
Vejam abaixo trailer de um documentário francês sobre o impacto dos agrotóxicos à saúde das pesssoas.
O filme conta o caso de uma vila na França que passou a utilizar somente alimentos orgânicos na alimentação escolar.
A perda da grande Zilda Arns no terremoto do Haiti nos fez conhecer melhor e analisar sua luta a favor dos brasileiros mais necessitados.
Seu trabalho à frente da Pastoral da Criança é uma lição de como devemos implantar com eficiência os conceitos de sustentabilidade nas empresas e em toda a sociedade. Os princípios e a metodologia empregados pela Pastoral devem servir de exemplo para as empresas.
Entendo que os seguintes princípios básicos deveriam ser copiados.
A DESIGUALDADE É INSUSTENTÁVEL
Um dos Princípios da Sustentabilidade criados pelo médico sueco Karl Robert diz que “todas as pessoas devem ter suas necessidades básicas atendidas em todas as partes do mundo”. Não podemos falar em sustentabilidade enquanto o nível atual de desigualdade persistir no mundo. Zilda Arns sabia que combater a desigualdade deve ser a prioridade número um.
Uma empresa precisa de uma política social robusta.
O MAIS IMPORTANTE SÃO AS PESSOAS
Mais do que qualquer metodologia, certificação ou software, as pessoas são a chave para a implantação do conceito de sustentabilidade em uma empresa. Sem pessoas bem capacitadas, motivadas e comprometidas com os princípios e os objetivos do trabalho, não se alcançará o sucesso necessário.
Beto Sicupira, sócio da Ambev, em recente entrevista para a revista Exame disse: “A melhor ideia, sem gente boa, não vai a lugar algum”.
A Pastoral da Criança valoriza a capacitação contínua dos voluntários e o incrível poder de multiplicação que essas pessoas tem na comunidade. Do mesmo modo, os colaboradores da empresa devem ter capacidade para compreender e aplicar o conceito de sustentabilidade no seu dia a dia e também multiplicar essa ação na sociedade.
SEJA SIMPLES E EFICIENTE
Hoje em dia há uma tendência de sofisticação. Novas ferramentas e softwares de gestão com nomes pomposos surgem aos montes. Precisamos é de ideias e ações simples e eficientes.
O trabalho da Pastoral da Criança era extremamente eficiente com a maior simplicidade. Se o problema principal era a mortalidade infantil por desnutrição, foi criada a multimistura, alimento de alto valor nutritivo feito de farelos e farinhas de cereais, sementes de vegetais, etc., a um custo baixíssimo. Se a diarreia infecciosa precisava ser combatida, usava-se o soro caseiro.
FALTA DE DINHEIRO NÃO É DESCULPA
O que mais ouço nas empresas, principalmente nas pequenas e médias, é que não há recursos financeiros para implantar um programa de sustentabilidade. Não depende de dinheiro. O importante é a capacitação das pessoas e a gestão do processo.
Jaime Lerner, grande urbanista, ex-prefeito de Curitiba, diz sempre: “quer boas ideias, corte um zero do orçamento”.
O trabalho da Pastoral da Criança, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, tem um custo mensal de R$ 1,66 por criança atendida!!!
USE POUCOS E BONS INDICADORES DE DESEMPENHO
O uso de indicadores de desempenho está na moda nas empresas. Assim, o que mais vemos hoje são sistemas com dezenas de indicadores, muitos dos quais irrelevantes e difíceis de medir.
A Pastoral da Criança usa apenas um indicador básico, simples e eficiente para medir o desempenho do trabalho: o peso da criança.
O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) oferece o curso online gratuito A Floresta Amazônica e as Mudanças Climáticas.
Já divulgamos esse evento aqui, porém agora o IPAM criou um sistema de cadastramento dos interessados no treinamento. O link atual é:
http://www.ipam.org.br/curso/login
Participem. Divulguem.
A ANVISA fiscalizou seis grandes produtoras de agrotóxicos: Syngenta, Bayer, Basf, Milenia, Nufarm e Iharabras. Todas apresentaram irregularidades.
