Mudanças Climáticas Podem Trazer Perdas de R$ 3,6 trilhões ao Brasil

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Através do Grupo de Meio Ambiente do portal do jornalista Luis Nassif (http://blogln.ning.com/), tomei conhecimento de um amplo estudo lançado em novembro de 2009 que avaliou o impacto econômico que as mudanças climáticas trarão ao Brasil.

O impacto é imenso, podendo chegar a perdas de R$ 3,6 trilhões em 2050.

Vejam abaixo resumo do estudo. O estudo completo pode ser copiado em www.economiadoclima.org.br

 

ESTUDO ECONÔMICO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO BRASIL: RESUMO

O Brasil corre o risco de ter uma perda na economia de R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões em 2050, caso nada seja feito para reverter os impactos das mudanças climáticas. As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam a Amazônia e o Nordeste, com perdas expressivas para a agricultura em quase todos os estados. Além disso, a previsão é de uma menor a confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Estes são alguns dos resultados do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil (EMCB), uma iniciativa pioneira que analisa e quantifica o impacto da mudança do clima na agenda de desenvolvimento do país.

Pela primeira vez no País reuniu-se uma grande equipe interdisciplinar para integrar projeções sobre diferentes setores, formada principalmente por cientistas das principais instituições de pesquisa do país. Adotando como base os modelos climáticos desenvolvidos pelo CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o horizonte do ano de 2050 - apesar dos problemas climáticos associados ao aquecimento global serem de longo prazo -, o estudo aborda vários setores cruciais para o Brasil: agricultura, energia, uso da terra e desmatamento, biodiversidade, recursos hídricos, zona costeira, migração e saúde.

As projeções alimentaram modelos de alguns setores da economia que traduziram em termos econômicos os impactos esperados em cada setor, de acordo com duas possíveis trajetórias do clima futuro desenvolvidas pelo IPCC – os cenários A2 (altas emissões) e B2 (baixas emissões). Estas trajetórias do IPCC são baseadas em hipóteses sobre o comportamento futuro da economia global. O estudo simula o comportamento futuro da economia brasileira compatível, na medida do possível, com as mesmas hipóteses do IPCC para a economia global.

Os cenários então gerados para a economia brasileira são chamados no estudo de cenários A2-BR simulados sem mudança do clima e com mudança do clima, segundo cenário climático A2 do IPCC, e cenário B2-BR, também simulado sem mudança do clima e com mudança do clima, segundo o cenário climático B2 do IPCC. Eles representam trajetórias futuras da economia brasileira caso o mundo se desenvolva globalmente segundo as premissas (econômicas) do IPCC do cenário climático A2 e do cenário climático B2.

A coordenação geral do estudo foi do professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovitch, e os coordenadores técnicos foram Sérgio Margulis e Carolina Dubeux. O consórcio foi formado pelas seguintes instituições: Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp), Embrapa, INPE, COPPE/UFRJ, Fiocruz, FBDS, Cedeplar/UFMG, IPAM, IPEA e FIPE.

Perspectiva Macroeconômica

Estima-se que sem mudança do clima o PIB brasileiro será de R$ 15,3 trilhões (Reais de 2008) no cenário A2-BR em 2050, e R$ 16 trilhões no cenário B2-BR. Com o impacto da mudança do clima, estes PIBs reduzem-se em 0,5% e 2,3% respectivamente. Antecipados para valor presente com uma taxa de desconto de 1% ao ano, estas perdas ficariam entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões, o que equivaleria a jogar fora pelo menos um ano inteiro de crescimento nos próximos 40 anos.

Com ou sem mudança do clima, o PIB é sempre maior em B2-BR do que em A2-BR. Isto quer dizer que na trajetória mais limpa do cenário B2-BR, a economia cresce mais, e não menos. Em ambos cenários, a pobreza aumenta por conta da mudança do clima, mas de forma quase desprezível.

Haveria uma perda média anual para o cidadão brasileiro em 2050 entre R$ 534 (ou US$ 291) e R$ 1.603 (ou US$ 874). O valor presente em 2008 das reduções no consumo dos brasileiros acumuladas até 2050 ficaria entre R$ 6 mil e R$ 18 mil, representando de 60% a 180% do consumo anual per capita atual.

Perspectivas Regionais

As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam a Amazônia e o Nordeste.

Na Amazônia, o aquecimento pode chegar a 7-8°C em 2100, o que prenuncia uma alteração radical da floresta amazônica – a chamada “savanização”. Estima-se que as mudanças climáticas resultariam em redução de 40% da cobertura florestal na região sul-sudeste-leste da Amazônia, que será substituída pelo bioma savana.

No Nordeste, as chuvas tenderiam a diminuir 2-2,5 mm/dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreio de bovinos de corte, favorecendo assim um retrocesso à pecuária de baixo rendimento.

