toxics/electronics/how-the-companies-line-up/
Já falamos muito aqui sobre a empresa americana Interface (www.interfaceglobal.com), referência mundial em gestão ambiental avançada e sustentabilidade.
Ray Anderson, fundador da Interface e idealizador da revolucionária gestão ambiental da empresa, deu uma palestra no TED em fevereiro de 2009, em que ele revela os resultados de todo esse investimento em meio ambiente.
Eu julgo que esse seja o exemplo fundamental para as empresas. O caso definitivo provando que a gestão ambiental tradicional não nos levará a lugar algum. E que as empresas não precisam ter medo de implantar uma gestão avançada, radicalmente focada na sustentabilidade. Os resultados da Interface provam isso.
Os pilares do Sistema de Gestão Ambiental da Interface são (notem que a gestão ambiental tradicional, focada em ISO 14001 e ecoeficiência, não chega nem perto dessa abrangência):
a) Eliminação do uso de matérias-primas não-renováveis virgens;
b) Uso de energia limpa;
c) Sistema industrial cíclico;
d) Foco no aumento da produtividade dos recursos naturais.
As principais conclusões de Ray Anderson são:
a) Somente as empresas têm as condições para “virar o jogo” da degradação ambiental;
b) É possível aumentar o lucro de uma empresa mesmo elevando radicalmente seu desempenho ambiental;
c) Além do ganho econômico direto, dois resultados da gestão ambiental avançada para as empresas são:
- Atração e motivação dos melhores talentos;
- Enorme publicidade espontânea.
A palestra pode ser vista no vídeo abaixo. Há legendas em português disponíveis.
Peço que divulguem esse depoimento de Ray Anderson ao maior número possível de empresas e de profissionais.
Esse exemplo da Interface deve servir de referência para aqueles empresários que ainda não acreditam que seja possível aliar bons resultados econômicos e elevado desempenho ambiental. Não é uma questão de opção. A “Criança do Amanhã”, de que fala Ray Anderson, precisa que façamos isso.
Vejam abaixo palestra de Janine Benyus sobre Biomimetismo, a inspiração da natureza para a gestão ambiental. Há legendas em português disponíveis.
Já falamos aqui sobre o biomimetismo (o poder de aprender gestão ambiental com a natureza):
http://www.silvaporto.com.br/blog/?p=321
http://www.silvaporto.com.br/blog/?p=370
Agora mais um exemplo mostra a força desse conceito. Cientistas suecos se inspiraram no pulmão humano para aprimorar e baratear as células de combustível. Vejam reportagem abaixo da Folha.com.
CÉLULA DE COMBUSTÍVEL DE HIDROGÊNIO EFICIENTE É INSPIRADA EM PULMÃO
Uma célula de combustível de hidrogênio inspirada no pulmão pode diminuir a quantidade de do caro catalisador necessário e aumentar sua eficiência, afirmam seus inventores.
Apesar de décadas de pesquisa, as células de hidrogênio falharam em substituir os mecanismos à combustão em automóveis, em grande parte devido ao custo de seus catalisadores de platina, segundo Signe Kjelstrup, da Academia de Ciências e Letras da Noruega, em Oslo.
Assim, a equipe de Kjelstrup desenvolveu uma célula que utiliza menos platina. Ela usa canais modelados com a estrutura de brônquios dos pulmões para fornecer hidrogênio e oxigênio aos seus respectivos eletrodos.
Isto ajuda a espalhar os gases mais uniformemente pelo catalisador que com os canais anteriormente projetados, e fornece uma maior área de superfície de modo que menos platina é necessária, explica Kjelstrup.
A Shell e a Basf foram condenadas a pagar uma indenização milionária por danos morais aos ex-funcionários de suas fábricas em Paulínia, no âmbito do caso de contaminação já famoso no Brasil. Vejam abaixo reportagem do Jornal Folha de São Paulo.
Uma questão que permanece em aberto é o prejuízo que esse caso trouxe a imagem da Shell. Incalculável, na minha opinião.
JUSTIÇA DO TRABALHO CONDENA SHELL E BASF A INDENIZAR FUNCIONÁRIOS
Em uma ação por contaminação de substâncias tóxicas, a Justiça do Trabalho de Paulínia (117 km de SP) condenou ontem as multinacionais Shell e Basf a pagar R$ 622 milhões de indenização por danos morais, além de custear assistência médica a ex-trabalhadores.
As empresas também serão obrigadas a pagar uma indenização individual de R$ 20 mil por ano trabalhado a cada um dos ex-funcionários.
A sentença é resultado de uma ação coletiva movida em 2007 pelo Ministério Público do Trabalho e pela associação dos ex-trabalhadores da extinta fábrica de agrotóxicos.