O caso mais grave foi o da Milenia Agrociências, onde a Anvisa e a Polícia Federal apreenderam 2,5 milhões de agrotóxicos adulterados. Vejam mais detalhes dessa operação nos links abaixo:
http://tinyurl.com/yecj3tt
http://tinyurl.com/yadwsk3
http://tinyurl.com/yebcuy
E como fica todo o discurso de sustentabilidade dessas empresa? Falar é fácil, mas… Vejam nos sites dessas empresas o que elas dizem sobre sua ação a favor da sustentabilidade:www.milenia.com.br/index.jsp?view=218
www.ihara.com.br/index/ezsite.asp?id=872
www.syngenta.com.br/pt/responsabilidade/Pages/codigo-de-conduta.aspx
www.bayercropscience.com.br/site/sustentabilidade.fss
Hoje é o Dia da Água. Vai ser aquela festa. Empresas vão lançar programas de economia de água. Prefeituras irão fazer eventos demonstrando o quanto se preocupam com o tema. Até Câmara de Vereadores dirá que investe na gestão de recursos hídricos. O problema são os outros 364 dias do ano.
Na entrevista abaixo para o jornal Folha de São Paulo o jornalista americano Thomas Friedman defende que a taxação do carbono é a única solução para o problema do Aquecimento Global.
O jornalista americano Thomas Friedman, um dos principais colunistas do “New York Times”, afirma que os EUA podem “voltar aos trilhos” e recuperar sua liderança global com investimentos maciços em tecnologias de energia limpas, o que só será possível com uma estrutura tributária que preveja, por exemplo, taxação sobre o preço do carbono.
Essa é a ideia central de “Quente, Plano e Lotado” (ed. Objetiva, 605 págs.), que chega às livrarias brasileiras na quarta-feira, 24. O livro é um aprofundamento do best-seller “O Mundo é Plano” (ed. Objetiva), que desde 2005 vendeu 85 mil exemplares só no Brasil.
FOLHA - A ideia-chave de “Quente, Plano e Lotado” pode ser resumida na frase do presidente Barack Obama: “A nação que liderar a economia da energia limpa será a que irá liderar a economia global; e os EUA precisam ser essa nação”. Que argumentos sustentam essa ideia?
THOMAS FRIEDMAN - Algumas pessoas não acreditam no “quente”. Tudo bem, deixemos apenas o plano e o lotado. Plano é minha metáfora para mais e mais gente se juntando à classe média mundial e vivendo como americanos, quer estejam no Brasil, na Índia ou na China.
Lotado é porque há cada vez mais e mais pessoas. No mundo plano e lotado há cada vez mais gente com casas, carros e Big Macs do tamanho americano. É claro para mim que a próxima indústria global será a tecnologia energética (TE), que vai capacitar mais e mais gente a melhorar seu padrão de vida sem queimar e destruir o planeta. O país que detiver TE terá mais segurança energética, nacional e econômica, companhias inovadoras e respeito global. Claro, quero que esse país seja o meu, mas quero que todos aspirem a ser essa nação.
FOLHA - O sr. não crê em decisões tomadas em conferências globais.
FRIEDMAN - Exatamente. Alguém tem de me provar que funciona. Não sou contra o Protocolo de Kyoto ou o esforço de Copenhague, mas, se você conseguir fazer com que 193 países concordem, Deus te abençoe. Na falta disso, quero liberar meus inovadores e engenheiros para tentar o mesmo objetivo por meio da inovação.
FOLHA - O que deve ser feito para estimular esse tipo de iniciativa?
FRIEDMAN - Precisamos de políticas tributárias para incentivar, a longo prazo, a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia limpa. Houve um pouco no pacote de estímulo, mas é necessário muito mais. É preciso uma política de preços para o carbono. Sem isso, nada acontecerá. Sou um crente no mercado. Uma taxação de longo prazo, fixa e durável, estimularia 10 mil inovadores verdes em 10 mil garagens, tentando 10 mil coisas. Mil serão promissoras, cem serão realmente legais, e duas, os próximos Google e Microsoft limpos, que nos darão o que precisamos: elétrons confiáveis, limpos, baratos.
FOLHA - Uma pesquisa do Instituto Gallup mostrou que há mais céticos do aquecimento global hoje do que em 1997. Em que o discurso das mudanças climáticas está falhando?