O declínio de precipitação afetaria a vazão de rios em bacias do Nordeste, importantes para geração de energia, como a do Parnaíba e a do Atlântico Leste, com redução de vazões de até 90% entre 2070 e 2100.

Haveria perdas expressivas para a agricultura em todos os estados, com exceção dos mais frios no Sul-Sudeste, que passariam a ter temperaturas mais amenas.

Perspectivas Setoriais

Recursos hídricos - Os resultados projetados seriam alarmantes para algumas bacias, principalmente na região Nordeste, com uma diminuição brusca das vazões até 2100.

Energia - Perda de confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Os impactos mais pronunciados ocorreriam nas regiões Norte e Nordeste. No Sul e no Sudeste os impactos se mostrariam mínimos ou positivos, mas neste caso não compensariam as perdas do Norte e do Nordeste.

Agropecuária - Com exceção da cana-de-açúcar, todas as culturas sofreriam redução das áreas com baixo risco de produção, em especial soja (-34% a -30%), milho (-15%) e café (-17% a -18%). A produtividade cairia em particular nas culturas de subsistência no Nordeste.

Zona costeira - Considerando o pior cenário de elevação do nível do mar e de eventos meteorológicos extremos, a estimativa dos valores materiais em risco ao longo da costa brasileira é de R$ 136 bilhões a R$ 207,5 bilhões.

Adaptação

Agricultura - As modificações genéticas seriam alternativas altamente viáveis para minimizar impactos da mudança do clima, exigindo investimento em pesquisa da ordem de R$ 1 bilhão por ano. A irrigação também foi investigada como alternativa de adaptação, mas com razões benefício-custo em geral menores.

Energia - Seria preciso instalar uma capacidade extra para gerar entre 162 TWh (25% da oferta interna de energia elétrica em 2008) e 153 TWh por ano (31% da oferta interna de energia elétrica em 2008), de preferência com geração por gás natural, bagaço de cana e energia eólica, a um custo de capital da ordem de US$ 51 bilhões a 48 bilhões.

Zona costeira - O custo de ações de gestão costeira e outras políticas públicas (14 ações recomendadas) somariam R$ 3,72 bilhões até 2050, ou cerca de R$ 93 milhões por ano.

Oportunidades de Mitigação

Desmatamento

Um preço médio de carbono na Amazônia de US$ 3 por tonelada, ou US$ 450 por hectare, desestimularia entre 70% e 80% da pecuária na região. Ao preço médio de US$ 50 por tonelada de carbono, seria possível reduzir em 95% o desmatamento.

Biocombustíveis

A substituição de combustíveis fósseis poderia evitar emissões domésticas de 92 milhões a 203 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2035. Exportações de etanol acrescentariam de 187 milhões a 362 milhões de toneladas às emissões evitadas em escala global.

O crescimento da área plantada de 17,8 milhões a 19 milhões de hectares não causaria substituição de áreas destinadas às culturas de subsistência em nenhuma região brasileira nem pressionaria o desmatamento da Amazônia, mas nas regiões Sudeste e Nordeste poderia afetar florestas e matas dos estabelecimentos agrícolas, caso as políticas para o setor não sejam implementadas adequadamente.

No Centro-Sul, principalmente, exposição de grandes concentrações populacionais a altos níveis de poluição atmosférica, caso não seja adotado o sistema de colheita mecanizada.

Taxação de carbono

O estudo estimou que o impacto de uma taxação entre US$ 30 e US$ 50 por tonelada de carbono reduziria as emissões nacionais entre 1,16% e 1,87% e resultaria em uma queda no PIB entre 0,13% e 0,08%.

Setor energético

Tomando como referência o Plano Nacional de Energia 2030, o potencial estimado de redução de emissões seria de 1,8 bilhão de toneladas de CO2 acumuladas no período 2010-2030. Com uma taxa de desconto de 8% ao ano, o custo estimado seria negativo, ou seja, haveria um ganho, ou benefício, de US$ 34 bilhões em 2030, equivalentes a US$ 13 por tonelada de CO2.

Prioridades de ação

Os custos e riscos potenciais da mudança do clima para o Brasil seriam ponderáveis e pesariam mais sobre as populações pobres do Norte e Nordeste, de modo que políticas de proteção social nestas regiões devem ser reforçadas.

É possível e necessário associar metas ambiciosas de crescimento com a redução de emissões de gases de efeito estufa, para assegurar acesso a mercados que favoreçam produtos com baixa emissão de carbono em seu ciclo de vida.

A mudança do clima deve integrar as políticas governamentais do setor ambiental (como incluir emissão ou sequestro de gases do efeito estufa no processo de licenciamento), tanto no caso da agenda marrom (poluição) quanto no da agenda verde (setor rural e afins) – setores de transportes, habitação, agricultura e indústria.

Garantir que a matriz energética mantenha-se “limpa”, investir nas muitas opções de eficiência energética altamente rentáveis, e garantir que o crescimento do PIB nacional também seja gerado de forma “limpa”.

