No Brasil Estamos Muito Longe de Uma Sociedade Sustentável

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Vejam abaixo o excelente texto do jornalista Elio Gaspari, em sua coluna na Folha de São Paulo de 1/2/2012, sobre a desigualdade na sociedade brasileira.

Não podemos esquecer que a equidade é um dos Princípios da Sustentabilidade.

 

A BANALIDADE DA TUNGA

Os saques dos magistrados felizardos contra a bolsa da Viúva nada têm a ver com corrupção. É coisa pior. Têm a ver com a banalidade de um regime jurídico e tributário que tira dinheiro do andar de baixo e beneficia o de cima, até mesmo quando ele delínque. Quem paga impostos e tem dinheiro a receber se ferra, mas quem não os paga se beneficia.

Nos anos 90, o Congresso concedeu aos parlamentares um auxílio-moradia que hoje está em R$ 3.000 mensais. Seus defensores argumentam que um deputado do Paraná é obrigado a manter casa em Brasília ou a pagar hotel durante a duração do seu mandato e pode perdê-lo na próxima eleição.

Pouco a ver com a magistratura, função vitalícia, de servidores inamovíveis fora de regras estritas.

Em 2000, o Supremo Tribunal Federal estendeu o auxílio-moradia aos desembargadores (que vivem nas capitais e delas não são transferidos). Com o direito reconhecido, os doutores tinham direito aos atrasados.

Tome-se o exemplo do juiz Cezar Peluso, atual presidente do Supremo. Ele entrou na carreira em 1968, aos 26 anos, e passou pelas comarcas de Itapetininga, São Sebastião e Igarapava. Nessa fase deveria receber um auxílio-moradia. E depois? Em 1972, ele foi para São Paulo, onde viveu os 21 anos seguintes. (O crédito de Peluso teria ficado em R$ 700 mil.)

Os magistrados poderiam ter caído num regra perversa da Viúva: “Devo, não nego, pagarei quando puder”. Em juridiquês ela se chama fila dos precatórios.

Tome-se outro exemplo, de um policial aposentado que teve reconhecido pela Justiça um crédito de R$ 1 milhão. Ele foi para a fila da choldra.

A dos magistrados seria outra, mesmo assim, os Tribunais de Justiça autorizaram pagamentos por motivos especiais. Um desembargador foi atendido porque estava deprimido; outro, porque choveu na sua casa; um terceiro adoeceu.

No andar de cima, alguns doutores levaram o seu. O policial, no de baixo, ficou na fila até que surgiu a mágica do mercado paralelo de precatórios. Em 2009, uma emenda constitucional permitiu que os créditos fossem negociados, e o policial vendeu o seu por R$ 250 mil.

Tudo bem, problema de quem comprou seu lugar na fila. Não. A emenda permite que os créditos dos precatórios sejam usados para que sonegadores quitem dívidas tributárias.

Diversos Estados regulamentaram esse comércio. No início de janeiro, no Rio, o governador Sergio Cabral promulgou uma lei da Assembleia pela qual os sonegadores de impostos podem quitar suas contas, livres das multas, com abatimento de 50% nos juros de mora, pagando 95% com papéis de precatórios e 5% em dinheiro.

Fica-se assim: o magistrado recebeu de uma vez tudo a que tinha direito. O policial aposentado cansou da fila e preferiu receber 25%. O sonegador que comprou seu precatório transformou R$ 250 mil em R$ 1 milhão.

Admitindo-se que ele devesse R$ 1,2 milhão, livrou-se de R$ 200 mil das multas e quitou o débito gastando R$ 300 mil.

O sonegador economizou R$ 900 mil. Para arrecadar um ervanário desses, a Viúva precisa que um policial cujo salário é de R$ 6.000 mensais pague todos os impostos que lhe deve, ao longo de 32 anos.

Tudo na mais perfeita legalidade.

 

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Mais Informações Para o Debate Sobre a Proibição das Sacolinhas Plásticas

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Vejam abaixo artigo publicado na Folha de São Paulo de hoje (1/2/2012)  de autoria do Presidente da Associação Paulista de Supermercados sobre a proibição das sacolinhas plásticas no Estado de São Paulo.

 

OS SUPERMERCADOS E O INTERESSE PÚBLICO

A campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco, desenvolvida pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) reflete uma demanda da sociedade, cada vez mais atenta às questões ambientais.

Não se pode ignorar o enorme volume de material desnecessário despejado no ambiente. Como forma de contribuir para amenizar o problema, os supermercados vêm adotando várias medidas para substituir as sacolas plásticas descartáveis por sacolas reutilizáveis.

A campanha tem apoio do governo do Estado de São Paulo, de várias prefeituras, de inúmeras entidades da sociedade civil organizada, de órgãos oficiais ambientalistas e de ONGs que se dedicam ao ambiente. Ela também está alinhada com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O incentivo ao transporte das compras de modo sustentável é o início de um projeto maior, com ações sustentáveis mais amplas, passando até pela construção e pela reforma de lojas, projeto já iniciado pela Apas com o lançamento de um guia da loja verde.

Sabemos que as mudanças são gradativas e deveriam começar por uma ponta. Optamos pela substituição das sacolas descartáveis por entender que esse é o ponto mais sensível para o cumprimento das normas de gestão de resíduos, que começam a vigorar em 2014, deixando de despejar no ambiente 7 bilhões de sacolas ao ano no Estado de São Paulo.