FRIEDMAN - Infelizmente, a combinação tóxica de “climagate” [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima], “relativamente pequenos” erros no IPCC [acusado de ter cometido erros em relatório] e recessão -e o fato de as pessoas mais do que nunca quererem energia barata- permitiu aos negacionistas confundir as pessoas e poluir o debate. Quem não queria acreditar ganhou razões para isso. E cientistas, políticos e membros do governo fizeram mau trabalho defendendo o caso.
FOLHA - Em ano de eleição, é possível algo favorável no Congresso?
FRIEDMAN - No momento, a estratégia está mudando. Pessoalmente, creio que o projeto “cap-and-trade” [comércio de permissões para emitir CO2] esteja morto. Agora, os senadores John Kerry, Lindsey Graham e Joe Lieberman estão trabalhando numa estratégia baseada em três princípios. O primeiro: nunca use a palavra “clima”. Fale sobre “limpar o ar”. “Clima” se tornou uma palavra suja. Segundo: dizemos que estamos fazendo isso para criar empregos; energia solar, baterias, eficiência energética, tudo isso rende muito emprego. E, terceiro, dizemos que estamos fazendo isso por segurança nacional, para ficarmos menos dependentes do petróleo do Oriente Médio. Esse é o novo consenso bipartidário, democratas e republicanos. Mas, se haverá senadores o suficiente para isso, não sei.
Vejam abaixo a entrevista de Al Gore para o jornalista Marcelo Leite, da Folha de São Paulo, edição de 15/3/2010. Uma grande mensagem dele é que a eficiência energética é a melhor forma de energia limpa.
FOLHA - Seu recente livro “Nossa Escolha” transmite uma mensagem tão sóbria quanto otimista: uma catástrofe inimaginável nos espreita se não agirmos, mas ainda há tempo e ferramentas bastantes para solucionar três ou quatro crises do clima. Não é otimismo demais?
AL GORE - Acho que não. Nos últimos três anos organizei mais de 30 “cúpulas de soluções” com os maiores engenheiros, cientistas e empresários do mundo e fiquei agradavelmente surpreso ao descobrir como está avançado o desenvolvimento dessas soluções. O Brasil, por exemplo, tem liderado o mundo ao inovar um meio muito eficaz de empregar biomassa [cana-de-açúcar] para substituir combustíveis líquidos baseados em petróleo. De modo similar, outros países fizeram progressos em energia solar, eólica e geotérmica. Portanto, não acho que seja otimista demais, de jeito nenhum. Mas o ingrediente essencial continua a ser vontade política. Mesmo com a sensacional liderança do Brasil em Copenhague, o mundo como um todo ainda não forneceu vontade política suficiente para implementar as soluções em grande escala. Mas estou otimista que o farão.
FOLHA - Eu me referia à sua afirmação de que “três ou quatro” crises climáticas podem ser solucionadas com as ferramentas à mão.
GORE - Se nos lançarmos numa guinada para formas de energia renováveis e de baixo carbono em transportes, imóveis residenciais e comerciais e agricultura e silvicultura sustentáveis, podemos solucionar totalmente a crise do clima, com folga.
FOLHA - Há um componente tecnológico forte em seu otimismo: computadores e satélites nos ajudarão a enxergar a luz [da verdade] sobre o planeta e seu clima. Mas o exemplo do satélite DSCOVR/Triana, do livro, também pode ser visto como um alerta sobre o poder dos governos de impedir que isso aconteça. Tecnologia e ciência sairão sempre vitoriosos?
GORE - (Ri) Depende de nós, em nossos respectivos países, garantir que as políticas públicas se baseiem na melhor ciência e na melhor informação disponíveis. No caso do Triana: o satélite acaba de ser incluído no orçamento do presidente Obama para este ano.
FOLHA - Foi mero atraso, então?
