
Vejam os dois gráficos abaixo, cuja fonte é a ONG americana Union of Concerned Scientists. Eles mostram as emissões de CO2 por país no ano de 2006. A emissão brasileira não inclui o desmatamento e as queimadas.
No primeiro gráfico percebe-se o quanto as emissões do Brasil são influenciadas pelo desmatamento. Se forem incluídos desmatamento e queimadas, o Brasil passa do 17º para o 4º ou 5º lugar.
O segundo gráfico mostra o quanto a renda e a economia dependente de combustíveis fósseis eleva a emissão per capita. Países mais pobres emitem muito menos.
Mas a principal causa da dificuldade em se chegar a um consenso na COP-15 é a responsabilidade histórica pelo aumento da concentração de CO2 na atmosfera terrestre.
No início da Revolução Industrial a concentração de CO2 era de 250 ppm (partes por milhão). Hoje a concentração é de 390 ppm. Mas quem foi o responsável por esse aumento, que está causando o Aquecimento Global?
Obviamente, os maiores responsáveis são aqueles países que estão há mais tempo queimando combustíveis fósseis, ou seja, os países que se industrializaram primeiro. São os países europeus, depois os EUA, depois o Japão.
Nas negociações da COP-15 esses países exigem um compromisso formal dos países em desenvolvimento que emitem bastante, como China, Brasil, Índia, África do Sul, etc. Em contrapartida,os países em desenvolvimento dizem que a responsabilidade histórica é dos países desenvolvidos e por aí ficamos sem um acordo eficaz para o maior problema ambiental do Planeta.
Vale a pena a leitura do texto do link abaixo, da revista alemã Der Spiegel, divulgado pelo Portal UOL. É um excelente texto sobre como está a questão ambiental nos EUA atualmente.
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/12/16/ult2682u1427.jhtm
Marina Silva foi direto ao ponto em sua coluna de ontem (14/12) no jornal Folha de São Paulo.
Ela argumenta que se o Governo Federal cede aos agricultores que desmataram ilegalmente a Amazônia, não dá para acreditar que a meta assumida de redução do desmatamento de 80% na Amazônia e de 40% no cerrado seja “pra valer”.
No último Salão do Automóvel de Los Angeles, que ocorreu de 4 a 13 de dezembro, a Volkswagen lançou um novo carro ultraeficiente, o Up! Lite. É um veículo semelhante ao VW L1, que já foi mostrado aqui no blog.
As principais características do carro são:
a) Veículo híbrido: um motor turbodiesel de 800 cilindradas e dois cilindros, com 51 cv.; e um motor elétrico de 10 kW, com 13 cv.
b) Carro de 4 lugares, com consumo médio de combustível de 41 km/L
c) Fabricado com muitas peças de alumínio e fibra de carbono, levando a um peso total de 695 kg
d) Aceleração de 0 a 100 km/h em 12,5 segundos e velocidade máxima de 160 km/h
e) Baixíssima resistência aerodinâmica, cx de 0,237
f) Baixíssima emissão de CO2 (65 g/km)
Recebi de uma colega o vídeo abaixo. É uma forte crítica ao nosso modo de pensar. Ao fato de imaginarmos que somos muito superiores à natureza e não dependemos mais dela.
Foi lançado nos EUA um site que “caça” exemplos de greenwashing envolvendo materiais biodegradáveis.
O Greenwashingspy pode ser visto em:
Vejam abaixo as conclusões de pesquisa sobre as emissões de GEE no Brasil, divulgada pelo Portal UOL. Concluiu-se que a pecuária responde por 50% das emissões brasileiras.
BRASIL APRESENTA PESQUISA QUE CULPA PECUÁRIA PELO EFEITO ESTUFA
A metade dos gases responsáveis pelo efeito estufa emitidos no Brasil procede da pecuária, segundo um estudo apresentado neste sábado em Copenhague, à margem da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática.
Ao analisar as emissões totais do Brasil “foi possível observar que o conjunto das emissões procedentes desta atividade (pecuária) corresponde, aproximadamente, à metade das emissões do Brasil”, destaca o trabalho, liderado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília. Os pesquisadores brasileiros concluíram que das 2,2 gigatoneladas de equivalente do dióxido de carbono (CO2) emitidas oficialmente pelo Brasil em 2005, segundo dados do ministério brasileiro de Ciência e Tecnologia, aproximadamente 1.055 gigatoneladas correspondem à pecuária.
As emissões geradas pela pecuária incluem o desmatamento para a formação de pastos, queimadas para a renovação do capim e a fermentação intestinal bovina, que gera importantes quantidades de metano, um dos gases de maior efeito sobre o aquecimento global, disse Roberto Smeraldi, especialista da associação Amigos da Terra-Amazônia Brasileira.
