
O estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, que tornou-se famoso ao escrever o livro O Ambientalista Cético, em que questionava o Aquecimento Global, agora mudou de ideia. Quem diria. Ele vai lançar um livro argumentando que deve-se investir muito dinheiro para combater o Aquecimento Global.
Vejam reportagem da Folha.com:
www1.folha.uol.com.br/ambiente/792146-lider-dos-ceticos-do-aquecimento-global-muda-de-ideia.shtml
O IBGE lançou sua publicação de indicadores de desenvolvimento sustentável de 2010.
Uma das conclusões importantes da pesquisa é que as emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil subiram 62% entre 1990 e 2005.
O trabalho completo pode ser copiado em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/ids2010.pdf
John Doerr é considerado um gênio do mercado financeiro. Ele ficou famoso investindo na criação de empresas como Google, Amazon, Compaq e Netscape.
Eu costumo usar John Doerr como exemplo de compatibilidade entre economia e meio ambiente, uma vez que ele começou a investir em empresas de tecnologia limpa. É dele a frase: “investir em tecnologias limpas é a maior oportunidade econômica do Século 21″.
Vejam abaixo o depoimento emocionado de John Doerr sobre a necessidade de combater o Aquecimento Global para não deixarmos um Planeta em crise para as futuras gerações. Não deixem de assistir os segundos finais da palestra. Há legendas em português disponíveis.
Vejam no vídeo abaixo palestra do grande físico Amory Lovins sobre as possibilidades e oportunidades para eliminar o uso do petróleo através de eficiência energética, inovação e novas tecnologias. A palestra é de 2005. Há legendas em português disponíveis.
Notem o ponto-chave dos argumentos de Amory Lovins. Quando as pessoas colocam sua imensa capacidade para resolver um problema, elas o resolvem: durante a crise do petróleo, de 1977 a 1985, o PIB dos EUA cresceu 27%, porém o consumo de petróleo caiu 17% e a importação de petróleo caiu 50%.
Ajudem a pressionar o Governo brasileiro para incentivar radicalmente a eficiência energética.
Estamos divulgando material muito importante sobre Aquecimento Global e mudanças climáticas. Leiam. Divulguem.
EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM HIDRELÉTRICAS
Um grande equívoco conceitual que se faz é chamar de energia limpa a energia gerada em hidrelétricas. É uma energia renovável, mas está longe de ser uma energia limpa.
O grande impacto social e ambiental de uma usina hidrelétrica é conhecido. Se imaginava que uma hidrelétrica contribuía muito pouco para o Aquecimento Global, uma vez que não havia queima de combustível fóssil. Porém, esse novo tipo de impacto está sendo discutido tecnicamente.
Hidrelétricas construídas em regiões de floresta emitem gás metano em grande quantidade, devido à decomposição da vegetação alagada. Isso faz com que as hidrelétricas também contribuam significativamente para o Aquecimento Global. É um grande argumento contra as hidrelétricas que o Brasil está construindo na Amazônia.
O pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), elaborou um trabalho técnico sobre essa emissão de metano nas hidrelétricas em áreas de floresta. O trabalho pode ser copiado em:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/GERACAO_METANO_HIDRELETRICAS.pdf
RELATÓRIO ESTADO DO CLIMA 2009
O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos.
Neste mês de agosto a NOAA divulgou seu relatório anual Estado do Clima. É um grande estudo técnico, com muitos dados de campo, sobre o Aquecimento Global e mudanças climáticas. É um material definitivo sobre o impacto das atividades humanas sobre o clima do Planeta.
O relatório completo (em inglês) pode ser copiado em:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/ESTADO_DO_CLIMA_2009_NOAA.pdf
Vejam abaixo reportagem do Jornal Folha de São Paulo sobre consequências do Aquecimento Global que são vistas no Brasil.
AQUECIMENTO PODE ESTAR POR TRÁS DE SECAS NO BRASIL
Está acontecendo agora, provavelmente vai acontecer de novo. Para cientistas, os extremos climáticos, como a secura que turbina queimadas no Centro-Oeste e na Amazônia, podem estar ligados ao aquecimento global.
O mesmo vale para as enchentes que deixaram 20 milhões de desabrigados no Paquistão nas últimas semanas, ou para a seca na Rússia, a pior da história, que devastou as plantações de trigo e fez aumentar o preço do pão até no Brasil.
