
Enquanto os países desenvolvidos investem pesado na fonte de energia mais viável economica e ambientalmente - a eficiência energética - o Brasil esquece totalmente o tema.
Aqui não se fala sobre isso. Prova disso é o recente estudo divulgado pela consultoria KPMG (link abaixo), que estima crescimento anual médio do consumo de energia elétrica no país entre 4 e 4,5% até 2020. A eficiência energética não entra na conta. Usam-se os mesmos indicadores de sempre. Cresce a população e o PIB, cresce proporcionalmente o consumo de energia.
http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2010/01/19/ult1913u119451.jhtm
Uma grande invenção do MIT. A bicicleta híbrida que aproveita a energia cinética na frenagem, com mecanismo semelhante ao adotado no Toyota Prius e no Kers dos carros de Fórmula 1.
Vejam abaixo a reportagem da Revista Veja, divulgada pelo site Planeta Sustentável.
BOM NA FÓRMULA 1, ÓTIMO NA BIKE
Embora não tenha produzido resultados expressivos no combate ao aquecimento global, a reunião dos líderes mundiais em Copenhague, nas últimas duas semanas, serviu de cenário para o lançamento de uma simpática novidade tecnológica. Um aparelho em forma de disco desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, em parceria com o governo italiano, transforma a bicicleta comum num veículo híbrido, com um pequeno motor movido a energia elétrica.
Para isso, basta encaixá-lo na roda traseira da bicicleta, ligando-o à coroa dentada menor. A adaptação resulta num veículo bem diferente das bicicletas elétricas tradicionais, com seu emaranhado de fios e baterias. O aparelho permite que a bicicleta atinja a velocidade de 25 quilômetros por hora sem o auxílio dos pedais - e ajuda bastante a enfrentar ladeiras íngremes. Os idealizadores do protótipo apresentado na Dinamarca, batizado de Roda de Copenhague, esperam que o veículo incentive o uso dos meios de transporte não poluentes no dia a dia.
Ao pilotar uma bicicleta equipada com a Roda de Copenhague, o ciclista controla o funcionamento da roda com um smartphone. Também com ele, obtém informações, via Bluetooth, sobre velocidade, distância, localização por GPS e até dados meteorológicos - como nos painéis dos automóveis mais modernos. A maior inovação tecnológica do invento é a forma de geração da energia necessária para alimentar o motor da roda. Os engenheiros do MIT desenvolveram um sistema similar ao Kers, dispositivo utilizado na última temporada em alguns carros da Fórmula 1 e baseado no reaproveitamento da energia cinética.
Tanto no carro de corrida quanto na bicicleta, a energia que carrega as baterias é obtida por meio da frenagem do veículo. O Kers, sigla em inglês para sistema de recuperação de energia cinética, foi criado com base em um conceito elementar da física. Explica o engenheiro Glauco Augusto de Paula Caurin, da Universidade de São Paulo: “Todo corpo em movimento obtém energia cinética. Quanto maior a velocidade, maior a energia. Quando esse corpo é desacelerado, a energia obtida se dissipa no ambiente”. O aproveitamento da energia cinética não é novidade.
Ela move, por exemplo, os carrinhos de brinquedo a fricção e os relógios de pulso automáticos, nos quais se dá corda apenas balançando o braço. Nos carros da Fórmula 1, toda a energia cinética do veículo é transferida para os freios, em forma de calor. O sistema Kers reaproveita parte dessa energia para usá-la em favor do piloto. Um gerador transfere a energia da desaceleração para uma bateria. Ao pressionar um botão no volante, o piloto ativa o sistema e, durante seis segundos, o carro ganha uma força extra de 80 cavalos de potência, útil para realizar ultrapassagens.
Os idealizadores da Roda de Copenhague prometem vendê-la a um preço acessível. “Com a produção em série, o preço da roda cairá bastante. Comprar a roda não sairá mais caro do que comprar uma bicicleta tradicional”, disse a VEJA o engenheiro italiano Carlo Ratti, diretor do projeto.
Sempre argumentamos que a eficiência energética é também uma fonte de energia, pois a energia economizada tem o mesmo valor em watts do que a energia gerada. No mundo desenvolvido os governos estão investindo muito nessa linha. No Brasil, infelizmente, poucos falam sobre o assunto e o Governo Federal nem liga para isso.