Admitindo que a pecuária “é parte do problema da mudança climática”, Smeraldi destacou que “ela também deve ser considerada como parte da solução” nas negociações em Copenhague sobre um novo acordo internacional para combater o aquecimento global. Smeraldi disse que é preciso fazer a pecuária evoluir, controlando o desmatamento para a formação de pastos, acabando com a impunidade dos crimes climáticos e dando incentivos econômicos aos criadores.
O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com mais de 190 milhões de cabeças. As emissões brasileiras de gases do efeito estufa cresceram 62% entre 1990 e 2005, e mais da metade deste aumento corresponde ao manejo da terra. O Brasil decidiu em Copenhague adotar um “compromisso voluntário” de reduzir suas emissões de CO2 entre 36% e 39% sobre a previsão de emissões para 2020, e mais da metade desta redução procederá da queda no desmatamento da selva amazônica. O restante dependerá de ações nos setores agropecuário, industrial, energético e siderúrgico.
Vejam abaixo reportagem da Agência Reuters, divulgada pelo Portal UOL, sobre como as empresas tentam influenciar as discussões da COP-15.
EMPRESAS LUTAM PARA INFLUENCIAR NEGOCIAÇÕES DE COPENHAGUE
A iniciativa privada tem dificuldades em influenciar as discussões climáticas em Copenhague por estar distante da negociação e por causa da divisão dos seus integrantes entre os que ganham e os que perdem com as políticas climáticas, disseram executivos na sexta-feira.
O objetivo da conferência, que envolve governos e cientistas, mas não diretamente os empresários, é definir as diretrizes de um novo tratado climático global, o que deve levar a fortes reduções das emissões de gases do efeito estufa.
Os executivos se reuniram em outro local, a vários quilômetros do local do evento da ONU, e admitiram que o lobby das empresas está dividido em relação a medidas que poderiam prejudicar alguns setores, como a indústria de cimento, que usa muita energia, e as empresas de geração elétrica.
“É difícil imaginar uma só voz”, disse à Reuters Jim Rogers, executivo-chefe da empresa Duke Energy. “Na verdade, há muitas vozes. Uma solução de baixo (nível de emissão de) carbono irá tornar isso muito mais difícil. Há coisas básicas (com as quais concordamos): precisamos de um caminho claro adiante, agir agora e (impor) um preço ao carbono.”
Analistas estimam que as empresas terão de entrar com cerca de 80 por cento do capital necessário para reduzir as emissões de carbono na economia.
“Deveríamos conversar entre nós antes (das reuniões da ONU) e passar nossas mensagens aos negociadores nacionais. O setor de cimento na China não é diferente do cimento na França. Temos muito a aprender com as ONGs”, disse Bill Kyte, consultor climático da E.ON e do lobby setorial Eurelectric.
Grupos ambientalistas e de desenvolvimento estão altamente mobilizados nas negociações climáticas, fazendo com que sua voz seja ouvida por meio de protestos e ligações estreitas com os meios de comunicação.
Uma dificuldade na busca por uma voz única no setor empresarial é que os lobbies são muito amplos e estão focados na limitação da ação unilateral.
Nesta semana, por exemplo, a entidade Business Europe aconselhou a União Europeia a não aumentar sua meta de redução de emissões até 2020, conforme está cogitando, se não houver um acordo global.
Já a Câmara de Comércio dos EUA perdeu alguns membros ao seu opor ao projeto de lei climática nos EUA, já aprovado por estreita margem na Câmara dos Deputados. A entidade considera que as medidas contidas na lei serão um peso para as empresas.
Mas um executivo da Câmara de Comércio disse à Reuters que a entidade pode apoiar o projeto intermediário que tramita no Senado.
“Talvez a abordagem possa ser algo que forme a base para uma legislação que poderíamos apoiar, mas ainda há muito que resolver”, disse Stephen Eule, na primeira reação da Câmara de Comércio à iniciativa apresentada na quinta-feira pelos senadores. “Acho que é uma boa base para começar.”
Vejam a piada que fizeram sobre o caso dos e-mails do IPCC furtados por um hacker. Muito criativo.
Abaixo dois vídeos da Globonews para compreender o que se discute na COP-15.
Com o patrocínio do Bradesco foi traduzido para o português o novo livro do ambientalista americano Lester Brown, Plano B 4.0 - Mobilização para Salvar a Civilização.
E o melhor. O livro está disponível para cópia em:
Vejam abaixo vídeos da campanha contra o uso de sacolas plásticas, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente, com apoio do Wal-Mart.