No presente, a principal recomendação é estancar o desmatamento da Amazônia. O desmatamento gera significativas mudanças do clima local e regional e resulta em uma perda projetada de até 38% das espécies e de 12% de serviços ambientais em 2100.

Aumentar o conhecimento técnico sobre o problema, com o desenvolvimento de modelos climáticos, modelos que traduzam as mudanças esperadas do clima em impactos físicos nos diversos setores da economia, alternativas de mitigação e adaptação mais eficientes.

Investir em pesquisa agrícola de ponta, em particular na modificação genética de cultivares.

Desenvolver mais estudos para quantificar natureza e riscos de eventos extremos além de 2050 e 2100.

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Curso Online Gratuito Amazônia e Mudanças Climáticas

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O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) oferece o curso online gratuito A Floresta Amazônica e as Mudanças Climáticas.

Já divulgamos esse evento aqui, porém agora o IPAM criou um sistema de cadastramento dos interessados no treinamento. O link atual é:

http://www.ipam.org.br/curso/login

Participem. Divulguem.

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Curso Online Gratuito Sobre Amazônia e Mudanças Climáticas

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O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e duas ONG’s norte-americanas, NEEF (National Environmental Education Foundation) e COMET (Cooperative Program for Operation Meteorology, Education and Training), estão oferecendo um curso à distância gratuito sobre a Floresta Amazônica e as Mudanças Climáticas.

O programa do curso é dividido em cinco capítulos:

 

a) Terra e Seu Clima;

b) Evidências das Mudanças Climáticas;

c) Projeções para o Futuro;

d) Brasil, a Amazônia e as Mudanças Climáticas;

e) Acordos Internacionais

 

Há versão em inglês e também uma versão para impressão. 

O link do treinamento é: 

http://www.ipam.org.br/uploads/cursos/portugues/broadcastmet/brazil_br/index.htm

Divulguem esse curso. É uma ótima oportunidade de capacitação sobre um assunto tão importante.

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A Responsabilidade do Brasil é Maior do Que se Pensa

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O Governo Brasileiro vive dizendo que o país não tem grande responsabilidade no Aquecimento Global por ser uma nação de desenvolvimento econômico recente. Isso é verdade apenas em parte.

Hoje o Brasil é o quinto maior emissor de Gases de Efeito Estufa do mundo. Segundo pesquisadores, se o desmatamento da Amazônia fosse eliminado as emissões globais de CO2 cairiam de 2 a 5 %.

O Brasil é muito responsável.

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Desmatamento na Amazônia Pode Estar Apenas “Adormecido”

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Por mais que tenham sido tomadas medidas importantes pelo governo para redução do desmatamento na Amazônia, principalmente pela Ex-Ministra Marina Silva, é inegável que parte da redução verificada nos últimos anos é fruto da crise econômica.

Vejam abaixo a opinião de um pesquisador americano, estudioso da região. Ele diz que o desmatamento está apenas “adormecido”. A reportagem é do Portal Globo.com

 

DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA É “DRAGÃO ADORMECIDO”, DIZ PESQUISADOR

O desmatamento da Amazônia, que este ano teve uma baixa histórica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), deve crescer novamente quando os preços das commodities voltarem a subir, afirma Daniel Nepstad, pesquisador do Woods Hole Research Center, nos EUA. “É um dragão adormecido”, diz.

Nepstad vê como inevitável que a pressão sobre floresta ressurja quando a economia global retomar o crescimento. “Então, o desmatamento pode voltar a explodir”. Ele cita como exemplo projeções de que a demanda por ração animal – que provém, em parte, da soja – na China deve crescer mais de 100% nos próximos dez anos e que o Brasil deve ser um dos maiores fornecedores de matéria-prima para esse alimento.

O cientista americano é um dos autores da pesquisa publicada nesta sexta-feira (4/12) na revista “Science”, que conclui que o Brasil necessita entre US$ 6,5 bilhões e US$ 18 bilhões para eliminar definitivamente o desmatamento da região amazônica até 2020. Com isso, o estudo defende defende uma meta ainda além dos 80% de redução da devastação que o governo do Brasil vai apresentar na COP 15.

De acordo com a pesquisa, se o país pusesse fim ao desmatamento, as emissões globais de dióxido de carbono cairiam entre 2% e 5% em relação aos níveis atuais.

“Começamos a perceber que se a Amazônia era parte do problema das emissões de carbono, também poderia ser parte da solução”, explica Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), outro autor do trabalho e que, junto com Nepstad, apresentou suas conclusões na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, nesta segunda-feira (7/12).

Eles defendem que o Brasil deve aproveitar o momento de redução do desmatamento para acabar de vez com o problema. O dinheiro para tomar as medidas necessárias sairia de mecanismos internacionais de financiamento, um dos pontos centrais das discussões durante a conferência climática.