Um parecer do Ministério Público indicou que as pessoas que trabalharam ou residiram na localidade foram expostas a substâncias químicas como arsênico, chumbo, níquel e manganês.
A Shell informou por meio de nota que, “confiando na Justiça e na defesa de seus direitos, irá recorrer às instâncias superiores”.
A Basf informou, também em nota, que “vai recorrer da decisão, pois não concorda com o absurdo da sentença proferida que se baseou na contaminação ambiental causada e assumida pela Shell”.
Estamos divulgando material muito importante sobre Aquecimento Global e mudanças climáticas. Leiam. Divulguem.
EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM HIDRELÉTRICAS
Um grande equívoco conceitual que se faz é chamar de energia limpa a energia gerada em hidrelétricas. É uma energia renovável, mas está longe de ser uma energia limpa.
O grande impacto social e ambiental de uma usina hidrelétrica é conhecido. Se imaginava que uma hidrelétrica contribuía muito pouco para o Aquecimento Global, uma vez que não havia queima de combustível fóssil. Porém, esse novo tipo de impacto está sendo discutido tecnicamente.
Hidrelétricas construídas em regiões de floresta emitem gás metano em grande quantidade, devido à decomposição da vegetação alagada. Isso faz com que as hidrelétricas também contribuam significativamente para o Aquecimento Global. É um grande argumento contra as hidrelétricas que o Brasil está construindo na Amazônia.
O pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), elaborou um trabalho técnico sobre essa emissão de metano nas hidrelétricas em áreas de floresta. O trabalho pode ser copiado em:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/GERACAO_METANO_HIDRELETRICAS.pdf
RELATÓRIO ESTADO DO CLIMA 2009
O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos.
Neste mês de agosto a NOAA divulgou seu relatório anual Estado do Clima. É um grande estudo técnico, com muitos dados de campo, sobre o Aquecimento Global e mudanças climáticas. É um material definitivo sobre o impacto das atividades humanas sobre o clima do Planeta.
O relatório completo (em inglês) pode ser copiado em:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/ESTADO_DO_CLIMA_2009_NOAA.pdf
Vejam abaixo reportagem do Jornal Folha de São Paulo sobre consequências do Aquecimento Global que são vistas no Brasil.
AQUECIMENTO PODE ESTAR POR TRÁS DE SECAS NO BRASIL
Está acontecendo agora, provavelmente vai acontecer de novo. Para cientistas, os extremos climáticos, como a secura que turbina queimadas no Centro-Oeste e na Amazônia, podem estar ligados ao aquecimento global.
O mesmo vale para as enchentes que deixaram 20 milhões de desabrigados no Paquistão nas últimas semanas, ou para a seca na Rússia, a pior da história, que devastou as plantações de trigo e fez aumentar o preço do pão até no Brasil.
Claro, nenhuma dessas catástrofes pode ser atribuída de forma específica às mudanças climáticas globais. É difícil separar os efeitos do aquecimento causado pelo homem da variabilidade natural do clima quando se trata de casos isolados. “Mas o que se pode dizer é que a frequência com que eventos climáticos extremos ocorrem tende a aumentar”, afirma o físico Paulo Artaxo, da USP. Desse ponto de vista, a secura no interior do país, e em especial na região amazônica, é o esperado.
“Os modelos climáticos [projeções do clima futuro feitas em computador] projetam secas maiores no centro e no leste da Amazônia e no Nordeste”, afirma o climatologista José Antonio Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). “No Centro-Oeste haveria mais ondas de calor”, disse Marengo, que ontem participava de um evento sobre mudança climática e desertificação em Fortaleza.
Artaxo, da USP, lembra que o primeiro fator responsável por estimular eventos climáticos fora do comum num planeta mais aquecido é a energia sobrando. “Você injeta energia extra no sistema ao aquecer a atmosfera. E essa energia precisa ir para algum lugar”, afirma.
Outro ponto crucial, segundo Marengo, é o fato de que continentes e oceanos esquentam a taxas diferentes -é mais difícil esquentar uma massa de água do que a mesma massa de terra. Como o ciclo da chuva e o dos ventos dependem muito dos mares, a diferença mais acentuada de temperatura entre oceano e continente pode levar a mais vendavais e mais tempestades. “É como se houvesse uma aceleração no ciclo hidrológico, como se ele virasse um carro andando em quinta.”
A estiagem deste ano ainda não virou uma catástrofe no Brasil. “Está só um pouco mais seco do que a média”, diz o climatologista Carlos Nobre, também do Inpe. Já a onda de calor russa tem tudo para virar um estudo de caso, como o evento semelhante que matou 30 mil pessoas na Europa em 2003.