Vejam abaixo reportagem do jornal O Estado de São Paulo sobre o imenso desperdício de energia elétrica no sistema de distribuição brasileiro. E o Ministro das Minas e Energia, em entrevista recente à Folha de São Paulo, ainda critica os órgãos ambientais pela demora em conceder Licenças para novas usinas.
DESPERDÍCIO DE ENERGIA CHEGA A R$ 16 BILHÕES POR ANO
Nos últimos dez anos, o consumidor brasileiro desembolsou quase R$ 5 bilhões na conta de luz para bancar projetos de eficiência energética e de soluções para melhorar a operação do sistema elétrico nacional. Até agora, no entanto, os resultados são questionáveis. O País continua desperdiçando cerca de R$ 16 bilhões por ano de energia elétrica - equivalente ao investimento total para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte (PA). Além disso, nos últimos anos, a qualidade da energia entregue aos consumidores tem piorado consideravelmente em algumas distribuidoras.
Dos R$ 16 bilhões de eletricidade desperdiçada, R$ 7,3 bilhões referem-se a furtos, fraudes e erros de medição. Só neste caso a quantidade de energia perdida, de 23 mil MWh, poderia abastecer por um ano 19 milhões de residências com consumo médio de 100 kWh por mês. Os outros R$ 8,7 bilhões referem-se a perdas ocorridas durante a transmissão da energia, da usina até o consumidor final.
A redução desses prejuízos, que também oneram o bolso dos brasileiros, foi um dos principais motivos da lei criada pelo governo federal, em 2000, que tornou obrigatório o investimento de 1% da receita líquida em P&D e eficiência energética. Parte desse dinheiro vai para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério de Ciências e Tecnologia.
Outra parcela fica no Ministério de Minas e Energia e banca, entre outras coisas, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que produz os estudos de novas usinas para o País. O restante fica nas empresas (distribuidoras, geradoras ou transmissoras) para a elaboração de projetos de pesquisa e inovação. Só em pesquisa e desenvolvimento as companhias desenvolveram 4.521 projetos até o ano passado.
O grande problema é que todo esse volume de projetos não tem se traduzido - na maioria dos casos - em melhoria para a população que usa o serviço público. Segundo especialistas, o dinheiro tem sido mal usado em muitas companhias por falta de uma política adequada. Prova disso é que as empresas não conseguem gastar todo o dinheiro destinado à pesquisa.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do total reservado para investimentos em pesquisa e eficiência energética, entre 2000 e outubro deste ano, R$ 1,92 bilhão (sem correção dos juros) ainda não havia sido gasto pelas empresas. Isso representa 42% do volume total recolhido desde 1998.
Com todo o conhecimento e a tecnologia que se tem hoje sobre aerodinâmica, por que as montadoras de veículos insistem em carros atrasados nesse aspecto? Veículos com melhor aerodinâmica gastariam muito menos combustível e emitiriam muito menos gás carbônico.
A prova de que é simples desenvolver carros mais aerodinâmicos é o Volkswagen Polo, modelo Blue Motion. Com algumas pequenas modificações aerodinâmicas o coeficiente de resistência (Cx) passou de 0,35 (no Polo tradicional) para 0,31. Essa redução contribui para o carro ter um consumo de 14 km/L na cidade e 21 km/L na estrada (com gasolina).
Veículos já mostrados aqui no blog, que foram projetados com preocupação aerodinâmica, apresentam valores muito inferiores. O Volkswagen Up! Lite tem Cx de 0,237 e o Volkswagen L1 tem Cx de 0,195.
É só olharmos o fundo dos carros para percebermos que a aerodinâmica não é preocupação das montadoras. Quantos obstáculos existem para a passagem do ar. No movimento do carro essas restrições significam desperdício de combustível.
O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e duas ONG’s norte-americanas, NEEF (National Environmental Education Foundation) e COMET (Cooperative Program for Operation Meteorology, Education and Training), estão oferecendo um curso à distância gratuito sobre a Floresta Amazônica e as Mudanças Climáticas.
O programa do curso é dividido em cinco capítulos:
a) Terra e Seu Clima;
b) Evidências das Mudanças Climáticas;
c) Projeções para o Futuro;
d) Brasil, a Amazônia e as Mudanças Climáticas;
e) Acordos Internacionais
Há versão em inglês e também uma versão para impressão.
O link do treinamento é:
http://www.ipam.org.br/uploads/cursos/portugues/broadcastmet/brazil_br/index.htm
Divulguem esse curso. É uma ótima oportunidade de capacitação sobre um assunto tão importante.
A Natura, empresa que é referência em Gestão Ambiental no Brasil, nos dá mais um bom exemplo.
A empresa passou a colocar nas embalagens um quadro com as informações ambientais de seus produtos. São informados indicadores sobre o produto (porcentagem de matérias-primas de origem renovável, com certificação de origem, etc.) e sobre a embalagem (porcentagem de material reciclado, reciclável, etc.).
É uma boa iniciativa, que deveria ser copiada por outras empresas.
Leiam abaixo entrevista do Professor da ESPM, Fábio Mariano, sobre a preocupação com sustentabilidade dos novos consumidores da Classe C. A matéria é da Folha online.
Na minha opinião, a avaliação geral do especialista está correta, embora ele tenha usado uma linguagem um tanto carregada para expressar suas ideias.
Entretanto, um ponto importante que precisa ser considerado é que uma eficaz Política de Sustentabilidade de uma empresa não deve ter como objetivo apenas vender o produto A ou B dessa empresa, mas sim fortalecer a imagem institucional, demonstrando a responsabilidade socioambiental da organização. Essa imagem fortalecida contribui para que o nome da empresa (e da marca, por conseguinte) fique na mente dos consumidores, inclusive das classes inferiores da pirâmide de renda.
Portanto, o fato de um consumidor da Classe C não considerar a sustentabilidade de determinado produto na hora da compra não significa que ele não escolherá o produto de uma empresa que criou uma imagem forte no mercado com base na sustentabilidade. O grande poder da responsabilidade socioambiental é contribuir para o fortalecimento de uma empresa e de uma marca fortes e não vender determinado produto.
Segue a entrevista
FOLHA - A classe C pensa em consumo responsável ou só quer preço?
FÁBIO MARIANO - Ninguém se importa só com o preço. A classe C, por exemplo, vai ver quanto os eletrodomésticos consomem de energia. Mas porque ela está preocupada com a carteira, não com o mundo.FOLHA - Então a nova classe média não quer saber, digamos, se a carne que compra vem da Amazônia?
MARIANO - Estas pessoas, que até 2000 chamávamos de excluídos, agora estão ganhando uma grana legal para fazer a festa no shopping. E há também o grande boom, que é a expansão do crédito. Mas só isso não adianta. A educação que recebem não está melhor. E precisa ter um certo aparelhamento pessoal para entender o conceito de sustentabilidade.FOLHA - Mas os mais instruídos pagam mais por produtos verdes?
MARIANO - A classe alta até paga um pouco mais por produtos que favoreçam a sustentabilidade, mas ainda é pouco. Mesmo porque não existem muitos produtos assim no mercado. Você consegue citar dez? E, quando existem, a distribuição é restrita, não é algo disponível para as pessoas da classe C. Vai querer que peguem o ônibus para ir comprar no bairro rico?FOLHA - Você não considera justo que o custo da sustentabilidade sobre para o consumidor, então.
MARIANO - Não. Repassar o custo da sustentabilidade é absurdo. Essa imagem de que o consumidor que quer pagar mais é consciente, enquanto o que não quer é um assassino que pretende acabar com o mundo… Vocês deliraram, né?FOLHA - Poucos consumidores parecem pressionar as empresas…
MARIANO - Só os mais esclarecidos. Porque o consumidor tem um monte de problemas. Tem câncer, Aids, é chifrado, tem de pagar a escola do filho. Vai ter que se preocupar também com salvar o mundo quando a esposa está precisando de um medicamento? Querer que o consumidor, além de tudo, pague R$ 5 numa ecobag no supermercado? Empresa que cobra ecobag não tem vergonha.