O foco da ação está no fim da cultura do descarte. Iniciamos a ação com um projeto-piloto, em Jundiaí.

O resultado desse trabalho -que uniu prefeitura, Procon, supermercadistas e associação comercial- foi extremamente positivo, conforme demonstrado pela pesquisa Ibope Inteligência.

Dos entrevistados, 77% aprovaram a iniciativa, 83% apoiaram a expansão da campanha para outros tipos de comércio, 52% perceberam a cidade mais limpa e 86% consideraram um bem para a sociedade a não utilização de sacolas descartáveis.

Ficamos especialmente motivados ao constatar que 68% entendem que a iniciativa elevou o sentimento de cidadania.

Implantado o projeto-piloto e assinado o acordo com o governo paulista, passamos os últimos 18 meses percorrendo o Estado para divulgar a campanha.

Nesse tempo, apresentamos formalmente a campanha em 130 prefeituras. Além de Descalvado, onde já havia uma lei, mais seis cidades suspenderam a distribuição de sacolas descartáveis: Monte Mor, Americana, Itapetininga, Marília, Piracicaba e Socorro.

Depois de conquistar o apoio do poder público e a adesão dos nossos 1.200 associados, partimos para as ações de conscientização, levando informações fundamentais pela mídia e formadores de opinião e participando de debates.

Em paralelo, as dez regionais da Apas ajudaram os supermercados no treinamento dos seus colaboradores que lidam com o público. Criamos um serviço de 0800 para esclarecer as dúvidas dos associados. Decoramos as lojas e fizemos divulgação via mídias sociais e via campanha publicitária.

Atraímos atenção do país inteiro para uma intervenção urbana na capital paulista com 12 “sacolonas”, instalação artística de material reciclado com quatro metros de altura.

O ápice das ações em 25 de janeiro não foi o fim da campanha. Inicia-se agora uma nova fase que comprovará o quanto o legado da mudança de hábito do consumidor trará benefícios ao meio ambiente.

JOÃO GALASSI, 44, é presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados)

 

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Mais Informações Para o Debate Sobre a Proibição das Sacolinhas Plásticas

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Vejam abaixo um artigo e uma reportagem do Jornal Folha de São Paulo sobre a polêmica do banimento das sacolinhas plásticas.

Me parece que uma coisa está clara. Os consumidores deveriam ter sido ouvidos antes do banimento das sacolas plásticas. Isso elevaria o debate sobre consumo sustentável.

 

MENOS SACOLAS, MAIS LIXOS NAS RUAS – Artigo Folha de São Paulo – 30/01/2012

Quem está com a razão? Os supermercados, os fabricantes, o poder público ou o consumidor?

O debate sobre o acordo do governo com os supermercados a respeito do banimento das sacolas plásticas tem de começar imediatamente e em nome da verdade.

Quais interesses estão realmente envolvidos?

O detalhe é que este acordo voluntário entre o governo e os supermercadistas só atende a um dos lados da balança.

Até agora, parece que os argumentos político e econômico afloram, já que o meio ambiente está só de pano de fundo.

Os supermercados gastam R$ 500 milhões ao ano com as sacolinhas plásticas. Ao tentar bani-las, a pergunta é: eles irão repassar esse custo ao consumidor diminuindo o valor dos produtos?

Esse mesmo consumidor já adquiriu um direito, e agora resolveram tirá-lo sem consultar.

As sacolas plásticas significam somente 0,2% dos aterros sanitários. Elas são muito menos poluentes em todo ciclo de produção e, principalmente, são reutilizáveis.

A questão da saúde pública, pouco abordada neste debate, precisa vir à tona.

Onde estão as moscas? Sumiram, porque o lixo orgânico é embalado nas sacolas plásticas.

Com a operação de banimento, teremos de comprar muito mais sacos de lixo para minimizar este impacto. A conta é simples: em média R$ 75,00 a mais por mês no orçamento doméstico. As classes C, D e E irão aguentar?

Veremos, assim, muito lixo jogado nas ruas ou em caixas de papelão. Vai ocorrer uma ampliação das doenças infecciosas.

Por outro lado, já que o governo, tão cioso pela causa ambiental, entrou nessa história, há uma questão básica a abordar.

Só em São Paulo, mais de 100 mil trabalhadores, direta ou indiretamente, perderão seus empregos.

O governo, como instituição imparcial e isenta, deveria, minimamente, ouvir o conjunto da sociedade envolvida. Assim, além dos citados no início do artigo, os trabalhadores necessariamente teriam que participar do debate.

Diante de tal situação, porque os deputados estaduais não propuseram audiências públicas para coletivizar o debate e tirar conclusões mais imparciais?

Cabe aqui, portanto, algumas conclusões e proposições, diante do cenário que se apresenta:

1) Os interesses econômicos e políticos envolvidos nesta questão estão acima do ambiental;

2) O governo de São Paulo deveria sugerir um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para definir uma ação conjunta entre os envolvidos e chegar a um acordo que possa satisfazer, a médio prazo, o interesse comum da sociedade;

3) A educação ambiental para o consumo responsável deveria ser o objetivo indutor que formaria a consciência e a sensibilização de todos, voltados para práticas sustentáveis e que relevem o consumo consciente.

Aí sim, ajustados à causa e com imparcialidade, a sociedade e os herdeiros do futuro sustentável agradecerão. 