GORE - Um longo e custoso atraso. Os negacionistas do clima têm combatido em todas as frentes para impedir o progresso. Há alguns que acreditam genuinamente que não se trata de uma crise, mas o grosso da oposição vem dos maiores poluidores de carbono, que não querem ser obrigados a assumir a responsabilidade por deitar fora enormes quantidades de poluição na atmosfera terrestre, como se ela fosse um imenso esgoto a céu aberto. Assim como as companhias de tabaco lutaram contra as limitações à comercialização de cigarros atacando os cientistas que fizeram a ligação entre cigarros e doenças do pulmão, os grandes poluidores de carbono estão atacando os cientistas que conduziram os estudos mostrando conclusivamente que a poluição do aquecimento global produzida pelo homem está causando a crise do clima.
FOLHA - A espécie humana jamais fez uma escolha coletiva sobre seu futuro. O sr. é o primeiro a dizer, no livro, que essa perspectiva parece absurda. O que o deixa tão seguro de que estamos à altura da tarefa?
GORE - Nós temos de fazê-lo, para expressar o amor que temos pelos nossos netos. Para evitar sermos lembrados pelas gerações futuras como uma geração criminosa, que ignorou de forma egoísta e cega os claros sinais de que o seu destino estava em nossas mãos. Porque o modo como fomos criados nos dá um respeito destemido pela verdade e pela justiça. Não importa quanto tempo ela seja obscurecida por aqueles que encaram a verdade como inconveniente, cedo ou tarde os anjos de nossa melhor natureza vencerão.
FOLHA - O sr. é mesmo otimista.
GORE - Houve momentos no passado em que a civilização foi confrontada com ameaças que pareciam inimaginavelmente difíceis. O totalitarismo ameaçou exterminar a liberdade. Pareceu improvável, em alguns instantes, que as forças da democracia e da liberdade venceriam. Mas elas conseguiram, se puseram à altura do desafio. Houve outros exemplos. Muitos achavam que as mulheres nunca receberiam permissão para votar e participar de modo igualitário na sociedade. Nos séculos passados, muitos achavam que a escravidão era uma condição natural, que deveria ser tolerada.
FOLHA - Há muitos lugares do mundo onde o totalitarismo ainda é uma ameaça e os direitos das mulheres não são respeitados.
GORE - Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, era forte a ameaça de que o totalitarismo iria extinguir a liberdade. Com a vitória, a democracia ganhou essa luta e claramente o movimento está a favor da democracia e da liberdade, hoje.
FOLHA - Mas isso nos custou uma guerra enorme e sangrenta.
GORE - É verdade.
FOLHA - Espero que não cheguemos a tanto no clima.
GORE - (Ri) Isso não vai acontecer.
FOLHA - Se o sr. tiver de destacar uma prioridade em termos de energia, seria a eólica? Ou seria mais esperto, para países como o Brasil, investir antes na montagem de uma super-rede elétrica inteligente, capaz de lidar com uma ampla variedade de fontes de energia renovável, de biomassa a hidreletricidade?
GORE - Acho que temos de fazer várias coisas simultaneamente. Uma super-rede é importante para o uso de todas as formas de energia renovável. Tanto a energia eólica quanto a solar são muito promissoras. A segunda e terceira gerações de biomassa são igualmente promissoras. Mas o maior recurso são as melhorias de eficiência. E o passo singular que poderia ser dado para estimular o progresso em todas essas áreas é pôr um preço no carbono, de modo que o custo da redução da poluição seja integrado nas decisões do mercado. Isso estimularia todas as formas de energia renovável e todos os recursos de eficiência.
FOLHA - O sr. tem preferência por impostos sobre o CO2 ou por limites e comércio de permissões para emitir carbono (”cap-and-trade”)?
GORE - Prefiro ambos. A vantagem da abordagem “cap-and-trade” está na eficiência oferecida para a coordenação global, sem requerer que os governos tomem decisões todos os dias. Se os valores estão incluídos no mercado, então o mercado pode ser um aliado na seleção de todas essas possibilidades. Mas não há dúvida de que um imposto sobre o CO2, neutro em termos de renda, seria uma opção poderosa. A Escandinávia e alguns países, como a França, já o estão usando. É difícil imaginar um imposto de carbono globalmente harmonizado, por isso a noção de “cap-and-trade” é provavelmente melhor como base para a coordenação internacional.