Vejam abaixo o programa Cidades e Soluções, da Globonews, especial sobre a Conferência COP-15.
Há uma enxurrada de sites cobrindo a COP-15. Selecionamos abaixo alguns que julgamos boas fontes de informação para acompanhar a Conferência:
Página oficial da COP-15 (em inglês): http://en.cop15.dk/
Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2009/conferenciadecopenhague/
Canal de vídeos de Copenhague na ONG Vitae Civilis: http://www.youtube.com/vcivilis
Globonews: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1408889-17665-308,00.html
Planeta Sustentável: http://planetasustentavel.abril.com.br/cop15/cop15.shtml
Jornal The Guardian (em inglês): http://www.guardian.co.uk/environment
Greenpeace: http://www.greenpeace.org.br/cop15/
Já vimos inúmeras demonstrações das consequências do Aquecimento Global. Porém, aquelas que envolvem danos aos animais são especialmente chocantes, pois eles não têm alternativas. Não podem comprar alimentos (recursos naturais).
Reportagem do jornal britânico Daily Telegraph cita o aumento de casos catalogados de canibalismo entre os ursos polares.
Os ursos polares se alimentam de focas. Com o Aquecimento Global reduziu-se dramaticamente a plataforma de gelo a partir da qual esses animais capturam as focas. Com isso, os ursos estão se matando, pois não encontram alimento para sobreviver. É bom lembrar que os ursos necessitam de grande quantidade de energia (gordura) para passar o inverno.
A reportagem mostra a foto abaixo de um urso polar comendo um filhote de sua espécie. É chocante não?
Divulguem essa foto e esse texto. Precisamos cobrar das autoridades e da sociedade medidas mais fortes contra o Aquecimento Global.
Vejam no link abaixo reportagem do Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, sobre a abordagem do tema sustentabilidade nas escolas.
O Governo Brasileiro vive dizendo que o país não tem grande responsabilidade no Aquecimento Global por ser uma nação de desenvolvimento econômico recente. Isso é verdade apenas em parte.
Hoje o Brasil é o quinto maior emissor de Gases de Efeito Estufa do mundo. Segundo pesquisadores, se o desmatamento da Amazônia fosse eliminado as emissões globais de CO2 cairiam de 2 a 5 %.
O Brasil é muito responsável.
Por mais que tenham sido tomadas medidas importantes pelo governo para redução do desmatamento na Amazônia, principalmente pela Ex-Ministra Marina Silva, é inegável que parte da redução verificada nos últimos anos é fruto da crise econômica.
Vejam abaixo a opinião de um pesquisador americano, estudioso da região. Ele diz que o desmatamento está apenas “adormecido”. A reportagem é do Portal Globo.com
DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA É “DRAGÃO ADORMECIDO”, DIZ PESQUISADOR
O desmatamento da Amazônia, que este ano teve uma baixa histórica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), deve crescer novamente quando os preços das commodities voltarem a subir, afirma Daniel Nepstad, pesquisador do Woods Hole Research Center, nos EUA. “É um dragão adormecido”, diz.
Nepstad vê como inevitável que a pressão sobre floresta ressurja quando a economia global retomar o crescimento. “Então, o desmatamento pode voltar a explodir”. Ele cita como exemplo projeções de que a demanda por ração animal – que provém, em parte, da soja – na China deve crescer mais de 100% nos próximos dez anos e que o Brasil deve ser um dos maiores fornecedores de matéria-prima para esse alimento.
O cientista americano é um dos autores da pesquisa publicada nesta sexta-feira (4/12) na revista “Science”, que conclui que o Brasil necessita entre US$ 6,5 bilhões e US$ 18 bilhões para eliminar definitivamente o desmatamento da região amazônica até 2020. Com isso, o estudo defende defende uma meta ainda além dos 80% de redução da devastação que o governo do Brasil vai apresentar na COP 15.
De acordo com a pesquisa, se o país pusesse fim ao desmatamento, as emissões globais de dióxido de carbono cairiam entre 2% e 5% em relação aos níveis atuais.
“Começamos a perceber que se a Amazônia era parte do problema das emissões de carbono, também poderia ser parte da solução”, explica Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), outro autor do trabalho e que, junto com Nepstad, apresentou suas conclusões na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, nesta segunda-feira (7/12).
Eles defendem que o Brasil deve aproveitar o momento de redução do desmatamento para acabar de vez com o problema. O dinheiro para tomar as medidas necessárias sairia de mecanismos internacionais de financiamento, um dos pontos centrais das discussões durante a conferência climática.
Vejam abaixo mais uma reportagem do Bom Dia Brasil sobre os biomas brasileiros.