LÍVIO GIOSA, 59, administrador de empresas, é vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), coordenador do Ires (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental) e presidente do Cenma (Centro Nacional de Modernização Empresarial)

 

LIMITAR SACOLINHA É TENDÊNCIA MUNDIAL – Reportagem Folha de São Paulo – 29/01/2012 

O fim da distribuição de sacolinhas pelos supermercados de São Paulo, que começou a vigorar na quarta-feira passada, segue uma tendência que ganha fôlego em várias partes do mundo.

Embora o fornecimento das sacolas plásticas pelo varejo ainda seja liberado em vários países, como a vizinha Argentina e o distante Irã, um número crescente de nações ou cidades tem adotado alguma forma de restrição.

Bangladesh, na Ásia, tem uma das histórias mais antigas de proibição, que vigora desde 2002, depois de o entupimento de bueiros por plástico ter sido identificado como o fator responsável por uma inundação que devastou o país em 1998.

Em diversos países africanos (como Ruanda, Quênia, Uganda e Somália), o varejo também é proibido de distribuir as sacolinhas.

Na China, o varejo de todo o país é obrigado a cobrar pelas sacolas desde 2008. Um estudo da Universidade de Gotemburgo (Suécia), divulgado em 2010, indicou queda de 50% no consumo das sacolinhas no país depois da adoção da medida.

Nos EUA, não existe uma regra nacional sobre o tema. San Francisco é considerada a cidade pioneira do país na decisão de proibir o fornecimento de sacolas plásticas, a partir de 2007.

Em Washington, a distribuição não é proibida, mas os supermercados são obrigados a cobrar por elas. Em Nova York, não há restrições.

Medidas restritivas são comuns na Europa, embora as regras variem de um país para o outro. No Reino Unido, por exemplo, as sacolinhas não são proibidas, mas há um compromisso das grandes redes de reduzir o consumo.

O acordo ajudou a diminuir em 40% o uso de sacolas no país entre 2006 e 2009, mas em 2010 o consumo aumentou, provocando reação do governo. Na Irlanda, é cobrada uma taxa pelo uso de sacolinhas desde 2002, e em países como a Itália a distribuição é proibida.

Em 2011, a União Europeia promoveu uma pesquisa de opinião sobre o uso das sacolinhas, respondida por 15 mil pessoas: 70% se manifestaram a favor da proibição da distribuição das sacolinhas.

Depois do resultado, organizações não governamentais pressionaram as autoridades europeias para banir o fornecimento de sacolas no bloco.

O especialista Roberto Nascimento de Oliveira critica o fato de que o acordo para a proibição das sacolas em São Paulo não tenha sido precedido de uma pesquisa de opinião sobre o tema.

“Era fundamental consultar o consumidor antes para só então decidir que medida implantar e como implantar”, diz Oliveira, professor do Núcleo de Estudos de Varejo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

O presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), João Galassi, diz não ter informações sobre os detalhes dos projetos para restrição do uso de sacolinhas implementados em outros países, mas acredita que “os consumidores vão, aos poucos, mudando de hábitos quando a causa é justa”.

 

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A Verdade Sobre as Sacolinhas Plásticas

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Vejam abaixo reportagem da Revista Exame sobre a polêmica das sacolinhas plásticas biodegradáveis e oxibiodegradáveis.

Já falamos bastante por sobre esse tema por aqui. Uma coisa que me incomoda bastante é o fato da maioria das pessoas não compreender o conceito de sustentabilidade e, assim, achar que eliminando o uso de sacolas plásticas estará salvando o Planeta.

É engraçado presenciar pessoas chegando nos supermercados com seus carros tipo SUV, altamente poluidores, com sacolas retornáveis nas mãos imaginando que estão em dia com o ambiente. O buraco é bem mais embaixo.

 

CONHEÇA A VERDADE POR TRÁS DAS SACOLAS PLÁSTICAS

Para a indústria, sacolas oxibiodegradáveis ou biodegradáveis são opções mais ecológicas; no entanto, nem sempre a imagem vendida condiz com a realidade.

As leis aplicadas em diversas cidades brasileiras contra o uso das sacolas plásticas levantaram uma série de questionamentos por parte dos consumidores e abriram caminho para o mercado publicitário.

Os usuários, que há muitos anos reaproveitavam as sacolas plásticas distribuídas gratuitamente nos supermercados como sacos de lixo, se perguntam quais são as alternativas plausíveis para o descarte de resíduos, diante das constantes proibições.

Parte da indústria se aproveitou dessa dúvida para vender a ideia de que as sacolas oxibiodegradáveis ou biodegradáveis são opções mais ecológicas para substituir as sacolas plásticas tradicionais. No entanto, especialistas alertam que nem sempre a imagem vendida condiz com a realidade.

Sacolas Oxibiodegradáveis

As oxibiodegradáveis, por exemplo, ainda são alvos de estudos, pois sua eficiência é considerada “obscura”. Essa falta de comprovações motivou o ex-governador de São Paulo José Serra a vetar um projeto de lei que tornava o uso desse produto obrigatório, para substituir os modelos tradicionais. Além disso, diversos especialistas se mostram contra a utilização das sacolas oxibiodegradáveis.

O projeto “Fotodegradação e fotoestabilização de blendas e compostos poliméricos”, do professor Guilherme José Macedo Fechine (Universidade Mackenzie), mostra que apesar de se decompor em micropartículas, este tipo de plástico não é consumido por fungos, bactérias ou protozoários, uma das características essenciais para garantir que os resíduos realmente serão eliminados do ambiente.