Segundo Nobre, ambas as ondas de calor foram causadas por bloqueios atmosféricos. “É como se fosse uma bola sobre a região, que não deixa o ar frio entrar.” Nobre diz que não há nenhuma boa teoria ligando os bloqueios atmosféricos ao aquecimento global. Mas cita estudos depois da onda de 2003, mostrando que a probabilidade de ela ter a ver com o fenômeno era de 80%. No caso da Rússia, essa possibilidade é menor, afirma.
O americano Joel Makower, grande especialista em marketing ambiental, tem uma frase muito bem-humorada sobre a moda da compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) através do plantio de árvores (carbono zero, carbon free, etc.):
” Plantar árvores para compensar as emissões de GEE e não tomar ações concretas para reduzí-las na fonte é como pedir um refrigerante light para acompanhar um duplo chesse bacon “.
É isso. Já criticamos muito aqui essa moda absurda da compensação de emissões. É sempre melhor levar para o lado do bom humor não acham? A crítica real fica mais suave.
Ouçam no link abaixo nossa entrevista para a série especial de reportagens da Rádio Eldorado sobre os desafios que o novo presidente terá na área ambiental.
Vejam abaixo edição do Programa Cidades e Soluções, da Globonews, sobre os principais aspectos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei aprovada recentemente no Congresso Nacional e que aguarda sanção do Presidente Lula.
Vale a pena ver.
O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama criaram um ranking de desempenho ambiental dos veículos leves vendidos no Brasil. A chamada Nota Verde avalia aspectos como as emissões de poluentes atmosféricos (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio), o uso de combustível renovável e as emissões de gás carbônico (CO2).
O resultado varia de uma a cinco estrelas. Quanto maior a pontuação, maior o desempenho ambiental do veículo.
Um exemplo:
Um Volkswagen Polo, modelo Bluemotion, motor 1.6, que foi projetado para ser ambientalmente mais eficiente, recebe a nota máxima de 5 estrelas. Ele emite, por exemplo, 65,8 gramas de CO2 por quilômetro rodado.
Um Hyundai Tucson, motor 2.0, que nem é vendido na versão flex, recebe apenas 1 estrela e emite 95,5 gramas de CO2 por quilômetro. Isso sem falar nos outros poluentes.
Podemos fazer uma conta simples. Se esses dois veículos percorrerem 1.500 km por mês (18.000 km/ano), o Tucson emitirá anualmente 551 kg de CO2 a mais do que o Polo.
Em tempo de aquecimento global, quem paga por essa poluição maior? Na condição atual, toda a sociedade paga pela escolha de quem comprou veículos mais poluidores. Obviamente, não pode continuar assim. O Governo precisa estabelecer penalidades (maior imposto) para os carros mais poluidores e incentivos (menor imposto) para os veículos de melhor desempenho ambiental.
O dinheiro arrecadado com o imposto maior dos veículos poluidores financiaria os incentivos dos veículos menos poluidores. Isso já está sendo feito em alguns países, como a França.
Felizmente, entretanto, alguma coisa já está sendo feita noBrasil. O Banco do Brasil criou uma linha de financiamento de veículos que cobra taxas de juros menores para a compra de veículos 5 estrelas na Nota Verde. Vejam link abaixo:
As notas e as emissões de poluentes dos veículos podem ser verificadas no endereço:
http://servicos.ibama.gov.br/ctf/publico/sel_marca_modelo_rvep.php
Que ótimo ver o segmento de veículos em firme mudança. Uma empresa jovem, a americana Brammo, fundada em 2002, lançou uma moto esportiva elétrica (vídeo abaixo).
A Impulse é 100% elétrica, carregada em uma tomada comum, chega à velocidade de 160 km/h e tem uma autonomia de 160 km. Custa a partir de 10.000 dólares nos EUA.
Mais um bom exemplo de inovação tecnológica a favor do ambiente. E as indústrias tradicionais? Vão ficar esperando o mercado mudar como fez a Kodak com as câmeras fotográficas digitais? Em um dado momento, poderá ser tarde demais não acham?
Mais informações em www.brammo.com
A onda de frio das últimas semanas causou a morte de milhares de cabeças de gado no sul do Mato Grosso do Sul. Estima-se que mais de 4 mil reses morreram de frio, causando um prejuízo de mais de R$ 4 milhões.
Esse triste episódio deve nos servir de ensinamento. É mais uma aula que a natureza nos dá. Leonardo da Vinci dizia: “Não há senão um mestre: a natureza”.
O primeiro ponto é a raça do gado morto. O gado da raça Nelore é originário da Índia e não está acostumado com clima frio. Aula de ecologia.
O segundo ponto é que as fazendas onde o gado morreu não possuem maciços de vegetação. São campos imensos, que foram totalmente desmatados no passado. A vegetação serve de abrigo natural aos animais. Há relatos de que os animais procuraram ficar perto das plantações de eucalipto para se proteger, porém essa árvore não possui uma copa capaz de proteger do frio.
Já falamos aqui sobre a Yike Bike, revolucionária bicicleta elétrica desenvolvida na Nova Zelândia (vídeo abaixo):
Agora a Volkswagen lançou sua bicicleta elétrica seguindo o mesmo conceito. Vejam vídeo.
Qual das duas bicicletas vocês consideram o melhor projeto? Eu prefiro a Yike.
Um caso de marketing ambiental ocorrido recentemente é um ótimo exemplo de como as empresas não sabem aproveitar a preocupação ambiental da sociedade. Já falamos muito aqui de como a sociedade, e consequentemente o mercado, estão valorizando cada vez mais as empresas que demostram um desempenho ambiental elevado.
A Bombril veiculou na TV alguns comerciais alegando um alto desempenho ambiental de sua tradicional esponja de aço. Os comerciais, criados pela Agência WMcCann (vídeos abaixo), ressaltam o baixo desempenho ambiental de produtos concorrentes, as esponjas multiuso feitas de polímeros (tipo Scotch-Brite da 3M).
Qualquer profissional da área ambiental percebe claramente que trata-se de um comercial criado por profissionais de propaganda, sem qualquer respaldo técnico. Assumir que um produto é mais “ecológico” que o outro, ou até que seja “100% ecológico” como a propaganda afirma, é uma simplificação inadmissível.
A Bombril não cita nenhum estudo técnico ou certificação de instituição independente que justifique os atributos ambientais alegados. Além do mais, essa forma de autodeclaração ambiental vai contra as recentes Normas Técnicas da Série ISO 14000.
O que poderia ocorrer? O óbvio. Empresas concorrentes da Bombril entraram com representação no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) pedindo a suspensão dos comerciais. Como as justificativas apresentadas são inquestionáveis, nesta semana o CONAR suspendeu a campanha da Bombril.
Conclusão: a Bombril gastou R$ 30 milhões com uma campanha que foi suspensa compulsoriamente e ainda ficou com a imagem de que é uma empresa que pratica o “greenwashing“, ou seja, que quer aproveitar a onda verde para fazer média com seus produtos.
Esse caso me fez lembrar um fato ocorrido comigo. No Dia mundial do Meio Ambiente de 2009 recebi um e-mail de uma das maiores empresas do Brasil alertando que devemos tomar ações em defesa do ambiente. Uma parte do texto dizia: ” Sabe o que acontece quando usamos mais o transporte público? Menos gás carbônico é liberado na atmosfera, não prejudicando tanto a camada de ozônio“. Inacreditável não? Um típico exemplo de ação feita por profissionais de propaganda, sem apoio técnico algum.
Precisa ficar claro para as empresas. Não se pode querer faturar com o engajamento da sociedade na causa ambiental sem uma base sólida de gestão ambiental e sustentabilidade. É um erro imenso deixar a cargo de profissionais de propaganda e marketing campanhas que apresentam benefícios ou desempenho ambiental de produtos e empresas.
O marketing ambiental é poderosíssimo, mas também é perigosíssimo. Fazer ações de marketing ambiental sem base técnica pode levar ao efeito contrário (o que os americanos chamam de backlash): a empresa ser punida pelos consumidores por fazer “greenwashing”. É melhor ficar quieta.
O marketing ambiental só trará um resultado significativo para a empresa se for uma ação criteriosa, com embasamento técnico, planejada em conjunto por profissioanais de gestão ambiental e de marketing. É um campo muito perigoso para tentativas e “chutes”.
O Solar Impulse, primeiro avião do mundo movido a energia limpa, fez seu primeiro voo noturno nesta semana. Voou por 26 horas, provando que pode voar também à noite (vejam vídeos abaixo).
Muitos vão dizer que a energia solar é muito cara, inviável. Esse projeto mostra que a capacidade humana permite sonhar alto, porém os governos precisam investir dinheiro grande em pesquisa e incentivos para o uso de energia limpa.
Dizem que não há dinheiro para incentivar o uso de energia limpa, cujas instalações caracterizam-se por alto custo de investimento inicial e baixíssimo custo de operação e manutenção. Mas na crise econômica de 2008 os governos não gastaram trilhões de dólares para salvar os bancos?
Quer dizer então que há dinheiro para salvar os bancos, mas para salvar o Planeta não há? Vamos usar esse exemplo do Solar Impulse para exigir dos governos mais investimento em energia limpa. Por que o Brasil não investe pesadamente em energia eólica, solar e energia das marés, aproveitando o imenso potencial que a natureza nos deu?