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Reportagens Sobre os Biomas Brasileiros

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O programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, está passando uma série de reportagens especiais sobre os biomas brasileiros. Vejam abaixo os vídeos sobre o Pampa Gaúcho, a Amazônia, a Mata Atlântica e a Caatinga.

 

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Aquecimento Global e Desmatamento na Amazônia

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Estudo do INPE concluiu que o desmatamento da Amazônia contribui menos do que se pensava para o Aquecimento Global.  O desmate corresponde a 2,5% das emissões globais e não 5% como se imaginava.

Vejam reportagem do Estadão:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090810/not_imp416136,0.php

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A Verdadeira Riqueza da Amazônia

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Muitos sempre argumentaram, com razão, que a biodiversidade é a verdadeira riqueza da Amazônia. A Senadora Marina Silva, em sua coluna na Folha de São Paulo do último dia 27/7 (abaixo), apresentou o caso de um besouro da Amazônia que pode ser a origem de uma descoberta científica de valor econômico incalculável.

E o Governo continua achando que a riqueza virá da produção de soja e gado ou da exploração da madeira da Amazônia.

 

O BESOURO É NOSSO

Um besouro brasileiro em fazendo sucesso nos Estados Unidos. Pesquisadores da Universidade de Utah acreditam ter encontrado o cristal fotônico ideal na carapaça do besouro Lamprocyphus augustus. Esse cristal é essencial para a construção de circuitos eletrônicos que manipulem dados por meio de luz (fótons), em vez de cargas elétricas (elétrons).

E o curioso é que os cientistas americanos não tiveram trabalho para conseguir o inseto brasileiro. Encomendaram-no a um vendedor da Bélgica, pela internet. Não duvido que, apenas com a tecnologia decorrente das pesquisas com este único besouro, os americanos produzam mais riqueza do que todo o valor anual da exploração ilegal de madeira, da soja e do gado na Amazônia.

Temos a maior porção da maior floresta tropical do planeta. É um tesouro em biodiversidade que precisa ser cuidado e explorado pelo Brasil. Em 2006, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou a falta de controle nas fronteiras como razão da perda anual de US$ 2,4 bilhões, com a saída de animais e plantas que acabam por gerar produtos patenteados no exterior.

São muitas as ameaças à biodiversidade brasileira: biopirataria, aquecimento global, desmatamento, tráfico de animais, superexploração de espécies. E a mais terrível parece ser a nossa inoperância diante disso tudo.

Em 1994, o Brasil ratificou a Convenção da Biodiversidade Biológica. Em 1995, apresentei proposta no Senado para disciplinar o acesso aos recursos genéticos no país. O projeto (PL 4.842) foi à Camara dos Deputados em 1998 e lá está até hoje. Outra tentativa foi feita em 2003, por meio do Ministério do Meio Ambiente.

Nova proposta foi negociada por mais de cinco anos, com todos os setores interessados. Novamente deu em nada. Continuamos sem regras. E todo o conhecimento gerado pela biodiversidade continuará sendo apropriado por quem chegar primeiro, sem gerar dividendos para o país.

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A Força do Mercado a Favor do Meio Ambiente

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Que ótima notícia li no blog da Andrea Vialli (http://blog.estadao.com.br/blog/vialli/). Frigoríficos que processam carne ilegal da Amazônia fecharam acordo com o Ministério Público Federal. É um ótimo exemplo da força do mercado a favor do meio ambiente. É bom lembrar que esses frigoríficos eram contra o rastreamento do gado e outras medidas de controle. Se o consumidor entrar forte na briga pelo ambiente, tudo ficará mais fácil.

Vejam abaixo o texto da Andrea.

O Ministério Público do Pará firmou hoje um acordo com os frigoríficos Bertin e Minerva para adequação de suas cadeias de fornecedores às leis ambientais. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) prevê um compromisso das empresas de implementarem sistemas de rastreamento eletrônico do gado, uma moratória total do desmatamento por dois anos, reflorestamento de áreas degradadas, entre outros pontos.

As empresas terão que, a partir de agora, informar a origem da carne aos consumidores e ao MPF, que vai checar a existência de trabalho escravo, crimes ambientais e grilagem. Para o rastreamento dos bovinos, as empresas terão de adotar medidas como a implantação de cadastro informatizado de propriedades rurais e da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica no prazo de um ano, em vez do Sisbov - o sistema de rastreamento do governo federal foi considerado mais difícil de implantar pelos pecuaristas. Está previsto ainda um investimento de até R$ 5 milhões por ano para contratação de auditoria que vai avaliar o cumprimento do disposto nos TACs assinados pelos frigoríficos.

E um ponto importante: os frigoríficos deverão informar aos seus consumidores, pela internet, o lote das fazendas, com o respectivo município de origem do gado. Se tudo sair como foi acordado, vai ficar mais fácil saber a origem da carne. Vamos ficar de olho.

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O Brasil Não Cuida de Sua Biodiversidade

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Vejam abaixo reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre o fato do Brasil ter descumprido meta de proteção da biodiversidade. O mais incrível é a justificativa do Ministério do Meio Ambiente: “o mundo todo não cumpriu a meta”.

 

BRASIL DESCUMPRE META PARA AMBIENTE

O Brasil está aquém das metas de preservação da biodiversidade que assumiu para 2010 dentro da CDB (Convenção sobre Diversidade Biológica), o mais importante acordo internacional para gestão da fauna e da flora do planeta. Em vigor desde dezembro de 1993, o tratado entra agora numa fase crítica sob o risco de virar uma peça de ficção, por culpa do Brasil e de outros países signatários.

No ano que vem, em Nagoya (Japão), os membros da convenção terão de mostrar se fizeram a lição de casa. Um dos indicadores para saber se a CDB vem sendo seguida nas nações que assinaram o texto é o conjunto de metas que cada uma delas definiu para si.

O Brasil apresentou suas metas em 2006. Duas delas são até ambiciosas -zerar o desmatamento da mata atlântica e reduzir em 75% o desmate amazônico-, mas não serão cumpridas. O país provavelmente será cobrado pelo cumprimento daquilo que foi colocado no papel.

“A internalização da CDB aqui no Brasil foi extremamente mal conduzida pelo governo”, disse à Folha o botânico Carlos Joly, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Segundo ele, que acompanha as políticas para a biodiversidade há décadas, o país não vai atingir as promessas de 2006. “O meu medo é que a gente chegue a Nagoya sem condição de dizer quanto realmente o país deixou de cumprir as metas.”

Charles Clement, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), diz que a CDB “não teve efeito desejado nem na Amazônia, nem no Brasil, nem no mundo”. Segundo ele, esse quadro se delineou desde o encontro de Joanesburgo, em 2002, apelidado de Rio+10 (em alusão ao encontro de 1992 no Brasil).

“Desde então, a taxa de extinção continua a aumentar e os benefícios econômicos esperados não aparecem em uma velocidade apropriada para frear esse processo”, diz. Segundo Joly, nem mesmo os cientistas conseguiram produzir os dados que gostariam, atrasados por entraves burocráticos. “Não há pesquisa, basicamente, porque ninguém consegue as licenças para as coletas na mata”, diz Joly.

Outras metas do Brasil na convenção -como redução do desmatamento e combate a espécies invasoras- não serão atingidas. O ritmo de criação de unidades de conservação florestal teve um aumento substancial, mas também ficará abaixo da meta. “Neste campo, dava para ter avançado um pouco mais”, diz Joly.

Braulio Dias, diretor de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, diz que o governo atualmente está em fase de coleta e sistematização de dados para, depois, concluir o balanço do sobre cumprimento de metas nacionais na CDB. Mesmo com informações incompletas, ele diz que “no mundo inteiro a gente já sabe que não vai atingir as metas”. Porém, afirma que houve avanços em algumas áreas.

O grande gargalo das discussões hoje é a repartição dos benefícios pelo uso dos conhecimentos de índios e comunidades tradicionais. Sem o desfecho desse nó -algo que pode ocorrer na próxima reunião da convenção, em outubro de 2010- a contribuição real do documento será quase nula, dizem os especialistas no tema.

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Texto Resume a Situação da Amazônia

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Vejam abaixo excelente texto do Denis Russo, colunista da revista Veja (http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/). Ele conseguiu resumir a situação de modo perfeito. A solução não é fácil, mas o diagnóstico está muito bem colocado no texto.

 

DESENVOLVIMENTO X PRESERVAÇÃO: O FALSO DILEMA

Você deve estar ouvindo falar sobre o grande dilema amazônico: a necessidade de desenvolver a região não combina com a necessidade de manter a floresta em pé, essencial para evitar o aquecimento global. Pois esse é um falso dilema. Isso ficou claro conversando com o Beto Veríssimo, um dos principais cientistas da floresta, pesquisador da seríssima ong Imazon, reconhecido no mundo inteiro.

O modelo que temos hoje é ruim para a floresta e é ruim para o desenvolvimento.

É assim: está lá a floresta. Aí chegam as madeireiras, derrubando tudo. Menos de uma década depois, elas vão embora floresta adentro, em busca de mais madeira. Chega o gado, ineficiente, espalhando bois por uma área enorme. Em cinco anos, o solo está esgotado. A terra amazônica é pobre, é ruim para agricultura. Logo logo não serve nem para pasto. Mas não tem problema. Quando isso acontecer, as madeireiras já terão avançado mais, e haverá mais terra para os bois. Até que vai acabar tudo.

É óbvio que esse modelo é insustentável. O que não é tão óbvio é que ele não é nem sequer lucrativo (a não ser para uma meia dúzia de pessoas). O que a pesquisa de Beto mostrou é que esse jeito de explorar a floresta dá preju. Ele juntou um monte de dados para mostrar que, depois que esse processo começa, a região fica efetivamente mais pobre. O PIB, medida de riqueza, cai. Todos os indicadores sociais – doença, mortes, violência – pioram. O Brasil fica mais pobre.

É o que ele chamou de modelo de “boom-colapso”. Primeiro há uma sensação de desenvolvimento. Madeireiras abrem as portas, o preço da terra sobe, pessoas arrumam empregos. Aí, quando o solo se esgota, tudo fecha, todo mundo perde o emprego e o lugar fica mais pobre do que era antes. As taxas de homicídio explodem.

Como escapar desse modelo absurdo? Não é fácil. Mas o primeiro passo é parar de avançar sobre a floresta. E como parar de avançar sobre a floresta, se o incentivo da terra barata e da vigilância falha é tão irresistível? Bom, você pode ajudar. A dica do Beto: ” Eu acho que você tem que evitar qualquer carne produzida na Amazônia. Com a madeira, já é possível saber a procedência e separar a madeira legal, certificada, da que destrói a floresta. Mas com a carne não. Os pecuaristas fizeram muito pouco progresso nesse aspecto. A única solução é comer apenas carne produzida em outras regiões “.

E como saber se a carne que você compra vem da Amazônia ou não? É difícil, mas 3 grandes redes de supermercado (Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart) já se comprometeram a não vender carne de lá. Esperemos que outros mercados e açougues sigam o exemplo, mas, enquanto isso, uma dica segura é optar por um desses 3.

Se pararmos de avançar sobre a floresta, podemos recuperar as terras já desmatadas e colocar as 80 milhões de cabeças de gado da Amazônia para pastar lá, com mais eficiência do que hoje. Fazer essa mudança vai custar caro. Mas, ao final do processo duas coisas vão acontecer: a floresta vai ser salva e o Brasil vai ficar mais rico.

Como se vê, o dilema do desenvolvimento X preservação é uma bobagem.

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Frigorífico Sente a Pressão da Sociedade

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O caso envolvendo a compra de gado e subprodutos de áreas ilegais da Amazônia tem se tornado um grande exemplo do poder do consumidor ambientalmente exigente. A sociedade vem exercendo forte pressão sobre as empresas e, depois dos grandes varejistas Pão-de-Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, agora o frigorífico Marfrig afirmou que vai suspender a compra de gado de fazendas envolvidas em crime ambiental.

Vejam abaixo reportagem do jornal Folha de São Paulo.

 

MARFRIG AFIRMA QUE VAI RECUSAR GADO DE ÁREAS DESMATADAS

O grupo Marfrig, um dos maiores exportadores de carne do país, anunciou ontem que não vai mais adquirir e abater bois oriundos de áreas de novos desmatamentos na Amazônia. O anúncio foi feito em Cuiabá, em reunião de diretores da empresa com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). Segundo nota do Marfrig, o objetivo é a busca de “uma solução de desenvolvimento sustentável para a pecuária”.

O Marfrig diz que já segue as determinações de não comprar gado de fazendas embargadas pelo Ibama na região ou que estejam na lista “suja” da exploração do trabalho escravo. “A empresa compromete-se a trabalhar em parceria com os governos estaduais e em especial com o do Estado de Mato Grosso no Programa MT Legal e com a sociedade brasileira no desenvolvimento de um Programa de Garantia de Origem dos Animais”, diz a nota.
No dia 11, Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart anunciaram suspensão da compra de carne de 11 frigoríficos apontados como compradores de gado de áreas de desmate na Amazônia. O Marfrig tem duas unidades de abate bovino em Mato Grosso, com capacidade total de quase 4.000 cabeças por dia.

“O Marfrig excluirá de sua lista de fornecedores a totalidade das fazendas pertencentes a proprietários que tiverem uma única fazenda embargada e até que sua situação se encontre regular”, afirma a nota.


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Exemplo Para as Empresas

Arquivado em: sustentabilidade | Tags:, , , , , — admin @ 14:15

Vejam a notícia abaixo, que li no Blog Verde, do jornal O Globo. É um grande exemplo para as empresas. Está chegando o tempo em que as empresas de baixo desempenho ambiental terão sérios problemas de mercado. Além da pressão dos consumidores, que é crescente, organismos financiadores estão mais criteriosos para a concessão de empréstimos e não querem ver seu nome associado à degradação ambiental.

BIRD RESCINDE CONTRATO COM FRIGORÍFICO BERTIN

Após três anos de pressão, a ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira conseguiu que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial (Bird), voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin.

Fontes internas do IFC, em Washington, confirmaram ontem, à noite, que o Bird decidiu cancelar o contrato com o frigorífico, o maior exportador do Brasil e segunda empresa do setor no mundo.

O Bird vai solicitar ainda o imediato pagamento do valor ainda pendente, equivalente a US$ 30 milhões. O financiamento total foi de US$ 90 milhões.

O banco já convocou reunião para avaliar os próximos passos, o que deve ocorrer no final do mês.

Desde 2006 que a ONG Amigos da Terra vem mantendo o IFC informado sobre os graves impactos socioambientais que o projeto de expansão do frigorífico Bertin ocasionaria na região. 

Todas as denúncias feitas pela ONG se confirmaram, inclusive aquela em que apontava que o frigorífico, através da sua unidade de Tucumã, continuava comprando gado da região do São Félix do Xingu, algo que contrariava um compromisso assumido com a IFC em janeiro de 2008.

O frigorífico Bertin não estava na mira apenas da ONG Amigos da Terra. A Greenpeace divulgou há duas semanas relatório, no qual o nome da empresa é citado várias vezes, que apontava o envolvimento de elos importantes da cadeia produtiva da carne na destruição das florestas.

Como conseguência do relatório da Greenpeace, o Ministério Público Federal (MPF) do Pará acabou denunciando, em ação cível pública, que grandes redes de supermercados estavam contribuindo para a destruição das florestas no estado. No final da última semana, Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour cancelaram contratos com frigoríficos da região.

” Parabenizamos o IFC pela decisão e esperamos que isso sirva de lição no futuro. Agora o importante é que o BNDES faça o mesmo: como pode um banco público seguir sócio de uma empresa com tamanhos passivos? Na segunda-feira solicitaremos a inclusão dos financiadores no pólo passivo das ações que estão correndo na Justiça Federal ” antecipou o  diretor de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi.

Em 2008, o BNDES não só financiou a Bertin com mais de R$ 2,5 bilhões como comprou participação acionária na empresa.

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Mais Empresas Recuam da Compra de Produtos Ilegais

Arquivado em: sustentabilidade | Tags:, , , , — admin @ 18:38

A pressão do Ministério Público Federal sobre as empresas que se beneficiam da degradação da Floresta Amazônica está funcionando. Mais empresas suspenderam a compra de produtos oriundos de fazendas que cometaram crime ambiental no Pará. Vejam abaixo reportagem do jornal Folha de São Paulo:

 

INDÚSTRIA SUSPENDE COMPRAS DE ÁREAS DE DESMATAMENTO

Depois das redes varejistas, grandes indústrias, atacadistas e empresas de serviços suspenderam compras de matérias- -primas de pecuaristas acusados de criar gado em área de devastação ambiental na Amazônia. Ontem, Coteminas e Vulcabras afirmaram que receberam a notificação do MPF (Ministério Público Federal) do Pará e que pararam de comprar dos denunciados.

A empresa de refeições coletivas Gran Sapore também foi notificada e diz que cumprirá a determinação do MPF. O Makro diz ter se reunido com seu fornecedores de carnes, após denúncia da ONG Greenpeace, e exigido garantias de que não compram gado de regiões desmatadas. Caso não sejam fornecidas, o atacadista diz que adotará medidas severas, como a suspensão da compra de carne da região.

“Comprávamos botas de segurança para nossas indústrias da Bracol. Fomos notificados pelo Ministério Público e já a retiramos de nossa lista de fornecedores”, afirma Josué Christiano Gomes da Silva, presidente da Coteminas. Segundo ele, a Coteminas tem cláusulas ambientais rígidas para os fornecedores de algodão, que estão ligados diretamente à atividade-fim da empresa. “Acompanhamos os produtores de maneira próxima, mas rastrear todos os fornecedores é bastante difícil.” A Vulcabras, dona das marcas Reebok, Olympikus e Azaleia, também informou, por e-mail, que foi notificada e está cumprindo a determinação do MPF.

Nesta semana, as maiores redes supermercadistas do país -Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart- suspenderam as compras de carnes das fazendas denunciadas pelo MPF.

No início do mês, o órgão ajuizou 21 ações civis públicas pedindo indenização de R$ 2,1 bilhões de pecuaristas e frigoríficos que comercializaram animais criados em fazendas desmatadas ilegalmente. Notificou, também, 69 compradores dos frigoríficos sobre a possibilidade de corresponsabilização por crime ambiental.

Entre os denunciados estão Bertin e Minerva, dois dos maiores frigoríficos do país. O Bertin diz atender aos critérios legais para compra de gado. O Minerva informou, em comunicado, que suspendeu a compra de bois e de carne provenientes de fazendas e empresas da região, “como precaução”. 

Ontem, o Bertin informou que sua parceria com a IFC (Corporação Financeira Internacional), do Banco Mundial, foi interrompida. A IFC fez um empréstimo de US$ 90 milhões ao Bertin, mas nem todas as parcelas foram repassadas. Segundo o Bertin, a descontinuidade foi provocada pelo cenário econômico. A IFC informou que a suspensão foi acordada em maio, antes das denúncias.

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Grandes Empresas Ajudam a Destruir a Amazônia

Arquivado em: sustentabilidade | Tags:, , , , , — admin @ 08:51

Do blog do Josias de Souza, do Portal UOL.

O Ministério Público Federal (MPF) do Pará moveu ação judicial contra os fazendeiros que desmatam a floresta Amazônica ilegalmente no Estado. Até aí nada de novo. Porém, o mais importante é o que o MPF em conjunto como Ibama rastrearam a cadeia de negócios que sustenta o desmatamento ilegal das florestas do Pará.  

E aí chegaram a 69 empresas que adquiriram subprodutos da atividade ilegal. Há na lista indústrias dos setores de limpeza, calçados, laticínios, têxtil e supermercados. Para todas esses empresas o MPF encaminhou uma recomendação contendo o nome de todas as fazendas e frigoríficos processados e com o seguinte texto: “todos os produtos e subprodutos, de origem bovina, adquiridos das empresas supracitadas caracterizam-se como oriundos de ilícitos ambientais. A manutenção das relações comerciais com essas empresas … caracterizará a responsabilidade solidária e objetiva … pelos ilícitos ambientais”.

Pelo menos três empresas da lista - Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart - já decidiram suspender a compra de produtos de fazendas ilegais. A lista completas das empresas pode ser copiada no endereço:

 

http://www.prpa.mpf.gov.br/noticias/compradores_gado_desmatamento.pdf

 

Ajudem a pressionar essas empresas para que deixem de contribuir com a destruição da Amazônia. Enviem e-mails cobrando um posicionamento.

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Uma Aula de Sustentabilidade

Arquivado em: sustentabilidade | Tags:, , — admin @ 19:40

 

 

 

Por mais que ouçamos especialistas falarem sobre sustentabilidade, sempre fica aquela sensação de que eles não estão praticando o que dizem. Obviamente existem exceções, mas há muito discurso vazio sobre sustentabilidade.

A reportagem apresentada hoje no programa Globo Rural é uma verdadeira aula de sustentabilidade. Por mais que nos esforcemos para explicar o que é sustentabilidade, nunca seremos tão eficazes quanto esses agricultores do Pará. Assistam e divulguem.

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Marina Silva Arrebentou

Arquivado em: sustentabilidade | Tags:, , , — admin @ 19:13

Em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, Marina Silva foi ao cerne do problema ambiental no Brasil. Não há visão estratégica do Governo Federal e da sociedade sobre a questão ambiental. Só discurso e nada de políticas consistentes. E o Brasil perde mais uma vez o bonde da história. Poderia liderar a economia mundial do Século 21. Não há país com potencial ambiental semelhante.

Vejam o artigo de Marina:

ELES NÃO FALARAM

Foram duas horas, na casa de meu avô, no antigo seringal Bagaço, no Acre. Meu pai não tirava o ouvido do rádio, segurando o botão para manter a frequência e melhorar o chiado, a outra mão agarrada à tábua que era o suporte do aparelho. Equilibrava-se ora num pé, ora noutro, sem arredar um minuto. Ele acompanhava a transmissão da posse do general Garrastazu Médici na Presidência da República, em outubro de 1969.

A criançada ao lado, em silêncio, sabia só que estava acontecendo alguma coisa muito importante. Quando terminou, meu pai desligou o rádio, soltou os braços ao longo do corpo e olhou para minha mãe: “Ele não falou nada do aumento do preço da borracha”. Na semana passada, me vi tendo a mesma reação de desânimo de meu pai. Li atentamente as entrevistas do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique à revista “Época” sobre as perspectivas do Brasil para 2020. E eles não falaram nada do meio ambiente.

Para não dizer que não tocaram no assunto, um o abordou ainda como problema, e o outro como exemplo de um tema novo da globalização. Mesmo assim, “en passant”. Claro, trataram de temas importantes, demonstraram ser duas das mais importantes lideranças brasileiras, mas ambos estão na agenda do século 20, não tangenciaram a mudança de perspectiva que é a marca do século 21.

Os dois presidentes já tomaram iniciativas importantes na área ambiental, ambos têm discursos bem formulados a esse respeito, mas no improviso, parece que a coisa não vem de dentro. Parece não estar no cerne de sua concepção de futuro.

Não reconhecem no Brasil, mais do que em qualquer outro país, o território propício ao surgimento de um modelo de desenvolvimento capaz de fazer a fusão concreta da justiça social sempre procurada, da dinâmica econômica e da dinâmica ambiental. No momento da decepção de meu pai, a empresa extrativista na Amazônia entrava em total decadência.

As fazendas começavam a ocupar espaço, a campanha “integrar para não entregar” entrava no ar, fazia-se propaganda para a compra de terras na região. Um mundo entrava em colapso, e quem havia passado a vida dentro da mata se sentia perdido.

Hoje, em âmbito incrivelmente maior, estamos num sistema em decadência e, novamente, não se tem uma visão estratégica de futuro, com sustentabilidade. O modo dominante de pensar está ancorado em questões compartimentadas. Há uma enorme dificuldade em reconhecer no ambiente natural o eixo integrador, a fonte dos limites, das oportunidades e do rumo que deve tomar a mudança estrutural que é a tarefa civilizatória do nosso século. 

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