A mesma opinião é compartilhada pelo especialista norte-americano Joseph Greene, que realizou o estudo responsável por impedir que a Califórnia adotasse o plástico oxibiodegradável. A pesquisa mostra que esses resíduos não se desintegram, apenas se tornam invisíveis aos olhos.

Segundo Fechine, a única diferença entre o polímero oxibiodegradável e o comum é o tempo de fragmentação, menor no primeiro caso. Mas, em termos ambientais não existe benefício algum.

Sacolas Biodegradáveis

A palavra biodegradável também tem se tornado marca registrada nos carimbos das sacolas plásticas. Na maioria dos casos, ela exerce apenas uma função publicitária, para vender a imagem de que o item é ecológico.

Segundo o Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), os materiais realmente biodegradáveis são aqueles provenientes de fontes naturais, capazes de ser totalmente consumidos por microorganismos e que se degradam em até 180 dias.

O Instituto alerta também para os perigos dessas propagandas, que distorcem o impacto real dos materiais no meio ambiente e que dessa forma incentivam o consumidor a não buscar alternativas para os resíduos que produz.

 

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A Dieta Milagrosa da Sustentabilidade

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Na ansiedade do mundo de hoje buscamos soluções fáceis e rápidas para problemas complexos. 

Para fazer com que as pessoas de uma organização compreendam o conceito de sustentabilidade e a abordagem correta para implantá-lo, costumo fazer uma associação entre dietas para emagrecimento e projetos de sustentabilidade. 

O processo de engordar ou emagrecer segue Leis da Natureza, sobre as quais o ser humano não tem controle. Uma pessoa engorda quando ingere mais energia (calorias) do que consome. O conceito é muito simples de entender, porém muito difícil de aplicar na prática. 

Em vez de respeitar as Leis da Natureza reduzindo o consumo de calorias e/ou aumentando o gasto energético, a grande maioria das pessoas acima do peso busca soluções rápidas, milagrosas. Aí surgem dietas da moda, remédios que prometem milagres. E o resultado? Em quase 100% desses casos a pessoa pode até emagrecer por um período, mas volta a engordar. Isso por que as leis que comandam o processo não foram respeitadas. 

O mesmo acontece com a implantação da sustentabilidade nas empresas. O conceito de empresa sustentável é simples. Para se tornar sustentável bastaria seguir as Leis da Natureza, ou seja, consumir, em processos cíclicos, somente aquilo que a natureza possa repor rapidamente, com energia limpa, sem substâncias tóxicas, respeitando os ecossistemas e o ser humano. Porém, implantar esse conceito no modelo econômico atual é extremamente difícil. 

Aí o ser humano, em sua ansiedade, acha que é fácil tornar uma empresa sustentável. E para isso cria o que eu chamo de dietas milagrosas da sustentabilidade. Cria certificações, ferramentas e ações que prometem tornar uma empresa sustentável rapidamente. 

Não faltam exemplos. Em vez de usar energia limpa para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (ação difícil, cara e lenta), as empresas plantam árvores para “neutralizar” suas emissões (ação rápida e barata). 

Em vez de medir o real impacto de suas operações, com o uso de indicadores como o consumo absoluto de recursos naturais, água e energia, as empresas empregam indicadores relativos (chamados indicadores de ecoeficiência), que disfarçam o impacto real. Por exemplo, a empresa pode ter reduzido seu consumo de energia por unidade produzida em 3%, porém a produção total no mesmo período cresceu 10%. Conclusão: o impacto ao ambiente aumentou. 

Não seria mais honesto se as empresas reconhecessem que são insustentáveis e que estão buscando a sustentabilidade, mas o caminho é muito árduo e difícil? Não seria melhor admitir um progresso lento porém constante e não alegar melhorias estratosféricas irreais? 

Infelizmente, a realidade hoje é que as pessoas não admitem que têm estilos de vida contrários às Leis da Natureza e que por isso engordam. Preferem as dietas milagrosas.  Do mesmo modo, as empresas não admitem que atuam contra as Leis da Natureza. Preferem as dietas milagrosas da sustentabilidade.

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Vídeo da NASA Mostra a Evolução do Aquecimento Global Desde 1880

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Vejam o excelente vídeo da NASA mostrando a evolução do Aquecimento Global desde 1880. São 131 anos em 26 segundos.

As cores mais avermelhadas representam uma maior elevação da temperatura.

Ótimo material para treinamento.

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Exemplo de Biomimetismo

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Vejam reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, sobre a incrível invenção de um menino de 13 anos, que descobriu como aumentar a eficiência dos coletores solares fotovoltaicos.

É mais um exemplo de biomimetismo. Quantas ideias sustentáveis não seriam criadas se fôssemos mais humildes e observássemos mais a natureza.

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O Modelo Econômico da China é o Nosso

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A foto acima mostra um protesto extremo de funcionários da empresa Foxconn, na China, onde são fabricados os vídeogames Microsoft Xbox 360.

No dia 2/1/2012 cerca de 300 trabalhadores ameaçaram um suicídio coletivo por atrasos no pagamento das indenizações por desligamento da empresa.

Esse evento é apenas mais um que retrata as condições degradantes de trabalho na China. Hoje todos se surpreendem. Porém, o modelo empregado lá é o mesmo modelo econômico do mundo todo. Como eram as condições de trabalho dos ingleses após a Revolução Industrial? Dos norte-americanos no início do Século 20? Dos japoneses após a Segunda Guerra Mundial? Dos brasileiros na década de 1970?

Muitos já ouviram falar que na China foram instaladas redes de proteção nas fábricas e alojamentos para evitar o suicídio de trabalhadores. As fotos estão aqui abaixo. Vale ler o relato do repórter do site Gizmodo, que visitou as fábricas Chinesas:

http://www.gizmodo.com.br/conteudo/exclusivo-onde-os-trabalhadores-que-fabricam-iphones-passam-noite/#more-16364

 

A prova de que o modelo econômico é o mesmo em todo o mundo está no vídeo abaixo.

O Banco Santander, presente em quase todas as listas de empresas sustentáveis do Brasil, está construindo uma unidade no município de Campinas, SP. Os funcionários da construtora contratada eram mantidos em condições sub-humanas.

 

 

E o mesmo ocorreu recentemente com a empresa espanhola Zara.

O modelo é o mesmo. Produzir em massa, de modo linear, ao menor custo possível, buscando o crescimento infinito.

Não podemos continuar achando que projetos de gestão tradicional e certificações vão fazer uma empresa sustentável. O único caminho possível é efetivamente implantar os princípios da sustentabilidade. E para isso é preciso uma mudança imensa, maior do que qualquer uma já feita nas empresas.

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Imagens da Natureza

Arquivado em: sustentabilidade | Tags: , , , — Luiz Carlos Pôrto @ 13:03

Filhote de tamanduá-bandeira no Parque Beto Carrero World, em Santa Catarina. Foto de Marcos Porto, da Agência RBS.

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Novidades Para 2012

Arquivado em: sustentabilidade | Tags: , , , , , , , — Luiz Carlos Pôrto @ 10:30

 

Em 2012 preparamos muitas novidades para os profissionais de gestão ambiental e sustentabilidade:

CURSOS A DISTÂNCIA

Neste ano realizaremos os seguintes cursos online, na modalidade Ensino a Distância (EAD):

1) Sustentabilidade na Prática: Como Implantar uma Gestão Ambiental de Alto Desempenho nas Empresas

2) Métricas e Indicadores Avançados de Desempenho Ambiental

Em fevereiro definiremos os detalhes e a agenda dos cursos. Quem desejar receber as informações envie um e-mail para treinamento@silvaporto.com.br.

NOVO CURSO

Em 2012 ministraremos em Curitiba, PR, e em Campinas, SP um novo curso: Logística Ambiental e Logística Reversa.

Em março definiremos os detalhes e a agenda dos cursos. Quem desejar receber as informações envie um e-mail para treinamento@silvaporto.com.br.

COLETÂNEA DE ARTIGOS, TEXTOS E MATERIAIS SOBRE SUSTENTABILIDADE

Em 2012 o Informativo ECOINOVAÇÃO está fazendo dez anos. Para comemorar faremos uma coletânea dos textos mais importantes. O material estará disponível gratuitamente em nosso site.

PLATAFORMA COLABORATIVA DE IDEIAS SUSTENTÁVEIS

Estamos criando o primeiro banco de ideias de sustentabilidade do Brasil. Em uma plataforma colaborativa na internet qualquer pessoa poderá sugerir alguma ideia para aprimorar a sustentabilidade de empresas e sociedade, bem como poderá consultar todas as ideias publicadas.

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O Que é a Rio+20

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Vejam vídeo do Programa Repórter ECO, da TV Cultura, explicando a Conferência Rio+20, que acontecerá em 2012.

Para acompanhar tudo sobre a Conferência acessem:

http://www.onu.org.br/tema/rio20/

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Vídeo: A Polêmica das Sacolinhas Plásticas

Arquivado em: sustentabilidade | Tags: , , , , — Luiz Carlos Pôrto @ 16:59

Vejam o vídeo bem-humorado sobre a polêmica das sacolinhas plásticas.

Pode ser um pouco exagerado em alguns aspectos, mas mostra efetivamente como a sociedade avalia de forma equivocada a política de “eliminação” das sacolinhas.

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Marketing Ambiental: Por Que as Empresas não Convencem os Consumidores

Arquivado em: sustentabilidade | Tags: , , , , , , , — Luiz Carlos Pôrto @ 16:48

 

Vejam abaixo entrevista da Exame com Gilles Gibbons especialista em marketing ambiental.

Do que ele diz fica claro que as empresas precisam implantar um modelo de comunicação que ajude a conscientizar as pessoas para a sustentabilidade e abandonar o modelo atual em que apenas é enfatizado o desempenho ambiental da organização e de seus produtos/serviços.

POR QUE O MARKETING VERDE NÃO CONVENCE

Você acredita em tudo que se diz sustentável e ecologicamente correto por aí? Se sua resposta for “não”, bem vindo ao clube da imensa maioria de descrentes do marketing verde. Pesquisas feitas no Brasil e no mundo já mostraram que mais de 80% das pessoas desconfiam que as empresas cumpram as ações de responsabilidade socioambiental que anunciam em suas propagandas. 

O que deu errado? Especialista no assunto, Giles Gibbons, cofundador e CEO da britânica Good Business, uma das consultorias líderes em responsabilidade empresarial, tem a crítica na ponta da língua. “Não é só porque uma companhia abraça iniciativas verdes, que deve sair contando para todo mundo. É preciso uma comunicação mais sofisticada, que converse com as necessidades do consumidor.”, diz. Em passagem pelo Brasil “para conhecer o mercado”, Gibbons, que possui clientes como Fiat e Microsoft, falou à EXAME.com sobre o desafio de comunicar a sustentabilidade e, principalmente, de conquistar o público. 

EXAME.com – O senhor é autor de um livro que leva o mesmo nome da consultoria, Good Business. Qual a sua definição de um bom negócio?

Gibbons – A resposta é simples. Se você quer mudar o mundo, então faça-o através dos negócios. Se você quiser ajudar o seu negócio, então ajude a mudar o mundo. As empresas têm o poder de gerar mudanças sociais positivas pela forma como se comunicam. Se você quer evitar que um adolescente não fume, é mais fácil convencê-lo através de uma propaganda da Nike, do que por uma ONG ou pelo Ministério da Saúde dizendo “Ei, não fume”. O objetivo é mostrar como o uso de ferramentas sociais e ambientais ajudam os empresários a criarem negócios responsáveis, lucrativos e competitivos. 

EXAME.com – Qual o papel da sustentabilidade aí?

Gibbons - Um bom negócio tem a responsabilidade socioambiental como estratégia. Mas falar de sustentabilidade nem sempre é fácil. Certa vez, almoçando num restaurante, conversei com o chef sobre sustentabilidade. Ele entendeu o conceito do ponto de vista do alimento, de garantir a qualidade do produto desde a origem. Mas não há sentido nisso se a gestão da cozinha for descontrolada, com desperdício de gás e luz, e se o faxineiro receber uma ninharia no final do mês. Isso não é fazer um bom negócio. Se eu lhe disser como toco meu negócio, será que você vai gostar? A sustentabilidade deve ser vista como uma forma de gerenciar o negócio, não como um setor ou ação isolados. 

EXAME.com – Cada vez mais, as marcas querem convencer o consumidor a respeito de suas credenciais verdes. Mas as pessoas estão mais desconfiadas…

Gibbons – Por isso sempre digo “esqueça o verde, pense na informação”. A má comunicação cria ceticismo no consumidor. A sustentabilidade não deve ser vista como um canal de comunicação, porque ela não é isso, é sim uma forma de gerir o negócio com responsabilidade. Muito do discurso da sustentabilidade acontece no plano acadêmico e teórico e o consumidor não quer saber disso, porque não muda a realidade dele. Quando uma empresa me passa uma informação que não me interessa, eu me pergunto por que essa empresa está dizendo isso. A dica é: Não diga às pessoas o que elas não querem ouvir, ache uma forma dizer o que é importante para sua empresa de maneira que interesse o consumidor. Se você só empurra informação, aumenta o comportamento cético. 

EXAME.com – Lembra algum exemplo positivo?

Gibbons – A Fiat tem uma campanha que mostra ao motorista que, com medidas simples, como checar o pneu, é possível otimizar a direção do carro, gastar menos com combustível e evitar multas por poluição. Eles não vendem o veículo por um ponto de vista sustentável, e, sim, pela eficiência energética e pelo benefício econômico.

Outro exemplo é uma ação da Procter & Gamble para o sabão em pó Ariel. Fizeram uma campanha dizendo que, com o novo produto, não era mais necessário lavar a roupa com água muito quente, que de tão poderoso, Ariel lavava roupa com água morna. Essa era a primeira mensagem. A segunda mensagem era do benefício ambiental, de que dispensar água quente, Ariel usava menos energia. Neste caso, o Marketing achou um jeito de comunicar a ação verde da companhia de um ponto vista que interessasse ao consumidor. 

EXAME.com – Então, para conquistar de verdade o consumidor, é preciso vender mais do que o “verde”?

Gibbons – Certamente, atender as necessidades do consumidor é mais eficaz do que dizer “Olha como somos ótimos e nos preocupamos com o meio ambiente”. Há muitos negócios fazendo muita coisa bacana mas comunicando pouco, muitos não fazendo nada mas falando muito e alguns fazendo muito, falando bem, e colhendo benefícios.

Nos dois primeiros casos, programas de sustentabilidade e de CSR (sigla em inglês para Responsabilidade Social Corporativa) são usados como ferramentas de comunicação, quando em verdade são ferramentas de gerenciamento, que ajudam as organizações a medir seu impacto social e ambiental. Não é só porque uma companhia desenvolve iniciativas verdes, que deve comunicá-las aos consumidores. Isso não deve ser automático, só porque foi feito, precisa ser dito. A sustentabilidade não é um fim em si, é um continuum. 

 

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Quem Disse Que o Crescimento da China Seria Diferente?

Arquivado em: sustentabilidade | Tags: , , , , , , , , — Luiz Carlos Pôrto @ 15:55

Ontem (segunda-feira, 9/1/2012) a poluição do ar em Pequim ficou tão intensa que 155 pousos e decolagens no Aeroporto Internacional foram adiados ou cancelados.  As fotos mostram a nuvem de poluição.

A embaixada dos EUA em Pequim, que mede a qualidade do ar de forma independente, disse que a poluição superou o nível perigoso, o mais elevado em sua escala.

A Agência Ambiental de Pequim classificou a qualidade do ar como boa.

As informações são dos Portais IG e Exame.  

Tempos atrás em um debate entre profissionais de meio ambiente estávamos discutindo os riscos do crescimento exagerado da China. Um Gerente de uma multinacional disse que o impacto ambiental desse crescimento seria muito inferior aos casos similares ocorridos no passado, porque hoje temos legislações e certificações ambientais.

Ísso nunca mais saiu da minha cabeça. É incrível como as pessoas não conseguem compreender que tudo que se faz hoje nas empresas é gestão tradicional. Que atender à legislação ou obter certificações não vai tornar uma empresa verdadeiramente sustentável. O impacto ambiental relativo (em relação ao volume produzido), medido pela ecoeficiência, foi reduzido, porém o impacto absoluto (considerando que a produção aumentou absurdamente) é muito maior. Para a natureza não interessam indicadores relativos.

O mesmo que ocorreu com o Brasil nas décadas de 1960 e 1970, com o Japão na década de 1950, etc., acontecerá agora com a China. O modelo é o mesmo. Produção em massa ao menor custo possível e medição do crescimento pelo PIB.

O impacto ambiental no Brasil, nos EUA e na Europa também ocorre atualmente. Só não é mais elevado porque o crescimento do PIB não é tão alto quanto na China.

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Imagens da Natureza

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Filhotes de tigre vestidos de Papai Noel em zoológico na Tailândia. Foto de Sukree Sukplang, da Agência Reuters.

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Imagens da Natureza

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Mamãe e filhote de urso brincam em lago da Indonésia. A foto é de Sigit Pamungkas, da Agência Reuters.

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Imagens da Natureza

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Filhote de urso polar sob cuidados de funcionários de zoológico na Dinamarca. O vídeo é da BBC Brasil

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Opinião Sensata Sobre a Usina de Belo Monte

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Vejam abaixo a entrevista do historiador José Augusto Pádua para a Revista Cult, divulgada pelo Portal UOL.

É uma opinião muito sensata sobre a implantação da Usina de Belo Monte.

BELO MONTE, TRISTE LOBBY 

Tema recorrente após a recente divulgação do vídeo Movimento Gota d’Água, em que atores globais como Marcos Palmeira, Juliana Paes e Maitê Proença se unem contra sua construção, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará, tem suscitado debates acerca de sua eficácia. 

A seguir, o ex-coordenador da área de florestas do Greenpeace na América Latina e professor do Departamento de História da UFRJ José Augusto Pádua comenta o assunto: “Existe um lobby poderoso de empresas que ampliam seu capital com base em obras públicas e semipúblicas. A pressão imediatista dessas empresas gera uma cadeia de interesses que distorce o debate político”. 

CULT – Os ganhos econômicos e energéticos da construção de Belo Monte compensam seus custos antropológicos e ambientais?

José Augusto Pádua – Não. Ser contra Belo Monte não significa ser contra a hidreletricidade. Mas cada projeto deve ser discutido de forma transparente, lúcida e minuciosa. O projeto, apesar de caríssimo, apresenta uma quantidade grande de problemas e dúvidas. 

Não apenas graves problemas ambientais e antropológicos, mas também econômicos: custos reais da construção, quantidade real de energia gerada, preço real da energia a ser vendida etc. 

Tudo isso teria de ser examinado com muito mais cuidado. A pressa constitui um caso exemplar de algo que precisa ser enfrentado pela democracia brasileira: a força do que já foi chamado de “capital empreiteiro”. 

Existe um lobby poderoso de empresas, muitas das quais herdeiras das obras faraônicas do período ditatorial, que ampliam seu capital com base em obras públicas e semipúblicas. A pressão imediatista dessas empresas gera uma cadeia de interesses que distorce o debate político sobre as melhores opções para o manejo inteligente e integrado do território brasileiro. 

Quais as alternativas para solucionar o problema de falta de energia que Belo Monte supostamente resolveria?

Há várias opções dentro de um planejamento energético amplo e cuidadoso. De imediato, existe a opção da repotencialização das máquinas e equipamentos das atuais usinas e da recuperação dos sistemas de transmissão hoje existentes.

 Na época da construção de Itaipu, houve protestos similares aos que vemos hoje. É possível compará-los?

Essa comparação revela o valor da democracia. No período ditatorial, o debate foi bem mais restrito. Isso permitiu a concretização de desastres, como a destruição de Sete Quedas e o absurdo cálculo de custo-benefício da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas. 

Os projetos atuais de hidreletricidade, por exemplo, são menos danosos do que foram no passado, e a pressão social foi fundamental para promover esses avanços técnicos. 

A imposição de projetos como Belo Monte, cujo processo de licenciamento apresenta claras lacunas e distorções, caminha na contramão da transição histórica para modelos mais sustentáveis de desenvolvimento.

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Gráfico Sustentabilidade: Ranking Mundial de Gases de Efeito Estufa

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Na COP-17 foi divulgado o ranking mundial de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), com dados compilados pela consultoria Maplecroft. Veja o gráfico acima com valores em milhões de toneladas de gás carbônico equivalente, que inclui também emissões de metano, óxido nitroso, etc.

Cinco países – China, EUA, Índia, Rússia e Japão – respondem por 50% das emissões mundiais. Foram usados valores de 2009, com estimativas para 2010.

É bom lembrar que o valor emitido pelo Brasil, o sexto no ranking, não inclui as emissões oriundas do desmatamento.

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Opinião Sensata Sobre o Novo Código Florestal

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Vejam abaixo texto da coluna da jornalista Miriam Leitão no jornal O Globo sobre o novo Código Florestal aprovado no Senado. É uma opinião sensata de alguém que não pode ser classificada nem como ambientalista nem como ruralista.

AMARGO REGRESSO

O que salvou a lavoura no PIB zero do terceiro trimestre foi a lavoura. Ela cresceu e, em algumas culturas, com menor área ocupada. Segundo o Inpe, o desmatamento caiu no ano. É possível, portanto, reverter a equação que fazia a destruição aumentar toda vez que o Produto Interno Bruto acelerava. O novo Código Florestal é resultado de um processo democrático, mas representa um retrocesso. 

O nome do jogo é aumento de produtividade e não expansão da fronteira agrícola para áreas ainda preservadas. O eficiente, moderno e o melhor para o Brasil é fazer mais com menos. Aumentar a produtividade dos fatores de produção como a terra, esse insumo precioso. 

O país viveu nos últimos meses um debate insano e travado aos berros. No final, quem perdeu foi o meio ambiente. O agronegócio recuou, em alguns pontos, graças ao trabalho dos relatores no Senado como Luiz Henrique e Jorge Viana, políticos de maior temperança do que o relator na Câmara, Aldo Rebelo. Mesmo assim, o Código que pousará na mesa da presidente Dilma será um retrocesso em relação ao de 1965. 

Curiosamente, os militares, que brandiam propagandas antiambientais — “vamos acabar com o inferno verde”, diziam — fizeram um Código com mais sintonia com o século XXI. 

Sim, haverá anistia a quem desmatou, ao contrário do que o governo e os defensores do novo Código dizem. A data de 22 de julho de 2008 é aleatória e construída para favorecer quem desmatou. Afinal, a Lei de Crimes Ambientais, de 1998, é de 10 anos antes e foi aprovada na democracia. Era para ter sido respeitada. 

O senador Luiz Henrique diz que na versão do Senado há normas rígidas para a recomposição do que foi desmatado ilegalmente antes de julho de 2008. De fato, o Senado impôs a obrigatoriedade de recompor em parte. O engenheiro ambiental Tasso Azevedo explica, no entanto, que nas propriedades até quatro módulos não haverá recomposição; nas beiras de rio só haverá parte da recuperação da mata ciliar. O déficit entre o que foi destruído e o que será recomposto será de 20 milhões de hectares, no mínimo. Parte do replantio será com espécies exóticas, portanto, não é vegetação nativa. Os proprietários que tinham sido multados por desmatarem ilegalmente terão agora a suspensão da multa e não poderão ser autuados por um período. Não tinham acesso a crédito e voltarão a ter desde que façam o Cadastro Ambiental Rural. O governo terá que num prazo determinado criar incentivos para que os donos da terra refaçam parte do que desmataram. 

A derrota no Código não é dos ambientalistas, é da luta por um Brasil moderno, que produza dentro de novos padrões, que preserve aquilo que não podemos repor: a biodiversidade. A derrota foi da esperança de atualização do padrão de produção no país. A vitória é dos que apostam que as leis devem ser adaptadas aos que a descumpriram. A palavra “consolidação” tanto usada no debate é o eufemismo para a aceitação do desrespeito à lei. 

O argumento é de que agora — que o código vai mudar para que todos os que o descumpriram sejam legalizados — a lei passará a ser cumprida. O risco é ocorrer o oposto e se consagrar o princípio de que existem leis no Brasil que pegam e outras que não pegam. 

O senador Luiz Henrique disse no programa que fiz na Globonews sobre o assunto que o Código anterior não poupou nenhuma árvore. A lei teria sido boa, mas ineficaz. De fato, as estatísticas assombram: 215 mil km2 desmatados na Floresta Amazônica nos últimos 15 anos. Até a escassa Mata Atlântica continua sendo derrubada: 7,5 mil km2 em 15 anos. 

Mas a curva recente do desmatamento confirma que exigir o cumprimento da lei é melhor do que adaptá-la aos faltosos. Quando o desmatamento bateu recorde no governo Fernando Henrique (29 mil km2 em um ano), ele elevou a reserva legal da Amazônia e aprovou a Lei de Crimes Ambientais. O ritmo da destruição caiu. Quando voltou a subir no governo Lula (27 mil km2 em 2004), foram adotadas medidas repressivas e a taxa caiu. Em 2011, após o alerta de que o ritmo tinha acelerado, a ação do governo evitou o pior. 

Algumas entidades empresariais do agronegócio, como em Paragominas, por exemplo, começam a dizer que é preciso lutar pelo desmatamento zero. Produtores, consumidores, ONGs, governo e Ministério Público fizeram pactos como a moratória da soja e a carne legal. Esse caminho vinha dando certo: cumprir a lei e não alterá-la. 

O Brasil é um dos maiores produtores de vários produtos agropecuários. A vocação agrícola é um dos nossos melhores ativos, é o que tem segurado a balança comercial e evitou o PIB negativo no terceiro trimestre. Será sempre uma fonte de riqueza. Mas ao mesmo tempo o rastro desse avanço nas últimas décadas foi em grande parte o uso abusivo e criminoso dos recursos naturais, o excesso de agrotóxicos, o desrespeito à lei. Não são todos os produtores, mas em grande parte, sim. É inegável. Não se briga com números e fatos. 

Houve um retrocesso no Brasil com o novo Código. Não há esperança de reversão. O risco é ficar ainda pior na Câmara, com a supressão de algumas melhorias. Foi uma escolha coletiva num processo democrático, mas foi insensata. Desatualizada.

 

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