
Vejam e divulguem o vídeo acima com reportagem do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, sobre o incrível carro dobrável criado pelo MIT, de que falamos aqui alguns dias atrás.
Na Década de 1990 o filme Quem Matou o Carro Elétrico? apresentou a história do EV1, veículo elétrico lançado pela GM nos EUA, que foi rapidamente descartado pela indústria do petróleo (acima foto de divulgação do filme em português).
Agora o Governo Federal repete a mesma política e mata o carro elétrico no Brasil.
Vejam abaixo na excelente reportagem do jornalista André Trigueiro para o Jornal da Globo que no Brasil o imposto sobre os carros elétricos importados é de 120% e que por essa razão temos rodando por aqui apenas 70 veículos desse tipo.
É interessante pensar que neste momento em que a Petrobras está encurralada devido ao explosivo aumento da demanda por gasolina e tem que aumentar seus preços, uma política de redução drástica das alíquotas de importação de carros elétricos e híbridos teria grande retorno econômico e ambiental.
O Governo deveria criar incentivos para o desenvolvimento de tecnologia nacional, como por exemplo, veículos híbridos etanol-eletricidade. Não custa lembrar também que as montadoras de veículos têm aqui os maiores lucros do segmento no mundo. Portanto, há dinheiro para investir em aprimoramento tecnológico.
Falta visão estratégica aos nossos governantes. Quando o carro elétrico dominar o mercado – e isso não está longe – nós seremos obrigados a comprar tecnologia de fora.
O Ex-Presidente Lula dizia que não incentivava o carro elétrico porque ele mataria o nosso etanol. Grande erro. Já há tecnologia para a implantação de usinas termelétricas movidas a etanol. Assim, o etanol economizado com os carros elétricos poderia ser usado para mover termelétricas que reforçariam a oferta de energia para abastecer esses veículos.
Ressalte-se que uma termelétrica a etanol tem eficiência energética muito superior a um carro a etanol.
Reportagem do jornal Folha de São Paulo calculou a economia que o motorista teria utilizando os veículos mais eficientes do Brasil, com base na nova tabela do INMETRO (veja quadro acima).
Na minha opinião deveria haver uma Lei que obrigasse os fabricantes a divulgarem o Selo de Eficiência do INMETRO nas propagandas dos carros.
A tabela completa com o consumo dos veículos brasileiros pode ser copiada em:
www.silvaporto.com.br/admin/downloads/CONSUMO_INMETRO_2013.PDF
Vejam acima o vídeo do ELF, um carro-bicicleta movido também a energia solar.
Fabricado pela empresa Organic Transit, o ELF transporta apenas uma pessoa, mas pode carregar um peso adicional de até 160 quilos.
Em breve o veículo estará à venda na internet por 4.000 dólares.
A Agência Ambiental dos EUA – EPA – descobriu que as montadoras Hyundai e Kia, do mesmo grupo empresarial, tentaram enganar os consumidores nos EUA ao inflar a eficiência energética de seus carros.
As montadoras afirmaram que seus carros consumiam até 2,5 km/L a menos do que os valores reais, aferidos pela EPA.
Como punição as empresas terão que indenizar os compradores de 900 mil veículos. Vejam no link abaixo reportagem do Jornal Los Angeles Times.
http://www.latimes.com/business/autos/la-fi-mo-hyundai-kia-mpg-claims-20121102,0,6756011.story
O Governo Federal sentiu a pressão da sociedade quanto à incoerência do novo regime automotivo, que incentiva a melhoria do motor à combustão interna, mas esquece de novas tecnologias, como os motores elétricos e híbridos.
Representantes do Governo correram e tentaram criar notícia dizendo que pensam também em incentivar os híbridos e elétricos. Vejam abaixo reportagem do jornal Folha de São Paulo. Lendo a reportagem percebe-se que, na verdade, é só discurso do Governo.
GOVERNO ESTUDA INCENTIVOS PARA AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS PRODUZIDOS NO BRASIL
O governo federal começa a dar sinais de que está mais atento à importância dos carros elétricos e híbridos.
O assunto tem prioridade e será discutido neste ano, diz a secretária de desenvolvimento da produção do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Heloísa Menezes. “Eles [elétricos e híbridos] ficaram de fora do Inovar-Auto [nome dado ao regime automotivo] porque têm alto grau de complexidade. São bichos diferentes e precisam de uma dieta especial”.
De acordo com o ministério, os híbridos e elétricos podem entrar em uma segunda fase do Inovar-Auto.
Segundo a Folha apurou com executivos de montadoras, um dos caminhos para incluir os elétricos nas novas regras é considerá-los na conta de eficiência energética que as empresas devem atingir. Como o cálculo considera a média de consumo de todos os modelos, o elétrico entraria como zero e ajudaria a reduzir a média.
O ministério cobrará fabricação nacional. “Não haverá redução [tributária] sem que haja possibilidade da produção no país”, diz Menezes.
O Salão do Automóvel de São Paulo apresenta até domingo carros “verdes” nos estandes de 11 marcas. O híbrido Prius, da Toyota, estará à venda em janeiro por R$ 120 mil.
A montadora culpa a falta de incentivos fiscais pelo preço alto. “Nosso objetivo é vender o carro a R$ 90 mil. Nos EUA, é vendido a US$ 25 mil, e há estímulo de US$ 7.500 que o governo oferece para compra de elétricos”, diz Roberto Braun, gerente de assuntos governamentais da Toyota.
O carro híbrido emite 40% menos CO2 do que um a combustão e roda, em média, 25 km por litro.
A Nissan expõe o elétrico Leaf, testado em parceria com a prefeitura de São Paulo em táxis. Até dezembro, serão dez unidades nas ruas. Segundo Fernando Menezes, diretor de Comunicação da Nissan, incentivos fiscais e infraestrutura para recarga são os principais pilares para que o novo nicho dê certo.
Na Europa, alguns países têm vagas especiais para carros elétricos. Em Londres, os elétricos são isentos da taxa para trafegar no centro.
Pietro Erber, presidente da Abve (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), diz que o governo está atrasado para reconhecer a existência do elétrico. “Vários prédios em construção já planejam vagas com recarga elétrica e nada ainda de incentivos.”
Já falamos aqui no blog sobre carros compactos para as grandes cidades:
http://www.silvaporto.com.br/blog/?p=2546
Apresentamos agora um carro elétrico desenvolvido pelo Media Lab, do MIT, que se dobra para facilitar o estacionamento e estará no mercado em 2013.
O veículo, chamado de Hiriko (vídeo acima), tem motor elétrico com 20 cv de potência, pesa apenas 500 kg e leva até 2 pessoas. Tem autonomia de 120 kg e velocidade máxima de 50 km/h.
O fato de ser dobrável permite que 3 desses carros estacionem no espaço ocupado por um carro tradicional.
Um consórcio formado por empresas de autopeças da Região Basca, na Espanha, está viabilizando o lançamento do Hiriko no mercado. A ideia é que o carrinho seja alugado nas cidades, apenas para permitir o deslocamento das pessoas até o transporte público de massa (ônibus, metrô, trem, etc.).
O preço sugerido é de US$ 16.400,00.
Mais informações em reportagem do The New York Times:
http://www.nytimes.com/2012/07/15/automobiles/shrink-to-fit-car-for-city-parking.html?_r=2
Os carros atuais têm uma eficiência energética tão baixa que pequenas modificações em seu projeto já trazem um bom ganho no aproveitamento do combustível.
Vejam os exemplos abaixo:
NOVO RENAULT CLIO
Neste mês de julho a Renault lançou o novo modelo do Clio. O veículo terá um motor de 0.9L, turbo, com 3 cilindros e 90 cv de potência.
Segundo a empresa, o novo Clio faz uma média de 23,2 km/L.
POLO BLUE MOTION
O VW Polo Blue Motion tem pequenos diferenciais, como pneus de menor atrito com o asfalto, que o fazem economizar cerca de 10% em relação ao modelo tradicional. Vejam o vídeo acima.
O Ministro Guido Mantega em entrevista à TV Folha disse que não é possível exigir agora contrapartida ambiental das montadoras, mas que o novo Regime Automotivo que entra em vigor em 2013 contemplará tais medidas.Será? Difícil de acreditar não?
Vejam abaixo artigo do jornalista Claudio Angelo, da Folha de São Paulo, com uma perfeita análise sobre o novo incentivo que o Governo Federal criou para a venda de carros no Brasil.
PACOTE DE MANTEGA É A ANTÍTESE DA RIO+20
O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, acaba de anunciar mais um presentão para a indústria automobilística: R$ 1,2 bilhão para montadoras, redução de IPI para carros de até mil cilindradas até quase zero e condições de mãe para filho para a compra de ônibus e caminhões: os juros caem de 7,7% para 5,5% ao ano (“é quase juro negativo”) e o prazo de financiamento dilatado de 96 meses para 120 meses.
A ideia do pacote é bombar a economia ao estimular o consumo, diante de taxas de crescimento decepcionantes. O setor é o de sempre: o que tem o lobby mais poderoso de Brasília, detém 20% do PIB industrial brasileiro e, como lembrou Mantega com orgulho, tem no Brasil o terceiro maior mercado mundial (quem mora em São Paulo sabe disso muito bem). Como escreveu Míriam Leitão, o Brasil não tem política industrial: tem política para a indústria automobilística.
Corta para Nova York. Nesta terça-feira de manhã, algumas horas depois do anúncio de Mantega, o embaixador brasileiro Luiz Figueiredo estará na Assembleia Geral das Nações Unidas, ao lado do secretário-geral Ban Ki-moon, defendendo que o mundo reveja, na Rio +20, os “padrões insustentáveis de produção e consumo” da humanidade (leia-se dos países ricos).
Corta para o Rio de Janeiro. Na última quinta-feira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lançou a versão brasileira do relatório “Povos Resilientes”, encomendado por Ban a um comitê de alto nível, para fazer recomendações que ajudem a orientar os governos no rumo de um mundo sustentável. Entre essas recomendações encontramos a seguinte:
Abordar sinais de preço que distorcem as decisões de consumo e investimento de domicílios, empresas e do setor público e debilitam os valores da sustentabilidade. Os Governos devem avançar no sentido de divulgar de maneira transparente todos os subsídios e devem identificar e eliminar aqueles subsídios que provoquem as maiores Perdas dos recursos naturais, ambientais e sociais.
Senão vejamos: o governo brasileiro defende um freio à produção e ao consumo insustentáveis ao mesmo tempo em que tenta acelerar a economia do país estimulando uma indústria e um meio de transporte de cargas (o caminhão) que são o exato oposto de sustentáveis (devoram recursos naturais, rodam com combustíveis fósseis subsidiados, tornam a vida nas cidades um inferno). Como no Dr. Fantástico de Kubrick, o governo age com dupla personalidade: uma mão segura a cigarrilha, a outra faz saudações ao Führer.
É a segunda vez em uma semana que o Brasil dá tiros no pé da Rio +20 com ações do tipo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Na última terça, o Congresso aprovou uma Medida Provisória que detona sete unidades de conservação para albergar a produção energética perfeitamente “sustentável” do país (mega-hidrelétricas na Amazônia).
Isso tudo enfraquece a posição do Brasil de cobrar ações dos países ricos nas negociações internacionais (e dá razão aos EUA, que insistem em passar a borracha nessa barreira entre ricos e emergentes). Mas, muito mais grave, sinaliza que a trajetória de desenvolvimento a que o país aspira de verdade pouco tem a ver com a reorientação fundamental da produção — a tal “economia verde”, expressão que já anda caindo em desuso antes mesmo de ser consagrada — que a Rio +20 deveria propor.
Enquanto premia indústrias dos séculos 19 e 20 com os sucessivos pacotes de desoneração, o governo sufoca as do século 21, cortando em 22% as verbas da ciência e deixando que China e Alemanha desenvolvam tecnologias de energia renovável, como eólica e solar. OK, é a crise, o euro está se acabando, é preciso agir rápido e quem está na mão são os carros.
Mas, sem alguém no governo para olhar além das soluções da mão para a boca, o país dificilmente conseguirá internalizar os resultados da Rio +20. Se é que está interessado em fazê-lo. Se é que haverá algum.