FOLHA - Copenhague não terminou como se esperava, e muitos duvidam que Cancún possa levar a um tratado legalmente vinculante. Yvo de Boer renunciou ao posto de secretário da Convenção de Mudança Climática da ONU. O IPPC está sob fogo cerrado. Obama enfrenta dificuldades para conseguir que o Congresso dos EUA vote a legislação sobre clima e energia. Ainda temos motivo para manter o otimismo?
GORE - (Ri) Sim, temos. Porque ainda há um movimento de base em todo o mundo, crescente, para enfrentar essa crise. Nos EUA a legislação está seguindo em frente e será votada em poucos meses. O fracasso em Copenhague se deveu primariamente ao fato de o Senado dos EUA ter falhado em aprovar essa legislação antes da conferência, forçando o presidente Obama a negociar com ambas as mãos atadas às costas. Como ele não podia pôr essa legislação sobre a mesa, os chineses resistiram a fazer concessões de seu lado, de modo que os dois maiores poluidores deixaram de agir. Isso fez o restante do mundo adiar a ação. Se os EUA aprovarem a legislação antes da conferência de Cancún, poderemos ver uma dinâmica muito diferente em ação.
FOLHA - O sr. estará no fim do mês em Manaus, para um seminário que terá também o cientista Tom Lovejoy e o cineasta James Cameron. O sr. acha que o filme “Avatar” terá um papel em despertar consciências para o tipo de problemas da floresta que o sr. trata em seus livros e seu próprio documentário?
GORE - É um filme com uma metáfora muito poderosa. Sou grande fã do filme. Tanto James Cameron quanto Tom Lovejoy são meus amigos. Lovejoy é um cientista com quem trabalho há anos. Ele me levou em minha primeira viagem para a Amazônia, 30 anos atrás.
No dia 27/3 nós temos uma grande oportunidade de mostrar que queremos lutar contra o Aquecimento Global.
Vem aí a Hora do Planeta. Um movimento criado pelo WWF.
Em 2007, a cidade de Sydney na Austrália, apagou suas luzes por uma hora. Em 2008, mais de 400 cidades espalhadas pelo mundo participaram. Em 2009, mais de 4.000 cidades.
Vamos fazer a nossa parte. Desligue as luzes no dia 27/3/2010, das 20:30h às 21:30h. Divulgue essa iniciativa. Incentive outras pessoas a participar. Veja o site oficial do evento:
Vejam abaixo reportagem da Folha Online sobre pesquisa de opinião recente que mostra que o ceticismo sobre o aquecimento global está batendo recorde nos EUA.
CETICISMO CLIMÁTICO ATINGE RECORDE NOS EUA, APONTA PESQUISA
Quase metade dos americanos acredita que as preocupações com o aquecimento global são exageradas, assim como cada vez mais pessoas duvidam de que graves crises ambientais vão ocorrer por causa dele. Os dados são de uma nova pesquisa, feita pelo Instituto Gallup.
As dúvidas aparecem enquanto o presidente Barack Obama pressiona o Congresso para aprovar uma legislação que reduza as emissões de gases de efeito estufa no país.
Com eleições parlamentares a menos de oito meses, muitos congressistas estão hesitantes em aceitar uma lei referente às mudanças climáticas, especialmente se o interesse dos eleitores nela estiver diminuindo.
Sem apoio do Senado, dificilmente Obama conseguirá atingir a meta de reduzir em 17% as emissões dos EUA até 2020, em comparação com os níveis de 2005. O país é historicamente o maior poluidor do mundo.
A nova sondagem, feita entre 4 e 7 de março, indica que 48% dos americanos agora acreditam que a seriedade do aquecimento global é exagerada, contra 41% ano passado e 31% em 1997, quando foi feita a primeira pesquisa.
“Climagate”
O resultado aparece logo após a descoberta de que certos detalhes das descobertas científicas que entraram nos relatórios do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU) estavam ou errados ou exagerados.
Também contribuiu para minar a confiança na ciência climática o vazamento de e-mails de cientistas britânicos ligados ao IPCC, no ano passado. Os e-mails revelavam comportamentos profissionais duvidosos e tentativas de negar informação a céticos do clima.
Especialistas dizem que, apesar dos erros, as evidências disponíveis sustentam a ideia de que um planeta mais quente vai fazer com desastres naturais se tornem mais frequentes.