Claro, nenhuma dessas catástrofes pode ser atribuída de forma específica às mudanças climáticas globais. É difícil separar os efeitos do aquecimento causado pelo homem da variabilidade natural do clima quando se trata de casos isolados. “Mas o que se pode dizer é que a frequência com que eventos climáticos extremos ocorrem tende a aumentar”, afirma o físico Paulo Artaxo, da USP. Desse ponto de vista, a secura no interior do país, e em especial na região amazônica, é o esperado.
“Os modelos climáticos [projeções do clima futuro feitas em computador] projetam secas maiores no centro e no leste da Amazônia e no Nordeste”, afirma o climatologista José Antonio Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). “No Centro-Oeste haveria mais ondas de calor”, disse Marengo, que ontem participava de um evento sobre mudança climática e desertificação em Fortaleza.
Artaxo, da USP, lembra que o primeiro fator responsável por estimular eventos climáticos fora do comum num planeta mais aquecido é a energia sobrando. “Você injeta energia extra no sistema ao aquecer a atmosfera. E essa energia precisa ir para algum lugar”, afirma.
Outro ponto crucial, segundo Marengo, é o fato de que continentes e oceanos esquentam a taxas diferentes -é mais difícil esquentar uma massa de água do que a mesma massa de terra. Como o ciclo da chuva e o dos ventos dependem muito dos mares, a diferença mais acentuada de temperatura entre oceano e continente pode levar a mais vendavais e mais tempestades. “É como se houvesse uma aceleração no ciclo hidrológico, como se ele virasse um carro andando em quinta.”
A estiagem deste ano ainda não virou uma catástrofe no Brasil. “Está só um pouco mais seco do que a média”, diz o climatologista Carlos Nobre, também do Inpe. Já a onda de calor russa tem tudo para virar um estudo de caso, como o evento semelhante que matou 30 mil pessoas na Europa em 2003.
Segundo Nobre, ambas as ondas de calor foram causadas por bloqueios atmosféricos. “É como se fosse uma bola sobre a região, que não deixa o ar frio entrar.” Nobre diz que não há nenhuma boa teoria ligando os bloqueios atmosféricos ao aquecimento global. Mas cita estudos depois da onda de 2003, mostrando que a probabilidade de ela ter a ver com o fenômeno era de 80%. No caso da Rússia, essa possibilidade é menor, afirma.
O americano Joel Makower, grande especialista em marketing ambiental, tem uma frase muito bem-humorada sobre a moda da compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) através do plantio de árvores (carbono zero, carbon free, etc.):
” Plantar árvores para compensar as emissões de GEE e não tomar ações concretas para reduzí-las na fonte é como pedir um refrigerante light para acompanhar um duplo chesse bacon “.
É isso. Já criticamos muito aqui essa moda absurda da compensação de emissões. É sempre melhor levar para o lado do bom humor não acham? A crítica real fica mais suave.
Ouçam no link abaixo nossa entrevista para a série especial de reportagens da Rádio Eldorado sobre os desafios que o novo presidente terá na área ambiental.
O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama criaram um ranking de desempenho ambiental dos veículos leves vendidos no Brasil. A chamada Nota Verde avalia aspectos como as emissões de poluentes atmosféricos (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio), o uso de combustível renovável e as emissões de gás carbônico (CO2).
O resultado varia de uma a cinco estrelas. Quanto maior a pontuação, maior o desempenho ambiental do veículo.
Um exemplo:
Um Volkswagen Polo, modelo Bluemotion, motor 1.6, que foi projetado para ser ambientalmente mais eficiente, recebe a nota máxima de 5 estrelas. Ele emite, por exemplo, 65,8 gramas de CO2 por quilômetro rodado.
Um Hyundai Tucson, motor 2.0, que nem é vendido na versão flex, recebe apenas 1 estrela e emite 95,5 gramas de CO2 por quilômetro. Isso sem falar nos outros poluentes.
Podemos fazer uma conta simples. Se esses dois veículos percorrerem 1.500 km por mês (18.000 km/ano), o Tucson emitirá anualmente 551 kg de CO2 a mais do que o Polo.
Em tempo de aquecimento global, quem paga por essa poluição maior? Na condição atual, toda a sociedade paga pela escolha de quem comprou veículos mais poluidores. Obviamente, não pode continuar assim. O Governo precisa estabelecer penalidades (maior imposto) para os carros mais poluidores e incentivos (menor imposto) para os veículos de melhor desempenho ambiental.
O dinheiro arrecadado com o imposto maior dos veículos poluidores financiaria os incentivos dos veículos menos poluidores. Isso já está sendo feito em alguns países, como a França.
Felizmente, entretanto, alguma coisa já está sendo feita noBrasil. O Banco do Brasil criou uma linha de financiamento de veículos que cobra taxas de juros menores para a compra de veículos 5 estrelas na Nota Verde. Vejam link abaixo:
As notas e as emissões de poluentes dos veículos podem ser verificadas no endereço:
http://servicos.ibama.gov.br/ctf/publico/sel_marca_modelo_rvep.php
Que ótimo ver o segmento de veículos em firme mudança. Uma empresa jovem, a americana Brammo, fundada em 2002, lançou uma moto esportiva elétrica (vídeo abaixo).
A Impulse é 100% elétrica, carregada em uma tomada comum, chega à velocidade de 160 km/h e tem uma autonomia de 160 km. Custa a partir de 10.000 dólares nos EUA.
Mais um bom exemplo de inovação tecnológica a favor do ambiente. E as indústrias tradicionais? Vão ficar esperando o mercado mudar como fez a Kodak com as câmeras fotográficas digitais? Em um dado momento, poderá ser tarde demais não acham?
Mais informações em www.brammo.com
Já falamos aqui sobre a Yike Bike, revolucionária bicicleta elétrica desenvolvida na Nova Zelândia (vídeo abaixo):
Agora a Volkswagen lançou sua bicicleta elétrica seguindo o mesmo conceito. Vejam vídeo.
Qual das duas bicicletas vocês consideram o melhor projeto? Eu prefiro a Yike.
O Solar Impulse, primeiro avião do mundo movido a energia limpa, fez seu primeiro voo noturno nesta semana. Voou por 26 horas, provando que pode voar também à noite (vejam vídeos abaixo).
Muitos vão dizer que a energia solar é muito cara, inviável. Esse projeto mostra que a capacidade humana permite sonhar alto, porém os governos precisam investir dinheiro grande em pesquisa e incentivos para o uso de energia limpa.
Dizem que não há dinheiro para incentivar o uso de energia limpa, cujas instalações caracterizam-se por alto custo de investimento inicial e baixíssimo custo de operação e manutenção. Mas na crise econômica de 2008 os governos não gastaram trilhões de dólares para salvar os bancos?
Quer dizer então que há dinheiro para salvar os bancos, mas para salvar o Planeta não há? Vamos usar esse exemplo do Solar Impulse para exigir dos governos mais investimento em energia limpa. Por que o Brasil não investe pesadamente em energia eólica, solar e energia das marés, aproveitando o imenso potencial que a natureza nos deu?
O Brasil está na contramão. Enquanto nos países desenvolvidos há investimento maciço em energia solar e eólica, aqui desperdiçamos um imenso potencial de uso de energia limpa. Vejam o gráfico abaixo com dados da ANEEL de dezembro de 2009.
O nosso potencial de aproveitamento da energia eólica é imenso, principalmente no litoral. E não adianta dizer que é uma fonte de energia mais cara, pois sabemos que dinheiro existe. Na crise econômica de 2008 o Governo não investiu quantias enormes em renúncias fiscais e auxílio ao mercado financeiro? Não é falta de dinheiro é falta de prioridade!!
Muitos irão dizer que o Brasil ainda tem uma posição inigualável, pois usa 86% de energia renovável. É verdade, mas energia renovável não é necessariamente energia limpa. Energia limpa é aquela oriunda de fontes renováveis, com impacto mínimo ao meio ambiente.
Uma grande usina hidrelétrica possui enormes impactos sociais e ambientais. Uma questão nova e que precisa ser melhor discutida é a geração de gás metano nos reservatórios de hidrelétricas em áreas de floresta. A decomposição da matéria orgânica alagada nessas imensas obras gera gás metano, que é um gás de efeito estufa (GEE) 21 vezes mais intenso que o gás carbônico. Cientistas imaginam que algumas hidrelétricas emitem mais GEE do que uma termelétrica de capacidade equivalente. Vejam trabalho técnico sobre o assunto no link abaixo:
http://www.silvaporto.com.br/admin/downloads/GERACAO_METANO_HIDRELETRICAS.pdf
A última edição do programa Cidades e Soluções, da Globonews, apresentou reportagem muito interessante sobre os dois carros elétricos já produzidos em série no mundo. Aqui no Brasil, o jornalista André Trigueiro fez um test-drive nos dois modelos (veja vídeo abaixo).
Três aspectos importantes, já tratados aqui no blog, são destaques na reportagem:
a) Não há no Brasil nenhuma política pública para incentivar o desenvolvimento e o uso de veículos elétricos, diferentemente de vários países desenvolvidos;
b) Mesmo que a energia que abasteça o carro elétrico venha de termelétricas movidas a combustíveis fósseis, a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa será significativa, devido a maior eficiência energética do motor elétrico em relação ao motor à combustão interna;
c) O custo de operação e de manutenção do carro elétrico é muito menor do que o carro convencional. Falta o incentivo governamental para que o custo de aquisição do veículo seja menor.
Através do Grupo de Meio Ambiente do portal do jornalista Luis Nassif (http://blogln.ning.com/), tomei conhecimento de um amplo estudo lançado em novembro de 2009 que avaliou o impacto econômico que as mudanças climáticas trarão ao Brasil.
O impacto é imenso, podendo chegar a perdas de R$ 3,6 trilhões em 2050.
Vejam abaixo resumo do estudo. O estudo completo pode ser copiado em www.economiadoclima.org.br
ESTUDO ECONÔMICO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO BRASIL: RESUMO
O Brasil corre o risco de ter uma perda na economia de R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões em 2050, caso nada seja feito para reverter os impactos das mudanças climáticas. As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam a Amazônia e o Nordeste, com perdas expressivas para a agricultura em quase todos os estados. Além disso, a previsão é de uma menor a confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Estes são alguns dos resultados do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil (EMCB), uma iniciativa pioneira que analisa e quantifica o impacto da mudança do clima na agenda de desenvolvimento do país.
Pela primeira vez no País reuniu-se uma grande equipe interdisciplinar para integrar projeções sobre diferentes setores, formada principalmente por cientistas das principais instituições de pesquisa do país. Adotando como base os modelos climáticos desenvolvidos pelo CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o horizonte do ano de 2050 - apesar dos problemas climáticos associados ao aquecimento global serem de longo prazo -, o estudo aborda vários setores cruciais para o Brasil: agricultura, energia, uso da terra e desmatamento, biodiversidade, recursos hídricos, zona costeira, migração e saúde.
As projeções alimentaram modelos de alguns setores da economia que traduziram em termos econômicos os impactos esperados em cada setor, de acordo com duas possíveis trajetórias do clima futuro desenvolvidas pelo IPCC – os cenários A2 (altas emissões) e B2 (baixas emissões). Estas trajetórias do IPCC são baseadas em hipóteses sobre o comportamento futuro da economia global. O estudo simula o comportamento futuro da economia brasileira compatível, na medida do possível, com as mesmas hipóteses do IPCC para a economia global.
Os cenários então gerados para a economia brasileira são chamados no estudo de cenários A2-BR simulados sem mudança do clima e com mudança do clima, segundo cenário climático A2 do IPCC, e cenário B2-BR, também simulado sem mudança do clima e com mudança do clima, segundo o cenário climático B2 do IPCC. Eles representam trajetórias futuras da economia brasileira caso o mundo se desenvolva globalmente segundo as premissas (econômicas) do IPCC do cenário climático A2 e do cenário climático B2.
A coordenação geral do estudo foi do professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovitch, e os coordenadores técnicos foram Sérgio Margulis e Carolina Dubeux. O consórcio foi formado pelas seguintes instituições: Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp), Embrapa, INPE, COPPE/UFRJ, Fiocruz, FBDS, Cedeplar/UFMG, IPAM, IPEA e FIPE.
Perspectiva Macroeconômica
Estima-se que sem mudança do clima o PIB brasileiro será de R$ 15,3 trilhões (Reais de 2008) no cenário A2-BR em 2050, e R$ 16 trilhões no cenário B2-BR. Com o impacto da mudança do clima, estes PIBs reduzem-se em 0,5% e 2,3% respectivamente. Antecipados para valor presente com uma taxa de desconto de 1% ao ano, estas perdas ficariam entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões, o que equivaleria a jogar fora pelo menos um ano inteiro de crescimento nos próximos 40 anos.
Com ou sem mudança do clima, o PIB é sempre maior em B2-BR do que em A2-BR. Isto quer dizer que na trajetória mais limpa do cenário B2-BR, a economia cresce mais, e não menos. Em ambos cenários, a pobreza aumenta por conta da mudança do clima, mas de forma quase desprezível.
Haveria uma perda média anual para o cidadão brasileiro em 2050 entre R$ 534 (ou US$ 291) e R$ 1.603 (ou US$ 874). O valor presente em 2008 das reduções no consumo dos brasileiros acumuladas até 2050 ficaria entre R$ 6 mil e R$ 18 mil, representando de 60% a 180% do consumo anual per capita atual.
Perspectivas Regionais
As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam a Amazônia e o Nordeste.
Na Amazônia, o aquecimento pode chegar a 7-8°C em 2100, o que prenuncia uma alteração radical da floresta amazônica – a chamada “savanização”. Estima-se que as mudanças climáticas resultariam em redução de 40% da cobertura florestal na região sul-sudeste-leste da Amazônia, que será substituída pelo bioma savana.
No Nordeste, as chuvas tenderiam a diminuir 2-2,5 mm/dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreio de bovinos de corte, favorecendo assim um retrocesso à pecuária de baixo rendimento.
O declínio de precipitação afetaria a vazão de rios em bacias do Nordeste, importantes para geração de energia, como a do Parnaíba e a do Atlântico Leste, com redução de vazões de até 90% entre 2070 e 2100.
Haveria perdas expressivas para a agricultura em todos os estados, com exceção dos mais frios no Sul-Sudeste, que passariam a ter temperaturas mais amenas.
Perspectivas Setoriais
Recursos hídricos - Os resultados projetados seriam alarmantes para algumas bacias, principalmente na região Nordeste, com uma diminuição brusca das vazões até 2100.
Energia - Perda de confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Os impactos mais pronunciados ocorreriam nas regiões Norte e Nordeste. No Sul e no Sudeste os impactos se mostrariam mínimos ou positivos, mas neste caso não compensariam as perdas do Norte e do Nordeste.
Agropecuária - Com exceção da cana-de-açúcar, todas as culturas sofreriam redução das áreas com baixo risco de produção, em especial soja (-34% a -30%), milho (-15%) e café (-17% a -18%). A produtividade cairia em particular nas culturas de subsistência no Nordeste.
Zona costeira - Considerando o pior cenário de elevação do nível do mar e de eventos meteorológicos extremos, a estimativa dos valores materiais em risco ao longo da costa brasileira é de R$ 136 bilhões a R$ 207,5 bilhões.
Adaptação
Agricultura - As modificações genéticas seriam alternativas altamente viáveis para minimizar impactos da mudança do clima, exigindo investimento em pesquisa da ordem de R$ 1 bilhão por ano. A irrigação também foi investigada como alternativa de adaptação, mas com razões benefício-custo em geral menores.
Energia - Seria preciso instalar uma capacidade extra para gerar entre 162 TWh (25% da oferta interna de energia elétrica em 2008) e 153 TWh por ano (31% da oferta interna de energia elétrica em 2008), de preferência com geração por gás natural, bagaço de cana e energia eólica, a um custo de capital da ordem de US$ 51 bilhões a 48 bilhões.
Zona costeira - O custo de ações de gestão costeira e outras políticas públicas (14 ações recomendadas) somariam R$ 3,72 bilhões até 2050, ou cerca de R$ 93 milhões por ano.
Oportunidades de Mitigação
Desmatamento
Um preço médio de carbono na Amazônia de US$ 3 por tonelada, ou US$ 450 por hectare, desestimularia entre 70% e 80% da pecuária na região. Ao preço médio de US$ 50 por tonelada de carbono, seria possível reduzir em 95% o desmatamento.
Biocombustíveis
A substituição de combustíveis fósseis poderia evitar emissões domésticas de 92 milhões a 203 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2035. Exportações de etanol acrescentariam de 187 milhões a 362 milhões de toneladas às emissões evitadas em escala global.
O crescimento da área plantada de 17,8 milhões a 19 milhões de hectares não causaria substituição de áreas destinadas às culturas de subsistência em nenhuma região brasileira nem pressionaria o desmatamento da Amazônia, mas nas regiões Sudeste e Nordeste poderia afetar florestas e matas dos estabelecimentos agrícolas, caso as políticas para o setor não sejam implementadas adequadamente.
No Centro-Sul, principalmente, exposição de grandes concentrações populacionais a altos níveis de poluição atmosférica, caso não seja adotado o sistema de colheita mecanizada.
Taxação de carbono
O estudo estimou que o impacto de uma taxação entre US$ 30 e US$ 50 por tonelada de carbono reduziria as emissões nacionais entre 1,16% e 1,87% e resultaria em uma queda no PIB entre 0,13% e 0,08%.
Setor energético
Tomando como referência o Plano Nacional de Energia 2030, o potencial estimado de redução de emissões seria de 1,8 bilhão de toneladas de CO2 acumuladas no período 2010-2030. Com uma taxa de desconto de 8% ao ano, o custo estimado seria negativo, ou seja, haveria um ganho, ou benefício, de US$ 34 bilhões em 2030, equivalentes a US$ 13 por tonelada de CO2.
Prioridades de ação
Os custos e riscos potenciais da mudança do clima para o Brasil seriam ponderáveis e pesariam mais sobre as populações pobres do Norte e Nordeste, de modo que políticas de proteção social nestas regiões devem ser reforçadas.
É possível e necessário associar metas ambiciosas de crescimento com a redução de emissões de gases de efeito estufa, para assegurar acesso a mercados que favoreçam produtos com baixa emissão de carbono em seu ciclo de vida.
A mudança do clima deve integrar as políticas governamentais do setor ambiental (como incluir emissão ou sequestro de gases do efeito estufa no processo de licenciamento), tanto no caso da agenda marrom (poluição) quanto no da agenda verde (setor rural e afins) – setores de transportes, habitação, agricultura e indústria.
Garantir que a matriz energética mantenha-se “limpa”, investir nas muitas opções de eficiência energética altamente rentáveis, e garantir que o crescimento do PIB nacional também seja gerado de forma “limpa”.
No presente, a principal recomendação é estancar o desmatamento da Amazônia. O desmatamento gera significativas mudanças do clima local e regional e resulta em uma perda projetada de até 38% das espécies e de 12% de serviços ambientais em 2100.
Aumentar o conhecimento técnico sobre o problema, com o desenvolvimento de modelos climáticos, modelos que traduzam as mudanças esperadas do clima em impactos físicos nos diversos setores da economia, alternativas de mitigação e adaptação mais eficientes.
Investir em pesquisa agrícola de ponta, em particular na modificação genética de cultivares.
Desenvolver mais estudos para quantificar natureza e riscos de eventos extremos além de 2050 e 2100.
Vejam que invenção interessante do engenheiro mecânico do Ceará Fernando Alvez Ximenes: o poste solar e eólico.
O poste de 12 metros de altura possui um sistema de geração eólica em forma de avião. Nas asas do avião estão painéis solares.
Uma bateria garante armazenamento de energia por até 70 horas. As lâmpadas são de LED, o que garante baixíssimo consumo e altíssima vida útil.
Uma boa notícia. O Governo brasileiro está estudando a criação de um mercado de “títulos de redução de emissões” de Gases de Efeito Estufa (GEE). É o que os americanos chamam de “cap and trade”.
O Brasil precisa adotar ações concretas para cumprir seus compromissos assumidos na Conferência de Copenhague.
Vejam abaixo reportagem da Agência Estado, divulgada pelo Portal UOL.
EMPRESA PODERÁ TER DE PAGAR POR POLUIÇÃO ACIMA DA META
Empresas que lançarem na atmosfera quantidade de carbono acima de um limite a ser fixado pelo governo terão de comprar “títulos” no mercado brasileiro de redução de emissões, prevê estudo do Ministério da Fazenda. Esse novo mercado funcionará com certificados de redução de emissões de gases do aquecimento global e os papéis também poderão ser comprados por investidores comuns.
O estudo dá início à regulamentação das metas do clima. No final do ano passado, o governo anunciou corte entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono previstas para 2020, mas as metas ainda não saíram do papel. O modelo em discussão no Ministério da Fazenda parte da ideia de que haverá “tetos” de emissão de carbono para os diferentes setores da economia. Estão sujeitos a esse tipo de limite os setores de geração de energia, transportes, a indústria em geral e o agronegócio.
Por ora, as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa são genéricas. O maior nível de detalhe fica restrito à redução do desmatamento, de 80% na Amazônia e 40% no Cerrado.
A partir do estabelecimento de tetos de emissão, as empresas que emitirem menos do que o limite ou atuarem na captura de carbono poderão vender “títulos de redução de emissões”. Os papéis atestariam uma determinada economia de emissão de gases de efeito estufa, medida em toneladas de CO2 equivalente. Já as empresas que ultrapassarem o teto de emissões terão de recorrer à compra de créditos no mercado.
O modelo prevê a criação de uma agência de controle das emissões, no molde das agências reguladoras. Ela ficaria responsável por estabelecer os tetos mais detalhados de emissão e fiscalizar seu cumprimento.
Em comemoração ao Dia da Terra o canal GNT passou um documentário extraordinário sobre meio ambiente e aquecimento global.
Home - Nosso Planeta, Nossa Casa foi feito em 2009 pelos franceses Yann Arthus-Bertrand, Luc Besson e François-Henri Pinault. O patrocínio foi da multinacional francesa PPR. Eu não conhecia esse filme, mas é fantástico e deve ser divulgado ao maior número de pessoas.
Além do forte impacto da mensagem central do filme (a sustentabilidade), as imagens são belíssimas, com tomadas aéreas de várias partes do mundo.
Vejam o filme abaixo, dividido em 9 partes, com legendas em português. É imperdível. Mais informações no site oficial do projeto:
Albert Einstein dizia que “não podemos fazer sempre o mesmo e esperar resultados diferentes”.
Na busca por um modelo de sociedade sustentável parece que não nos atentamos para o fato de que não é o modelo que nos trouxe até esta condição de grave crise ambiental que vai nos levar a uma condição sustentável. Insistimos no modelo de gestão ambiental denominado ecoeficiência, ou seja, tentamos melhorar aquilo que está sendo feito, sem considerar que o que está aqui não foi projetado com foco na sustentabilidade.
Um grande exemplo são as embalagens tipo longa vida. Estamos lutando para obter uma maneira de reciclar uma embalagem que não foi projetada para tal. É claro que não é a melhor solução. Por que não partir do zero? Projetar uma forma de embalagem pensando na sustentabilidade desde o início. Esse é o único caminho.
Felizmente, a capacidade humana vem conseguindo ótimos resultados. Vejam dois exemplos incríveis de como projetar um veículo para a sustentabilidade.
O CARRO APTERA 2e
Um grande absurdo é tentar desenvolver um carro elétrico sem considerar o peso e a eficiência aerodinâmica do veículo. O veículo certamente terá baixíssima autonomia e não será viável.
No Brasil estão testando até uma Palio Weekend com motor elétrico. Obviamente, o resultado é ruim.
Já falamos aqui sobre a incrível ineficiência dos carros:
www.silvaporto.com.br/blog/?p=520
www.silvaporto.com.br/blog/?p=719
Na Califórnia, nos EUA, alguns engenheiros decidiram superar as deficiências básicas do automóvel tradicional. Junto com alguns empreendedores criaram o Aptera 2e, um veículo elétrico de três rodas, que comporta dois passageiros. As principais características do veículo são:
1) Projeto aerodinâmico que imita a natureza (como um pássaro cortando o vento). O coeficiente de resistência (Cx) é de apenas 0,15;
2) Carroceria feita com compostos de carbono (muito leve, porém extremamente resistente);
3) Velocidade máxima de 145 kg/h;
4) Autonomia de 160 km com uma carga da bateria;
5) Sistema de refrigeração da cabine movido à energia solar (placas fotovoltaicas no teto);
6) Possui freios ABS e air bags.
Veja os vídeos demonstrativos abaixo. Maiores informações no site:
A BICICLETA YIKE
Enquanto a maioria pensa na alternativa de colocar um motor elétrico em uma bicicleta comum, na Nova Zelândia um engenheiro mecânico, com PhD em economia ecológica, inventou uma bicicleta revolucionária.
Chamada Yike, é um veículo que pesa apenas 10 kg e seu motor elétrico permite percorrer até 10 km com uma carga de 40 minutos em uma tomada comum. A velocidade máxima é de 25 km/h.
O projeto considerou uma maneira de dobrar facilmente a bicicleta, de modo que se possa levá-la a qualquer lugar, inclusive carregá-la no metrô, trem ou ônibus.
O preço sugerido é de cerca de 3.500 euros (aproximadamente R$ 8.200,00).
A Yike foi considerada pela Revista Time uma das 50 melhores invenções de 2009.
Vejam o vídeo demonstrativo abaixo. Para maiores informações, consulte o site: