
Vejam abaixo reportagem da Agência Reuters, divulgada pelo Portal UOL, sobre como as empresas tentam influenciar as discussões da COP-15.
EMPRESAS LUTAM PARA INFLUENCIAR NEGOCIAÇÕES DE COPENHAGUE
A iniciativa privada tem dificuldades em influenciar as discussões climáticas em Copenhague por estar distante da negociação e por causa da divisão dos seus integrantes entre os que ganham e os que perdem com as políticas climáticas, disseram executivos na sexta-feira.
O objetivo da conferência, que envolve governos e cientistas, mas não diretamente os empresários, é definir as diretrizes de um novo tratado climático global, o que deve levar a fortes reduções das emissões de gases do efeito estufa.
Os executivos se reuniram em outro local, a vários quilômetros do local do evento da ONU, e admitiram que o lobby das empresas está dividido em relação a medidas que poderiam prejudicar alguns setores, como a indústria de cimento, que usa muita energia, e as empresas de geração elétrica.
“É difícil imaginar uma só voz”, disse à Reuters Jim Rogers, executivo-chefe da empresa Duke Energy. “Na verdade, há muitas vozes. Uma solução de baixo (nível de emissão de) carbono irá tornar isso muito mais difícil. Há coisas básicas (com as quais concordamos): precisamos de um caminho claro adiante, agir agora e (impor) um preço ao carbono.”
Analistas estimam que as empresas terão de entrar com cerca de 80 por cento do capital necessário para reduzir as emissões de carbono na economia.
“Deveríamos conversar entre nós antes (das reuniões da ONU) e passar nossas mensagens aos negociadores nacionais. O setor de cimento na China não é diferente do cimento na França. Temos muito a aprender com as ONGs”, disse Bill Kyte, consultor climático da E.ON e do lobby setorial Eurelectric.
Grupos ambientalistas e de desenvolvimento estão altamente mobilizados nas negociações climáticas, fazendo com que sua voz seja ouvida por meio de protestos e ligações estreitas com os meios de comunicação.
Uma dificuldade na busca por uma voz única no setor empresarial é que os lobbies são muito amplos e estão focados na limitação da ação unilateral.
Nesta semana, por exemplo, a entidade Business Europe aconselhou a União Europeia a não aumentar sua meta de redução de emissões até 2020, conforme está cogitando, se não houver um acordo global.
Já a Câmara de Comércio dos EUA perdeu alguns membros ao seu opor ao projeto de lei climática nos EUA, já aprovado por estreita margem na Câmara dos Deputados. A entidade considera que as medidas contidas na lei serão um peso para as empresas.
Mas um executivo da Câmara de Comércio disse à Reuters que a entidade pode apoiar o projeto intermediário que tramita no Senado.
“Talvez a abordagem possa ser algo que forme a base para uma legislação que poderíamos apoiar, mas ainda há muito que resolver”, disse Stephen Eule, na primeira reação da Câmara de Comércio à iniciativa apresentada na quinta-feira pelos senadores. “Acho que é uma boa base para começar.”
Até recentemente as empresas viam a questão da qualidade de seus produtos como responsabilidade do Setor de Qualidade. Havia a figura do inspetor de qualidade, cuja função era verificar se os produtos atendiam aos critérios definidos.
Depois que o Japão implantou o conceito de Qualidade Total, ficou claro que a qualidade deveria ser responsabilidade de cada funcionário da empresa, independentemente de sua função ou de seu nível hierárquico. No Brasil a Qualidade Total chegou na década de 1990, trazida pelo Prof. Vicente Falconi. O inspetor de qualidade virou espécie em extinção.
Na área ambiental acontece hoje nas empresas o que acontecia antes com a qualidade. A visão dominante em quase todas as empresas é a de que quem cuida do assunto é o Setor de Meio Ambiente. Há um entendimento de que gestão ambiental é uma questão de procedimentos, diretrizes e auditorias. Portanto, cabe ao Setor de Meio Ambiente definir e fiscalizar, nos mesmos moldes do trabalho dos Órgãos de Controle Ambiental (o chamado Processo Comando e Controle). Não é à toa que em muitas empresas o Setor de Meio Ambiente é chamado pelos funcionários de Ibama, Cetesb, etc.
Esse é o principal equívoco das empresas, razão maior pela qual o desempenho ambiental ainda é tão baixo. É preciso entender que, apesar de ser um assunto técnico, a gestão ambiental deve ser tratada como uma questão cultural da organização. Do mesmo modo que hoje se entende a Qualidade Total, a gestão ambiental deve ser compreendida e praticada por cada pessoa dentro da empresa. Cabe ao Setor de Meio Ambiente implantar e coordenar esse processo.
Esse grande equívoco acaba produzindo as situações verificadas na maioria das empresas. Decisões importantes tomadas pelos setores de marketing, comercial ou de produção, por exemplo, vão completamente contra a Política Ambiental e o discurso da empresa. Aí, para evitar tais problemas, em vez de criar uma cultura de sustentabilidade na empresa, se cria o procedimento de fazer passar toda decisão pelo crivo do Setor de Meio Ambiente, o que acaba alimentando a ideia de que o meio ambiente só prejudica a agilidade e o desenvolvimento da empresa.
Para superar esse imenso desafio as empresas precisam investir na capacitação das pessoas. Treinar apenas o pessoal do Setor de Meio Ambiente é insuficiente. O que vemos por aí são empresas com profissionais de meio ambiente altamente capacitados e funcionários de outras áreas sem qualquer noção do que seja sustentabilidade e de como eles podem contribuir para a elevação do desempenho ambiental da empresa.