A maioria dos americanos ainda acredita que o aquecimento global é real, mas a porcentagem está diminuindo e é a menor desde 1997.
Mais de um terço dos entrevistados disse que os efeitos do aquecimento global nunca vão acontecer (19%) ou que não acontecerão enquanto eles estiverem vivos (16%).
Um número crescente duvida de que o aquecimento global esteja relacionado a atividades humanas: 50% apontam essa causa, contra 46% que dizem que a responsabilidade é de mudanças naturais. Para comparar, esses valores eram de 61% e 31% em 2003.
A pesquisa entrevistou mais de mil adultos e tem uma margem de erro de quatro pontos.
Ótima notícia. A Câmara dos Deputados aprovou hoje (11/3) Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Agora o Projeto irá para o Senado. Vejam notícia no link abaixo:
Vejam abaixo entrevista de Claudio e Suzana Padua, fundadores da ONG Ipê (instituto de Pesquisas Ecológicas), para o jornal Folha de São Paulo. Eles criticam as ONG’s internacionais que desenvolvem projetos no Brasil.
FOLHA - Como vocês veem a evolução do movimento ambientalista desde quando o Ipê surgiu, na época da Eco-92 até hoje?
CLAUDIO - A década de 90 não foi promissora, tivemos avanços, mas perdemos uma quantidade enorme de florestas tropicais nesse período. As metas de Kyoto não foram cumpridas. Fazer meta para aparecer na foto é fácil, o problema é não ter um mecanismo que possa depois verificar e punir de alguma forma quem não as alcance. As pessoas estabelecem metas de maneira irresponsável.
SUZANA - A natureza também nunca entrou como valor econômico, ela sempre veio de graça. Se você a tem de graça, tudo o que se refere a sua proteção está atrapalhando o progresso, porque ela está ali para servir a quem está enriquecendo.
Se todo mundo vivesse o padrão de vida norte-americano, segundo estimativas canadenses, seriam necessários hoje, no mínimo, quatro planetas. Não vamos chegar lá. Esse crescimento indiscriminado é uma falácia, não chegaremos ao desenvolvimento no padrão de consumo do jeito que está preconizado atualmente.
O que está fazendo falta neste momento é investimento em tecnologia, como os países desenvolvidos estão fazendo. Como posso manter meu padrão de vida consumindo 10% do que estou consumindo em termos de energia e água? É uma combinação de coisas. E o Brasil tem todo o potencial, mas não investe nele.
FOLHA - Qual seria o papel do governo e da sociedade nesse cenário de emergência na questão do clima?
CLAUDIO - Nós temos de cobrar de quem fala por nós um posicionamento pelo futuro do planeta e nosso, pois não é coisa para as gerações de um futuro muito longínquo. Há quem fique querendo diminuir a qualidade das previsões do IPCC [painel do clima da ONU], mas eles são os melhores pesquisadores do planeta e não devem estar errados.
SUZANA - Os assentados do Pontal que trabalham com a gente compreendem isso, a premissa de que, com floresta, o resto da propriedade melhora, tem menos peste, o solo fica melhor, a água fica protegida.
No micro, nós, como ONG, podemos atuar. O desafio é conseguirmos entrar na escala em termos internacionais. Há ONGs como o Ipê em várias partes do mundo, com base em ciência, academia, de tamanho médio, nacionais, trabalhando na ponta com os problemas verdadeiros.
Conseguimos atuar dentro dos nossos microcenários, mas precisamos de alguma maneira de uma voz que seja mais ouvida internacionalmente. De baixo para cima, não de cima para baixo, porque o que a gente sente é que há uma tendência grande de as coisas virem prontas e de o pequeno ser obrigado a cumpri-las.
CLAUDIO - São criadas pelas políticas ambientais internacionais, desenvolvidas no mundo das agências multilaterais com quem tem assento nelas: organizações enormes. Por isso nós estamos agora em alianças, na tentativa de conseguir uma representação para sermos iguais nesse processo.
FOLHA - Existe uma dicotomia entre as ONGs nacionais e as internacionais?
CLAUDIO - Existem ações diferentes e representações diferentes com atividades totalmente diferentes.
SUZANA - O peso das ONGs grandes nas decisões é muito maior que o das pequenas locais, como o Ipê. Isso é natural, porque elas se dedicam muito às políticas internacionais.
Tem uma delas de que várias pessoas do Ipê e da Wildlife Trust Alliance [aliança de ONGs de médio porte] também fazem parte, que é a UICN [União Internacional de Conservação da Natureza]. Eles têm cadeira na ONU e estão abrindo um escritório no Brasil. Mas ainda faltam assentos.
CLAUDIO - Um dos nossos objetivos na Alliance é contratar em curto prazo uma pessoa para buscar assentos nesses órgãos multilaterais.
FOLHA - De que tema que as grandes ONGs internacionais não abordam vocês falariam lá?
SUZANA - Não acho que a gente falaria o que eles não falam, mas é a forma de fazer, porque os grandes têm os princípios muito corretos, querem reflorestamento, manutenção das florestas nativas, a biodiversidade mais bem protegida.
Mas, na forma de fazer acontecer nos países, as ONGs menores, de médio e pequeno portes, apresentam um papel extraordinário, que as grandes normalmente atropelam.
FOLHA - Atropelam como?
SUZANA - Na implementação. Por exemplo, você se compromete a reflorestar determinada área, encontra locais altamente importantes para a biodiversidade e quer proteger aquele núcleo, fazer um cinturão verde. Como é que vai fazer?
As grandes têm mais facilidade de levantar fundos, mas, na hora de implementar, muitas vezes não têm a estrutura. Então sublocam as ONGs menores -e isso é complicado.
FOLHA - Elas contratam ONGs menores?
SUZANA - Muitas vezes contratam ONGs ou pessoas locais, mas a forma de fazer vem muito de cima para baixo.
CLAUDIO - Um é rico em dinheiro, e o outro, em biodiversidade. Quem é rico em dinheiro tem que ouvir quem é rico em biodiversidade para saber a melhor forma de fazer. Muitas vezes o rico em dinheiro chega com o projeto pronto, dizendo o que fazer, com a frase “eu sei o que é melhor para vocês”.
SUZANA - E isso eu não acho certo. É a mesma coisa que o governo faz: um projeto para a região do Pontal do Paranapanema sem consultar as pessoas locais. Tudo o que vem de cima para baixo raramente dá certo.
Leva tempo para construir confiança, para ter um grupo de pessoas com que você atua.
Às vezes elas [as grandes ONGs] não têm tempo, têm de mostrar resultado, porque coletaram verba que precisa ser gasta de determinada maneira.
Avalio que as ONGs internacionais teriam um papel fundamental -e durante um tempo, bem no inicio, até tiveram- na capacitação das pessoas locais.
Se o recurso angariado tivesse um componente forte em capacitação, elas construiriam um exército de sabedoria.
FOLHA - Essa necessidade de resultados rápidos com ONGs sublocadas pode fragmentar o processo?
CLAUDIO - Sim. Ninguém investe em capacitação, pois dá resultados muito fortes, mas lentos. Mas o medo não é só das ONGs, é do governo também.
SUZANA - No Ipê, fizemos esforço para capacitação a vida inteira. Começou internamente, incentivávamos os estagiários a partirem para o mestrado, o doutorado. Hoje o instituto tem esse ponto forte [30% de mestres e doutores].
Enquanto os Estados Unidos têm mais de 300 cursos sobre biologia da conservação, a América Latina inteira tinha 12 cursos até algum tempo atrás, para toda essa biodiversidade.
É um ponto muito crucial. Só 30% dos “papers” que são publicados nas grandes revistas, nas reconhecidas, sobre a Amazônia brasileira, tem um autor ou um coautor brasileiro. O resto é tudo gringo. O conhecimento gerado fica no norte e, se não chega até nós, como é que vamos competir? Os pesquisadores [estrangeiros] muitas vezes nem se lembram de mandar cópia para as unidades de conservação em que estudaram. A pesquisa fica lá.
CLAUDIO - Não é só que o conhecimento não chega; nós não o estamos produzindo.
SUZANA - É um grau de desequilíbrio muito grande de conhecimento -e conhecimento é poder. O esforço do Ipê e de outras ONGs -porque a gente não está sozinho nisso- é fazer uma massa crítica que pense diferente. É abrir caminhos para que as pessoas venham a ter um nível de conhecimento que faça a diferença.
CLAUDIO - Nesse espírito, é preciso capacitar fortemente não para as prateleiras das bibliotecas, mas para um conhecimento que se transforme em ações. Não sou contra a pesquisa pela pesquisa, mas às vezes a gente tem vergonha de fazer pesquisa aplicada no Brasil.
SUZANA - É considerada às vezes até de segunda classe. Fica o mundo do conhecimento que é o mundo das universidades, que não se mesclam. No nosso mestrado, temos uma disciplina que está fazendo uma diferença enorme, com resolução de problemas reais.
CLAUDIO - Que é como um [empreendimento] pode beneficiar o outro [uma comunidade] e todos podem beneficiar a biodiversidade. O que tem que desafiar é o tema, e não a sua divisão de conhecimentos
Vejam no link abaixo entrevista de Marina Silva no programa do Lobão na MTV.
http://mtv.uol.com.br/lobotomia/videos/lototomia-pgm-01-marina-silva-08032010
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) analisou os dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Perfil dos Municípios Brasileiros/MUNIC 2008, realizada pelo IBGE, e compilou informações importantes sobre os impactos ambientais nos municípios brasileiros.
Foram reunidos e analisados os dados sobre os principais tipos de impactos ambientais verificados nos municípios.
É um material fundamental para quem trabalha com gestão ambiental municipal e uma ótima fonte de informação para os demais profissionais de gestão ambiental.
O relatório pode ser copiado em nossa BIBLIOTECA ONLINE DE SUSTENTABILIDADE no endereço:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/PESQUISA_IMPACTOS_AMBIENTAIS_NOS_MUNICIPIOS.pdf
Na edição do último domingo (28/2) o jornal Folha de São Paulo trouxe reportagem demonstrando o quanto o Brasil está ficando para trás na chamada economia verde.
Temos falado muito sobre isso aqui. O governo brasileiro imagina a questão das energias limpas como um tema ambiental. Na verdade é uma questão econômica estratégica, pois esse segmento será o motor do desenvolvimento econômico e tecnológico do Século 21.
Vejam abaixo um pequeno trecho da reportagem. O texto completo pode ser visto no link a seguir (para assinantes do jornal ou do UOL):
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2802201009.htm
BRASIL FICA PARA TRÁS NA CORRIDA PELA NOVA ECONOMIA ‘VERDE’
Na corrida global por desenvolvimento científico e ampliação de investimentos ligados à economia de baixo carbono, o Brasil começa a ficar para trás.
Enquanto potências como EUA e China investem centenas de bilhões de dólares na área, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acadêmicos e ambientalistas. No setor privado, negócios verdes esbarram em gargalos como estrutura tributária inadequada, falta de marco regulatório e ausência de incentivo.
Nessa corrida, o país tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no álcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdiça o enorme potencial de fontes de energia, como solar, eólica e de biomassa, e avança lentamente em áreas-chave, como etanol celulósico, segundo especialistas.
“Talvez esse conforto esteja trazendo uma reação de certa forma comodista, diferentemente dos países premidos por urgência de mudança energética, que estão fazendo esforços para diversificar suas fontes de energia e mudar padrões produtivos e de consumo”, afirma o economista Ricardo Abramovay, do Núcleo de Economia Socioambiental da USP.
Globalmente, uma fatia média de 16,4% dos pacotes de estímulo lançados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econômica foi “verde” (US$ 513 bilhões em 17 grandes economias), segundo o HSBC. A Bloomberg New Energy Finance estima que 16% desses fundos verdes sejam destinados a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas.
No Brasil, só R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 5% do total de estímulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo “limpo”, como o IPI reduzido para carros “flex”. E, segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, feito em todas as pastas a pedido da Folha, em 2009 o governo gastou R$ 2,5 bilhões em ações verdes (R$ 380 milhões diretamente ligados à pesquisa, sem contar atividade espacial).
Vejam no link abaixo a entrevista de Marina Silva dada à radio CBN Rio: