
A última edição do programa Cidades e Soluções, da Globonews, apresentou reportagem muito interessante sobre os dois carros elétricos já produzidos em série no mundo. Aqui no Brasil, o jornalista André Trigueiro fez um test-drive nos dois modelos (veja vídeo abaixo).
Três aspectos importantes, já tratados aqui no blog, são destaques na reportagem:
a) Não há no Brasil nenhuma política pública para incentivar o desenvolvimento e o uso de veículos elétricos, diferentemente de vários países desenvolvidos;
b) Mesmo que a energia que abasteça o carro elétrico venha de termelétricas movidas a combustíveis fósseis, a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa será significativa, devido a maior eficiência energética do motor elétrico em relação ao motor à combustão interna;
c) O custo de operação e de manutenção do carro elétrico é muito menor do que o carro convencional. Falta o incentivo governamental para que o custo de aquisição do veículo seja menor.
O mundo desenvolvido está iniciando uma revolução silenciosa no que se refere à política de energia.
Muitos países perceberam que a fonte de energia mais viável econômica e ambientalmente é a eficiência energética. E estão investindo para implementar políticas de eficiência.
Perceberam que a questão energética deve ser gerenciada também pelo lado da demanda e não somente pelo lado da oferta, como tem sido feito até aqui (e é a visão do Brasil, infelizmente).
Dois estudos recentes lançados nos EUA mostram o imenso potencial da eficiência energética:
1) A consultoria McKinsey & Company concluiu que nos EUA a implantação de ações de eficiência traria economia de 1,2 trilhão de dólares, 23% de redução do consumo de energia até 2020 e uma redução de 1,1 gigatoneladas de gases de efeito estufa (equivalente a retirar de circulação todos os carros e caminhões leves nos EUA!!). O relatório (em inglês) pode ser copiado em:
http://www.silvaporto.com.br/admin/downloads/EFICIENCIA_ENERGETICA_EUA.pdf
2) A ONG RMI fez um estudo muito interessante. Comparou a produtividade energética (PIB dividido pelo consumo de energia) dos estados americanos e concluiu que se os estados menos eficientes atingissem o nível dos mais eficientes a economia de energia seria de 1,2 milhão de GWh (o equivalente a fechar 60% das usinas a carvão do país). O relatório (em inglês) pode ser copiado em:
http://www.silvaporto.com.br/admin/downloads/PRODUTIVIDADE_ENERGIA_EUA.pdf
E o Brasil? Por que aqui não se fala em eficiência energética? Estamos na contramão. Estamos prevendo termelétricas para suprir o crescimento da demanda nos próximos anos.
Com investimento em eficiência energética poderíamos criar uma espécie de reserva de energia hidrelétrica para os próximos anos.
Agora no verão aumenta muito o consumo de energia elétrica nas residências. O vídeo abaixo do Portal UOL apresenta dicas simples para reduzir o desperdício de energia. Divulguem.
Enquanto os países desenvolvidos investem pesado na fonte de energia mais viável economica e ambientalmente - a eficiência energética - o Brasil esquece totalmente o tema.
Aqui não se fala sobre isso. Prova disso é o recente estudo divulgado pela consultoria KPMG (link abaixo), que estima crescimento anual médio do consumo de energia elétrica no país entre 4 e 4,5% até 2020. A eficiência energética não entra na conta. Usam-se os mesmos indicadores de sempre. Cresce a população e o PIB, cresce proporcionalmente o consumo de energia.
http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2010/01/19/ult1913u119451.jhtm
Com todo o conhecimento e a tecnologia que se tem hoje sobre aerodinâmica, por que as montadoras de veículos insistem em carros atrasados nesse aspecto? Veículos com melhor aerodinâmica gastariam muito menos combustível e emitiriam muito menos gás carbônico.
A prova de que é simples desenvolver carros mais aerodinâmicos é o Volkswagen Polo, modelo Blue Motion. Com algumas pequenas modificações aerodinâmicas o coeficiente de resistência (Cx) passou de 0,35 (no Polo tradicional) para 0,31. Essa redução contribui para o carro ter um consumo de 14 km/L na cidade e 21 km/L na estrada (com gasolina).
Veículos já mostrados aqui no blog, que foram projetados com preocupação aerodinâmica, apresentam valores muito inferiores. O Volkswagen Up! Lite tem Cx de 0,237 e o Volkswagen L1 tem Cx de 0,195.
É só olharmos o fundo dos carros para percebermos que a aerodinâmica não é preocupação das montadoras. Quantos obstáculos existem para a passagem do ar. No movimento do carro essas restrições significam desperdício de combustível.
Se procurarmos no Google as palavras INEFICIÊNCIA, CARROS, MOTOR A COMBUSTÃO INTERNA, pouca coisa relevante aparecerá. Por que escondem a incrível ineficiência dos automóveis?
O grande físico Amory Lovins, fundador da ONG Rocky Mountain Institute e chamado de Guru da Eficiência Energética, há tempo vem chamando à atenção para a ineficiência dos automóveis de hoje.
Apesar de toda evolução no que se refere ao conforto e à eletrônica embarcada, a eficiência energética permaneceu praticamente a mesma desde que o automóvel foi inventado na década de 1880. Na verdade o automóvel é um dos equipamentos mais ineficientes que existem e pouca gente fala disso, ou por desconhecimento ou por não ter interesse em falar do assunto. Amory Lovins é exceção.
Ele diz que, considerando-se um carro médio nos EUA (o que logo logo não estará tão longe do Brasil, visto o crescimento das vendas de SUV’s e similares por aqui), cerca de 87% da energia do combustível nem chega às rodas do veículo, sendo perdida em:
- perdas do motor à combustão interna
- transmissão mecânica
- paradas do veículo
- acessórios (ar condicionado, etc.)
Dos 13% que chegam às rodas, metade é perdida na resistência do ar e no atrito dos pneus.
Portanto, apenas 6,5 % de toda a energia do combustível move o carro. Porém, como os carros são pesados demais, a energia acaba sendo usada para movimentar o automóvel e não o passageiro. Assim, chega-se à conclusão final:
Considerando-se apenas um passageiro no carro, somente 0,3% da energia do combustível é usada para mover essa pessoa. É como se, de cada R$ 100,00 que colocamos de combustível apenas R$ 0,30 fosse usado para aquilo que desejamos, ou seja, nos locomovermos. Inacreditável. O produto de uma das maiores indústrias do mundo tem uma eficiência de 0,3%.
E o que é preciso fazer? Obviamente, atacar as principais ineficiências do carro, ou seja, motor, peso e aerodinâmica. Alguns exemplos mostram o caminho.
A Volkswagem acaba de lançar no Salão do Automóvel de Frankfurt, o modelo VW L1, que faz 72 km/L de combustível. O carro-conceito ataca as três principais ineficiências dos automóveis. Possui um motor híbrido, (elétrico e movido a diesel), muito mais eficiente que um motor exclusivamente à combustão. Possui uma aerodinâmica que implica em baixa resistência do ar e é extremamente leve, pois sua carroceria é feita de fibra de carbono e plástico (pesa apenas 380 quilos).
O veículo atinge uma velocidade máxima de 160 km/h e emite apenas 36 gramas de CO2 por quilômetro (como comparação um VW Gol 1.0 brasileiro à gasolina emite 180 g CO2/km). Vejam as fotos:
Outro exemplo das alternativas existentes para a elevação da eficiência energética dos carros é o VW Polo BlueMotion. Vendido no Brasil , o veículo possui melhor aerodinâmica e modificações no câmbio, na direção e nos pneus, que faz com que, mesmo tendo um motor 1.6, faça 13,8 km/L na cidade e 21,2 km/L na estrada, rodando com gasolina, segundo o Inmetro.
Quem quiser assistir um vídeo de Amory Lovins sobre eficiência energética dos carros e novos materiais para as carrocerias:
Muitas ações simples podem ser adotadas pelas empresas para combater o Aquecimento Global.
Agora que o Inmetro iniciou a avaliação e etiquetagem da eficiência energética dos automóveis no Brasil, as empresas poderiam usar essa referência na gestão de suas frotas de veículos (terceirizados ou não). As empresas poderiam priorizar o uso de veículos com nível A de eficiência. O que acham?
A tabela com o consumo de combustível dos veículos avaliados pode ser copiada em nossa BIBLIOTECA ONLINE DE SUSTENTABILIDADE:
ww.silvaporto.com.br/admin/downloads/CONSUMO_DE_COMBUSTIVEL_VEICULOS_INMETRO_ABRIL_2009.pdf
Foi lançado no início deste mês o selo de eficiência energética para prédios. Vejam matéria da Agência Brasil.
LANÇADA ETIQUETA QUE CLASSIFICA EDIFÍCIOS CONFORME O CONSUMO DE ENERGIA
A Eletrobrás e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) lançaram quinta-feira (2/7) a Etiqueta de Eficiência Energética de Edificações Comerciais, de Serviços e Públicos, que vai classificar os prédios conforme seu consumo de energia. A iniciativa faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE).
As construções participantes do programa serão analisadas em três aspectos: envoltório (fachada e entorno), sistema de iluminação e condicionamento de Ar. a partir dessa avaliação, os edifícios receberão etiquetas que vão de A (melhor nível de eficiência,) até E (pior qualificação). Na fase inicial do projeto, a participação é voluntária, mas, gradualmente, ela passará a ser obrigatória. Há ainda previsão de incluir os prédios residências na classificação.
A intenção é facilitar o entendimento da eficiência energética das construções “para que o consumidor possa escolher o melhor prédio de acordo com seus interesses de ter uma conta de energia menor e de poder contribuir para resolver o problema da sustentabilidade do mundo”, ressaltou o presidente do Inmetro, João Jornada.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo, Sergio Watanabe, embora possa levar a aumento no preço dos imóveis, a etiqueta terá um apelo para o consumidor. Ele explicou que, “apesar de o valor subir no primeiro momento, os edifícios economicamente sustentáveis devolverão esse aumento de preço durante a manutenção da edificação em seu período de vida útil”.
A incorporação de edifícios antigos também está entre os objetivos do programa. Segundo João Jornada, “uma boa reforma” pode proporcionar economia de até 30% na conta de luz de um condomínio.
O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, destacou que a adequação das construções brasileiras à necessidade de sustentabilidade ambiental “gera um impacto enorme no papel do Brasil como player na questão da emissão de gases causadores do efeito estufa”.
Vejam que interessante a ideia dos japoneses de criar uma casa inteligente para eficiência energética. A reportagem é do Jornal Hoje, da Rede Globo.
Uma excelente briga está ocorrendo na indústria automobilística mundial. Toyota e Honda disputam para ver quem terá o veículo híbrido de maior sucesso de mercado.
Os veículos híbridos combinam um motor normal a gasolina com um motor elétrico. Esta característica, aliada a outros ganhos de eficiência, gera grande economia de combustível e baixíssima emissão de poluentes. A Toyota largou na frente ao fabricar o Prius, o primeiro híbrido a ter sucesso nas vendas (desde seu lançamento em 1997 foram comercializadas mais de 1,2 milhão de unidades no mundo).
Porém, o reinado do Prius vem sendo ameaçado pelo Honda Insight. Para buscar a retomada da liderança de mercado, a Toyota lançou recentemente a versão 2010 do Prius. Ele tem um consumo de gasolina médio entre estrada e cidade de cerca de 21 km/L. Mas o que chama mais a atenção é um acessório especial. O veículo possui um ventilador movido a energia solar, que faz circular ar ambiente dentro do carro, fazendo com que a temperatura interior fique próxima da temperatura externa. Assim, menos ar condicionado será usado.
A briga é boa. E o consumidor sairá ganhando. Os preços devem cair bastante. Muitos países estão oferecendo incentivos para os consumidores adquirirem veículos menos poluentes. E fica o questionamento. Por que esses veículos não estão disponíveis no Brasil? Por que o Governo Federal não cria incentivos para veículos menos poluentes?
Vejam abaixo os links para quem desejar conhecer melhor os dois modelos.
TOYOTA PRIUS
http://www.toyota.com/prius-hybrid/
HONDA INSIGHT
Do Blog do Planeta, da revista Época. Um divertido vídeo do canal Animal Planet sobre a importância da eficiência energética. Nós sempre nos esquecemos dela.
Sem aumentar a eficiência, não conseguiremos usar energia limpa de modo economicamente viável.